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“O Brasil enfrenta uma trajetória considerada explosiva para a dívida”, diz especialista em contas públicas

Publicado 31/07/2026 • 17:14 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Murilo Viana afirma que a trajetória da dívida pública preocupa mais do que o nível atual do endividamento.
  • A dívida bruta do setor público alcançou 81,9% do PIB, enquanto o déficit primário consolidado foi de R$ 55,3 bilhões em junho.
  • A combinação entre juros elevados, despesas obrigatórias e dificuldade política para aprovar reformas aumenta a pressão sobre as contas públicas.

A dívida bruta do setor público atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), reforçando a preocupação do mercado com a trajetória das contas públicas brasileiras.

Os dados divulgados pelo Banco Central mostram ainda que o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, acima do resultado negativo de R$ 47,1 bilhões observado no mesmo mês de 2025.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Murilo Viana, coordenador de Estudos Fiscais e Tributários da GO Associados e sócio da Finance Consultoria, afirmou que, embora o patamar atual da dívida não represente um risco imediato de insolvência, a velocidade de crescimento do endividamento acende um alerta para investidores e agências de classificação de risco.

“Nós temos um patamar de dívida pública elevado e uma trajetória bastante acelerada de evolução dessa dívida, combinada com déficit primário persistente, dificuldades políticas para implementar um ajuste fiscal e juros muito elevados.”

Segundo o economista, a continuidade desse movimento pode aumentar a pressão sobre a percepção de risco do Brasil caso o país não consiga estabilizar suas contas públicas nos próximos anos.

“A continuidade dessa trajetória é um fator de grande pressão para as agências de classificação de risco quanto à capacidade do Brasil de resolver esse processo considerado explosivo no médio e longo prazo.”

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Viana pondera que o Brasil ainda possui fatores que diferenciam sua situação da de outros países emergentes. Entre eles, destaca o elevado volume de reservas internacionais e o fato de a maior parte da dívida pública ser emitida em reais e financiada por investidores domésticos, o que reduz a exposição às oscilações cambiais.

“Se compararmos com a Argentina, por exemplo, o Brasil possui reservas internacionais muito mais robustas. Além disso, a maior parte da nossa dívida é feita com o próprio brasileiro e denominada em real, o que traz aspectos de maior segurança em relação à capacidade de endividamento.”

Mesmo assim, ele destaca que o crescimento das despesas obrigatórias, o envelhecimento da população, os gastos com Previdência e saúde e o elevado custo dos juros reduzem a capacidade do governo de conter a expansão do endividamento.

“Investimento público bem feito é um dos principais passaportes do país para aumentar produtividade e romper a armadilha da renda média.”

Ao analisar o cenário político, Viana considera improvável a aprovação de medidas estruturais de ajuste fiscal em um ambiente pré-eleitoral, mas acredita que o agravamento dos indicadores poderá pressionar o próximo governo a agir.

“Os sinais amarelos, quase vermelhos, em diferentes áreas podem acabar levando a alguns ajustes estruturais no próximo ano.”

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