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Países do Golfo têm tolerado ataques iranianos até agora — mas postura “defensiva” não vai durar para sempre

Publicado 19/03/2026 • 09:10 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O Irã lançou diversos ataques contra países vizinhos do Golfo como resposta aos bombardeios aéreos dos Estados Unidos e de Israel.
  • Nesta semana, Teerã realizou ataques com mísseis contra o terminal de gás natural liquefeito de Ras Laffan, no Catar, em retaliação aos ataques israelenses à sua instalação de processamento de gás natural em South Pars.
  • Os países vizinhos do Golfo afirmaram que os ataques não ficarão “sem resposta”, mas, até o momento, ainda não retaliaram contra o Irã — algo que pode mudar em breve.
Em meio à escalada militar no Oriente Médio, o Irã afirmou que não vê condições de garantir segurança no Estreito de Ormuz enquanto persistirem os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel na região. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (9) por Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano.

Estreito de Ormuz

Os ataques do Irã estão levando os países do Golfo a um ponto crítico, forçando uma escolha entre contenção e retaliação.

Os vizinhos do Golfo têm sido repetidamente alvo de drones e mísseis iranianos, como parte das ações retaliatórias da República Islâmica contra os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel desde o fim de fevereiro.

A mais recente — e possivelmente mais significativa — escalada contra países vizinhos ocorreu nesta semana, quando Teerã lançou ataques com mísseis contra o terminal de gás natural liquefeito (GNL) de Ras Laffan, no Catar, em resposta ao ataque de Israel ao campo de gás South Pars, no Irã.

Os países do Golfo — incluindo Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã e Kuwait — reagiram aos ataques à sua infraestrutura energética afirmando que “um preço deve ser pago” e que as ofensivas “não podem ficar sem resposta”. Ainda assim, até o momento, não houve retaliação.

Segundo analistas, essa postura diplomática e defensiva não pode — e não vai — durar para sempre. Os países da região já estariam avaliando quando, onde e como podem abandonar a neutralidade e adotar uma postura mais ofensiva.

A paciência desses países claramente está se esgotando. O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, alertou nesta quinta-feira que a tolerância aos ataques iranianos é limitada.

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“Acho importante que os iranianos entendam que o reino, assim como seus parceiros que foram atacados, têm capacidades significativas que podem ser utilizadas caso decidam agir”, afirmou.

“A paciência demonstrada não é ilimitada. Eles [os iranianos] têm um dia, dois, uma semana? Não vou antecipar isso”, acrescentou.

Líderes do Golfo enfrentam um dilema difícil à medida que o Irã continua atacando infraestruturas críticas na região, disseram analistas à CNBC.

“Apesar dos amplos esforços diplomáticos para manter a neutralidade, os países do Golfo se encontram no centro da linha de fogo iraniana”, afirmou Torbjorn Soltvedt, analista principal para o Oriente Médio da consultoria Verisk Maplecroft.

“Medidas para manter a neutralidade — como limitar o acesso dos EUA a bases na região — pouco fizeram para protegê-los. Por outro lado, qualquer ação militar contra o Irã pode desencadear uma retaliação ainda mais severa”, explicou.

Segundo ele, os líderes da região enfrentam duas opções principais, ambas com riscos significativos: “reforçar a diplomacia e as medidas defensivas ou migrar para uma postura ofensiva, visando reduzir a capacidade do Irã de realizar ataques”.

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Embora o discurso contra o Irã esteja mais firme, chegar a uma resposta coordenada será difícil, já que alguns países foram mais afetados que outros.

Os Emirados Árabes Unidos afirmam ter sido alvo de mais de 2.000 drones e mísseis iranianos desde o início da guerra, no fim de fevereiro. Já Omã, que mantém relações historicamente mais próximas com o Irã, foi atingido em menor escala. Israel, por sua vez, também tem sido alvo, mas seus múltiplos sistemas de defesa aérea têm garantido ampla proteção.

