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PF aponta Lulinha como destinatário de pagamentos de empresário com interesses no governo federal

Publicado 22/08/2026 • 09:13 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A Polícia Federal afirma que o filho mais velho do presidente Lula teria atuado diretamente na intermediação dos negócios investigados.
  • Atuação teria ido além dos pagamentos: segundo a PF, filho presidente Lula participou de reuniões, discutiu negócios e chegou a pedir a emissão de uma nota fiscal.
  • Cleber Ribas de Oliveira nega favorecimento: defesa do empresário afirma que os contratos com o governo seguiram a lei e diz que não houve relação comercial com Lulinha.

Foto: Estadão

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria sido destinatário de pagamentos e benefícios bancados por um empresário interessado em fechar negócios com órgãos públicos.

A apuração faz parte de uma investigação sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e o empresário Cléber Ribas de Oliveira, ligado à empresa de tecnologia 3Structure. Segundo relatório da PF, diálogos analisados pelos investigadores indicam que Lulinha teria participado de reuniões e discussões relacionadas aos interesses empresariais de Ribas.

A Polícia Federal afirma ainda que o filho do presidente teria atuado diretamente na intermediação desses negócios, participado de encontros com agentes públicos e, em pelo menos uma ocasião, pedido a Roberta que emitisse uma nota fiscal para o empresário. Para os investigadores, o conjunto dos elementos justifica o aprofundamento das diligências para esclarecer o papel de Lulinha e uma eventual vantagem obtida por ele.

Pagamentos e contratos entram na mira

De acordo com a investigação, Cléber Ribas contratou Roberta para defender os interesses de suas empresas junto ao poder público. A PF identificou pagamentos de pelo menos R$ 2,5 milhões do empresário à lobista entre março de 2024 e dezembro de 2025. Roberta também teria marcado reuniões com integrantes da Dataprev e outros agentes públicos.

A Dataprev é uma empresa pública federal responsável por serviços de tecnologia e processamento de dados. Apesar das tratativas investigadas, a estatal afirma que não possui contratos com a 3Structure nem com a Blockbit, empresas representadas por Ribas.

A investigação também acompanha negócios em outras áreas do governo. Segundo o material, a 3Structure conseguiu contratos de R$ 14,4 milhões e R$ 19,2 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Social, em dezembro de 2023 e abril de 2024. Antes disso, Roberta havia realizado visitas ao ministério e citado o órgão em conversas sobre a defesa dos interesses do empresário.

PF vê despesas de Lulinha ligadas aos pagamentos

Parte central da apuração envolve mensagens nas quais Roberta cobra pagamentos e faz referências a Fábio. Em uma das conversas, ela afirma que Lulinha precisava do dinheiro para comprar passagens para a Espanha.

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Na avaliação da PF, os diálogos podem indicar que despesas do filho do presidente eram custeadas com recursos recebidos pela empresa de Roberta. Os investigadores também destacam uma mensagem na qual o próprio Lulinha pede à lobista a emissão de uma nota fiscal para Cléber Ribas.

Outras conversas mostram Lulinha dizendo que Roberta “cuida” de suas finanças. Para a PF, os elementos levantam a suspeita de que ele sabia da origem dos recursos utilizados para bancar despesas. Os relatórios serviram de base para a abertura de inquérito contra Lulinha, Roberta e outros investigados por suspeita de tráfico de influência.

A Polícia Federal abriu investigações distintas para apurar a atuação do grupo. Uma delas trata especificamente das negociações envolvendo a Dataprev; outra analisa suspeitas relacionadas ao Ministério da Saúde; e uma terceira alcança outras áreas do governo federal.

O que dizem os citados

A defesa de Cléber Ribas afirma que nem o empresário, nem a 3Structure tiveram contratos com a Dataprev e nega qualquer relação comercial com Fábio Luís Lula da Silva. Também sustenta que a contratação da empresa de Roberta ocorreu para serviços lícitos de assessoria comercial e prospecção de oportunidades no setor de tecnologia.

Segundo a defesa, os contratos fechados com o governo federal seguiram os procedimentos previstos em lei, com transparência e sem favorecimento. Os advogados também afirmam que não podem comentar as mensagens investigadas sem acesso ao conteúdo integral das comunicações.

A Dataprev informou que não possui contratos com as empresas de Ribas e afirmou que colaborará com os órgãos de investigação caso seja solicitada. As defesas de Lulinha e Roberta não se manifestaram no conteúdo fornecido.

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