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Petróleo e risco fiscal exigem cautela dos bancos centrais em novos cortes de juros, diz economista Jason Vieira

Publicado 10/08/2026 • 17:06 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Jason Vieira avalia que a ata do Copom deve manter tom neutro e reforçar dependência de dados.
  • Economista diz que alta do petróleo ainda afeta principalmente os índices cheios, mas pode chegar aos núcleos se persistir.
  • Nos EUA, enfraquecimento do mercado de trabalho ganhou mais peso para os juros do que um dado isolado de inflação.

A alta do petróleo, as incertezas sobre a inflação e, no Brasil, a pressão da política fiscal exigem cautela dos bancos centrais antes de novos movimentos nos juros. É o que afirma Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Vieira afirmou que o Banco Central brasileiro ainda enfrenta condicionantes que dificultam uma sinalização mais clara sobre os próximos cortes da Selic.

“Enquanto o Banco Central está remando para um lado, a política fiscal está remando para o lado contrário. E aí fica bem difícil ser um formulador de política monetária nesse cenário”, disse.

Leia também: Após Copom, mercado volta atenções para juros nos EUA e desaceleração da economia brasileira

O economista avalia que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para esta terça-feira (11), deve adotar um tom neutro e reforçar que as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores.

“Eu ainda continuo observando e devo aguardar uma ata considerada neutra, porque ela está, sim, mais do que nunca, dependente de dados para fazer seu próximo movimento”, afirmou.

Segundo Vieira, o mercado passou a incorporar a possibilidade de novos cortes diante de sinais recentes de inflação e mercado de trabalho. Ainda assim, fatores como a política fiscal e possíveis novas pressões sobre alimentos e transportes mantêm o cenário aberto.

O petróleo é uma das principais fontes de atenção. Depois de um período de preços mais baixos, a commodity voltou a subir, o que pode limitar a contribuição desinflacionária dos transportes e, caso a pressão seja prolongada, atingir outros componentes dos índices de preços.

Vieira destacou que, inicialmente, choques dessa natureza tendem a aparecer mais no índice cheio, enquanto os bancos centrais concentram atenção maior nos núcleos de inflação.

“A importância desses índices é que eles operam pelo índice cheio e os bancos centrais costumam observar os núcleos. Então, atrapalha um pouco no momento em que isso começa a se tornar efeito de segunda ordem”, disse.

Segundo ele, a preocupação aumenta quando o choque deixa de ser pontual e passa a afetar outros segmentos da economia.

“Ele começou a afetar transportes, aí começou a afetar fertilizantes e começou a afetar uma série de coisas que, por fim, eram efeitos em que, pela duração do headline, ele acaba de certa maneira indo para os núcleos”, afirmou.

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Por enquanto, Vieira avalia que os bancos centrais ainda conseguem tratar a alta do petróleo como um impacto de curto prazo. A situação muda, porém, se a pressão se tornar persistente.

“Por enquanto, não. Por enquanto os bancos centrais conseguem equilibrar a medida de um impacto de curto prazo dessa inflação de petróleo enquanto ela não se tornar mais persistente”, disse.

Leia também: Payroll fraco aumenta incertezas sobre juros nos EUA, avalia analista

EUA: mercado de trabalho pesa mais

Nos Estados Unidos, Vieira afirmou que o enfraquecimento recente do mercado de trabalho ganhou importância maior na formação das expectativas para os juros.

O economista citou o payroll mais fraco e as revisões negativas dos dados anteriores como sinais de perda de força da atividade econômica.

“O mercado de trabalho fez mais preço e deve continuar a fazer mais preço, porque não só o payroll veio mais baixo, mas as revisões anteriores demonstraram que o ímpeto da atividade econômica estava menor do que aquilo que se imaginava”, afirmou.

Para o CPI dos Estados Unidos, previsto para quarta-feira (12), Vieira disse que o principal ponto será observar o comportamento dos núcleos, especialmente componentes ligados à habitação e aos serviços.

“Eles precisam mostrar uma queda fora do headline, ou seja, uma queda de núcleo”, disse.

Segundo o economista, a inflação cheia pode sofrer algum efeito do comportamento recente do petróleo, mas uma leitura isolada do CPI tende a ter peso menor para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) do que sinais mais consistentes de desaceleração do emprego e da atividade.

“Abre um cenário mais concreto do que efetivamente o dado marginal de CPI”, afirmou.

Vieira também destacou que Brasil e Estados Unidos enfrentam dúvidas semelhantes sobre a evolução dos preços de energia e alimentos nos próximos meses. Para ele, a duração desses choques será decisiva para determinar se o impacto continuará restrito aos índices cheios ou começará a contaminar medidas subjacentes de inflação.

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