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Nem São Paulo, nem Rio: o Brasil que gera empregos longe das capitais

Publicado 09/06/2026 • 11:40 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Cidades longe dos dois maiores centros econômicos do país vêm atraindo cada vez mais atenção de empresas e investidores.
  • Durante décadas, grandes metrópoles concentraram boa parte dos investimentos e das oportunidades.
  • Agora, municípios de pequeno e médio porte passaram a ocupar espaço maior na geração de empregos, na expansão empresarial e no desenvolvimento regional.

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Cidades médias ampliam participação na geração de emprego e atraem investimentos, alterando a lógica tradicional de expansão das empresas.

Belém (PA), Campina Grande (PB), Rondonópolis (MT), Chapecó (SC), Maringá (PR) e Imperatriz (MA) ficam longe dos dois maiores centros econômicos do país, mas vêm atraindo cada vez mais atenção de empresas e investidores. Em comum, essas cidades funcionam como polos regionais, concentram atividades econômicas diversificadas e acompanham o avanço da renda, do consumo e dos negócios em diferentes regiões do Brasil.

O movimento reflete uma mudança gradual na distribuição do crescimento econômico brasileiro. Durante décadas, grandes metrópoles concentraram boa parte dos investimentos e das oportunidades. Agora, municípios de pequeno e médio porte passaram a ocupar espaço maior na geração de empregos, na expansão empresarial e no desenvolvimento regional.

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Influências regionais

Os fatores que impulsionam esse avanço variam conforme a região. No Centro-Oeste, o agronegócio segue como principal força econômica, estimulando o crescimento de cidades ligadas à produção, ao armazenamento e aos serviços.

No Sul, a combinação entre indústria e agropecuária sustenta mercados mais diversificados. Já no Norte e Nordeste, obras de infraestrutura, melhorias logísticas e a expansão dos setores de comércio e serviços têm ampliado a influência de centros urbanos que atendem milhares de moradores de municípios vizinhos.

A mudança também alterou a estratégia de expansão das empresas. Em vez de mirar apenas as capitais, companhias de diferentes setores passaram a buscar cidades regionais com crescimento consistente, demanda por novos serviços e espaço para novos negócios.

O movimento aparece em áreas como varejo, saúde, educação, tecnologia, construção civil e serviços. Para muitas empresas, cidades médias oferecem uma combinação de mercado consumidor em expansão, custos mais baixos e menor saturação em comparação aos grandes centros.

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Nova frente de crescimento

Para Diego Schiano, vice-presidente e diretor de Expansão da Casa do Construtor, essas cidades passaram a representar uma nova frente de crescimento para empresas que buscam ampliar sua presença no país.

“Existe um Brasil econômico extremamente dinâmico fora das capitais. São cidades que cresceram, diversificaram suas economias e passaram a exercer influência em suas regiões. Quando observamos indicadores de desenvolvimento, geração de renda e atividade empresarial, percebemos que muitas oportunidades estão nesses mercados”, afirma.

Segundo ele, a expansão acompanha o amadurecimento econômico dessas localidades. “Hoje encontramos cidades médias com ambiente de negócios estruturado, capacidade de consumo crescente e forte atividade empreendedora. Isso cria um cenário interessante para investimentos e para a chegada de novos serviços”, diz.

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Novas infraestruturas

Outro fator que contribuiu para esse processo foi o avanço da infraestrutura. Rodovias, corredores de exportação, polos industriais, universidades e cadeias produtivas regionais ajudaram a aproximar essas cidades dos principais fluxos econômicos do país.

Na prática, muitas deixaram de atuar apenas como mercados locais. Algumas passaram a concentrar centros de distribuição, serviços especializados, atendimento de saúde, educação superior e estruturas de apoio para atividades produtivas que movimentam diversas cidades ao redor.

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Para empresas em expansão, esses mercados representam uma alternativa aos grandes centros urbanos, onde custos, concorrência e limitações de espaço podem dificultar novos investimentos.

O fenômeno também aparece em outros países da América Latina, onde cidades fora das capitais vêm ampliando sua participação econômica ao concentrar polos industriais, agrícolas, comerciais e logísticos.

A tendência indica uma mudança mais ampla na geografia dos negócios. À medida que novas regiões aumentam sua capacidade de gerar renda, empregos e consumo, a economia brasileira se torna menos concentrada e mais conectada às características de cada território.

Se no passado grande parte do crescimento dependia dos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro, hoje uma parcela das oportunidades começa a surgir em cidades que por muito tempo ficaram fora do foco nacional.

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