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PGR rejeita pedido de Lulinha para investigar vazamento de dados sigilosos

Publicado 22/10/2026 • 09:24 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • PGR rejeita pedido de Lulinha para investigar supostos vazamentos de dados sigilosos da Operação Sem Desconto, que apura desvios em benefícios do INSS.
  • Paulo Gonet afirma que o filho de Lula não tem legitimidade para exigir providências sobre a condução de um inquérito policial, mas defende a inclusão do pedido nos autos.
  • Parecer também aborda o Banco Master e o STF, com posicionamentos sobre prisões preventivas, proteção de informações privadas e competência da Justiça para conduzir investigações.

Juca Varella/AE

Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou contra um pedido apresentado pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para investigar supostos vazamentos de informações sigilosas obtidas durante a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF). A manifestação está presente em um parecer de nove páginas encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustenta que dados protegidos por sigilo, reunidos durante as investigações, estariam sendo divulgados indevidamente. Os advogados também questionam a exposição de informações pessoais enquanto o inquérito permanece em andamento.

Ao analisar a solicitação, Gonet argumentou que eventuais vítimas de crimes investigados pelo poder público não têm competência legal para exigir providências relacionadas à forma como a polícia conduz as apurações. Apesar de rejeitar a pretensão apresentada pela defesa, o procurador-geral defendeu que o pedido seja incorporado aos autos da investigação.

A manifestação, segundo o Globo, integra um conjunto de posicionamentos da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre investigações que envolvem o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Banco Master e decisões tomadas no âmbito do STF.

Vazamentos estão relacionados à investigação sobre o INSS

A Operação Sem Desconto investiga um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS, com suspeitas de desvios bilionários. Parte das informações questionadas pela defesa de Lulinha teria sido obtida mediante quebra de sigilo telemático, procedimento que permite aos investigadores acessar determinados dados digitais mediante autorização judicial.

No parecer, Gonet registra que a defesa relata a divulgação de informações consideradas sensíveis, mesmo com a existência de um procedimento investigativo formal. O procurador-geral, porém, diferencia a condição de possível vítima de um vazamento da atribuição de determinar os rumos de uma investigação criminal.

O entendimento apresentado pela PGR é de que a condução do inquérito compete às autoridades responsáveis pela apuração, conforme as regras aplicáveis aos procedimentos criminais.

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Parecer também trata de investigações envolvendo o Banco Master

Além da solicitação relacionada a Lulinha, o documento examina questões envolvendo pessoas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entre os nomes relacionados aos procedimentos estão Fabiano Zettel, Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, identificados, respectivamente, como cunhado, pai e primo do banqueiro.

Na manifestação, Gonet defende a manutenção da prisão preventiva dos investigados abrangidos por esse pedido. A prisão preventiva é uma medida cautelar adotada durante o processo criminal, mediante requisitos previstos em lei, e não representa condenação definitiva.

PGR defende proteção de conversas entre advogados e clientes

Outra questão analisada pelo procurador-geral envolve uma solicitação apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A entidade pediu medidas para impedir a divulgação ou utilização indevida de informações privadas obtidas nas operações policiais, especialmente aquelas sem relação com os fatos investigados.

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A preocupação inclui a preservação das comunicações entre advogados e clientes, protegidas por garantias legais de confidencialidade.

Gonet concordou com a solicitação e considerou necessário resguardar conteúdos particulares que não tenham ligação com possíveis irregularidades. O posicionamento também se apoia nas garantias constitucionais de privacidade e na proteção do sigilo profissional da advocacia.

Procurador-geral se manifesta sobre atuação de ministro do STF

O documento também se insere em um contexto de divergências entre integrantes do Supremo Tribunal Federal a respeito da condução de investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. Gonet se posicionou contra a abertura de uma investigação envolvendo o ministro André Mendonça, responsável pela relatoria de procedimentos relacionados aos casos.

A atuação do magistrado tem sido alvo de questionamentos de uma ala do tribunal, próxima ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo a reportagem, esse grupo acusa Mendonça de direcionar as apurações de maneira a atingir politicamente o presidente Lula e favorecer Flávio Bolsonaro.

Essas alegações fazem parte das disputas relatadas nos bastidores da Corte e não constituem, por si só, comprovação de irregularidade na atuação do ministro.

O ambiente de tensão também envolve informações sobre relações pessoais de integrantes do STF, entre eles Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques, com o empresário Daniel Vorcaro.

Investigações sem autoridades com foro devem tramitar na primeira instância

Em outra parte da manifestação, a PGR defendeu que procedimentos relacionados a suspeitas envolvendo a Dataprev e a comercialização de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde sejam encaminhados à Justiça de primeira instância.

A posição inclui investigações relacionadas a Lulinha e considera a ausência de indícios de participação de autoridades com direito a foro por prerrogativa de função.

Esse tipo de foro estabelece que determinadas autoridades sejam processadas e julgadas diretamente por tribunais específicos, conforme a função exercida e as circunstâncias previstas na legislação.

Na avaliação apresentada pelo procurador-geral, a falta de elementos que justifiquem a competência do STF permite que os procedimentos sejam analisados pela Justiça comum, responsável pela tramitação inicial da maior parte das ações criminais.

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