No meio do fogo cruzado

Embora os ataques iranianos a países vizinhos possam parecer contraditórios à primeira vista, especialistas afirmam que a estratégia de Teerã é causar o máximo de danos na região para pressionar os países do Golfo a convencer Donald Trump a encerrar rapidamente a guerra.

Trump também tem tentado persuadir aliados do Golfo a se envolverem no conflito para reforçar as operações dos EUA e de Israel, mas esses países têm buscado manter uma postura majoritariamente neutra.

O Irã parece caminhar em uma linha tênue entre provocar seus vizinhos e evitar uma escalada total. O presidente iraniano chegou a pedir desculpas por ataques realizados no início de março, antes de as ofensivas serem retomadas. Teerã também alertou Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos para evacuarem instalações energéticas antes do ataque a Ras Laffan.

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Ainda assim, novas ameaças de ataques a instalações energéticas em países vizinhos, após ofensivas israelenses contra South Pars, indicam que novos e mais graves episódios podem ocorrer.

Diante disso, os países do Golfo terão que avaliar até que ponto o Irã é capaz de intensificar suas retaliações e quais são as chances de o regime iraniano se sustentar no longo prazo.

Uma postura exclusivamente defensiva pode se tornar insustentável em um conflito prolongado, segundo Hasan Alhasan, especialista em política do Oriente Médio do International Institute for Strategic Studies.

Isso se torna ainda mais relevante diante de falhas nos sistemas de defesa aérea e antimísseis, estoques limitados de interceptadores e “o custo extremamente elevado da defesa em comparação com o ataque”, fatores que pesam sobre os países do Golfo.

“Se não responderem à agressão iraniana, correm o risco de perder a capacidade de dissuasão, o que pode incentivar novos ataques no futuro. Afinal, novos ciclos de conflito são prováveis se o regime iraniano sobreviver a esta guerra”, concluiu Alhasan.

Os países do Golfo têm “múltiplas opções” à disposição, incluindo permitir aos Estados Unidos acesso operacional total ao seu espaço aéreo e bases para realizar operações ofensivas contra o Irã. Eles também dispõem de uma série de capacidades de ataque de precisão que poderiam neutralizar lançadores de mísseis ou drones iranianos como resposta defensiva aos ataques com mísseis e veículos aéreos não tripulados (UAVs).

No entanto, essas manobras podem ser operacionalmente complexas, pois “exigiriam coleta ativa de inteligência para detectar e neutralizar lançadores — muitos dos quais são móveis ou ocultos — além de coordenação com os Estados Unidos e Israel, que já atuam no espaço aéreo iraniano”.

Outra alternativa seria os países do Golfo concentrarem esforços em mitigar os impactos econômicos do conflito. Nesse sentido, poderiam atuar ao lado dos Estados Unidos para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, atualmente amplamente bloqueado, considerando o interesse vital da região na retomada das exportações de petróleo e gás.

Retaliação catastrófica?

Analistas alertam que qualquer retaliação pode gerar consequências inesperadas e potencialmente catastróficas, destacando que a reação do Irã pode incluir ataques a infraestruturas civis críticas.

“O Irã provavelmente ainda possui estoques consideráveis de UAVs que poderia continuar a utilizar contra os países do Golfo, os quais têm se mostrado caros e difíceis de interceptar. O país também pode escalar o conflito incentivando os houthis — que até agora se mantiveram fora da guerra — a retomar ataques contra os países do Golfo e o tráfego marítimo no Mar Vermelho, impondo um bloqueio duplo nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb”, afirmou Alhasan.

“O Irã também poderia intensificar ataques contra infraestruturas civis essenciais, como usinas de energia ou unidades de dessalinização de água. Ao fazer isso, correria o risco de alcançar um sucesso catastrófico, causando danos tão extensos que levariam os países do Golfo a uma ofensiva total, sem restrições”, alertou.

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