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Após Copom, mercado volta atenções para juros nos EUA e desaceleração da economia brasileira
Publicado 06/08/2026 • 21:51 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 06/08/2026 • 21:51 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (5), as atenções do mercado se voltam para a trajetória dos juros nos Estados Unidos e para os sinais de desaceleração da economia brasileira, em um cenário que ainda combina inflação acima da meta, incerteza geopolítica e pressão fiscal.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Carlos Honorato, economista especialista em Cenários Futuros, afirmou que a possibilidade de uma alta dos juros americanos passou a ser um dos principais fatores externos a serem acompanhados pelos investidores.
“Há uma possibilidade não pequena de haver aí um aumento da taxa de juros pelo Fed na reunião de setembro”, afirmou.
Segundo Honorato, pressões inflacionárias e as incertezas geopolíticas aumentam a dificuldade de antecipar a próxima decisão da autoridade monetária americana. Uma mudança nos juros dos Estados Unidos também teria impacto sobre as expectativas para a política monetária brasileira.
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No Brasil, Honorato avalia que o nível elevado dos juros já começa a produzir efeitos mais claros sobre a atividade econômica.
“A economia brasileira está dando mostras de estagnação. Esse juro sufocante para as empresas e para as pessoas tem um limite e tem um momento em que isso se torna insustentável do ponto de vista de consumo, de novas compras e de manter o mercado aquecido”, disse.
Segundo o economista, a perda de dinamismo da atividade ajuda a explicar o movimento recente do Banco Central, embora o ambiente ainda não permita uma sinalização clara sobre os próximos passos.
Honorato afirmou que a inflação permanece acima da meta, mas avalia que o comportamento dos preços está relativamente controlado diante do enfraquecimento da economia.
“O que a gente percebe é que a atividade econômica pode estar recuando e, mesmo que a inflação esteja mais ou menos sob controle, acima da meta, ainda está sob controle”, afirmou.
Para ele, essa combinação dá ao Banco Central motivos para manter uma comunicação cautelosa sobre as próximas reuniões.
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Siga o Times | CNBCOutro fator que deve ganhar espaço no radar dos investidores é a eleição presidencial. Honorato avalia que, até agora, o processo eleitoral teve impacto limitado sobre os mercados, mas não espera que essa tranquilidade permaneça necessariamente até a votação.
“Eu acho que não. Acho que tem muita coisa para sair”, disse ao ser questionado se o cenário eleitoral continuaria sem provocar movimentos relevantes nos mercados.
Na avaliação do economista, falta uma discussão mais detalhada sobre propostas econômicas e, principalmente, sobre a situação das contas públicas.
“Você tem uma discussão de que nós temos um problema de dívida pública forte, mas ninguém endereça isso com seriedade e com o caminho efetivo do que fazer. Não adianta falar que vai cortar 20% do orçamento se você não disser de onde nem como”, afirmou.
Honorato disse que, independentemente do vencedor, a questão fiscal deverá permanecer como um dos principais desafios econômicos a partir de 2027.
“Esquerda e direita têm que fazer um pacto de reorganização das contas públicas, porque esse é o nosso calcanhar de Aquiles muito forte e que pode nos levar ou para a recessão, ou para a inflação, ou para os dois juntos”, disse.
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Honorato também avaliou o impacto das tensões no Oriente Médio sobre a Petrobras e o mercado brasileiro.
Segundo ele, a estatal atravessa o atual choque de petróleo em uma posição diferente da observada em crises anteriores por também ser uma exportadora relevante da commodity.
“A Petrobras hoje vive um momento diferente. Diferente de outras crises do petróleo que a gente teve no mundo, hoje a Petrobras é uma exportadora de petróleo”, afirmou.
O economista ponderou que o cenário continua desafiador diante da importação de parte dos combustíveis consumidos no país e das dificuldades para administrar preços domésticos em períodos de forte volatilidade internacional.
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