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Lulinha tinha relação próxima com sócios da Fictor antes do grupo entrar em crise e acumular dívida bilionária
Publicado 01/09/2026 • 17:58 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 01/09/2026 • 17:58 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), teria atuado como assessor do Grupo Fictor, conglomerado que atravessa uma recuperação judicial bilionária e teve fundadores e administradores no centro de um pedido de afastamento apresentado à Justiça.
A ligação de Lulinha com o grupo foi mais próxima em 2024, período em que supostamente teria prestado consultoria voltada ao relacionamento institucional da Fictor com o governo federal. A defesa do filho do presidente nega essa versão e afirma que ele nunca manteve vínculo profissional ou comercial com a companhia.
A situação da Fictor se agravou nos últimos meses. Além da recuperação judicial, o conglomerado passou a enfrentar questionamentos sobre sua forma de captação de recursos e investigações. A administradora judicial responsável pelo processo também apontou problemas na operação das empresas e defendeu mudanças no comando do grupo.
Leia também: Compra do Master daria à Fictor ‘um banco na mão’ e abriria caminho para venda de CDBs, disse CEO em reunião
Segundo a Folha de S.Paulo, duas pessoas que trabalharam em empresas da Fictor relataram que Lulinha prestou serviços ao grupo e tinha como uma de suas atribuições ampliar a interlocução da companhia com o governo. De acordo com esses relatos, o filho do presidente chegou a frequentar escritórios ligados ao conglomerado, embora tenha reduzido essas visitas.
Ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC uma fonte afirmou, sob sigilo, não poder afirmar se houve alguma prestação de serviços de consultoria, “mas certamente uma amizade pessoal, devido à forma como se tratavam entre si”, disse uma fonte próxima.
Lulinha também mantinha uma relação pessoal com Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio da Fictor. Os relatos obtidos pelo jornal associam a atuação do filho do presidente à aproximação de Rubini com espaços institucionais em Brasília, incluindo sua participação no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão.
Rubini também participou do Grupo Parlamentar de Relacionamento com o Brics no Senado. Sua presença foi relacionada à experiência no mercado financeiro, área em que poderia contribuir para as discussões do colegiado.
Procurada pela reportagem do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a defesa de Rubini afirmou que o empresário jamais manteve qualquer relação ou vínculo de natureza profissional, societária ou comercial com Fábio Luís Lula da Silva. A defesa também disse que Lulinha não exerceu função, cargo, atribuição ou atividade na Fictor.
Os advogados de Lulinha reconhecem que ele conhece Rubini, mas rejeitam a existência de qualquer relação de trabalho com a Fictor. A defesa também afirmou que não houve interferência em favor do empresário e sustentou que filho do presidente não participou de indicações para funções públicas.
Os advogados classificam as informações que relacionam Lulinha às atividades da empresa como uma tentativa de associá-lo a investigações envolvendo o grupo. Carvalho também afirma que o filho do presidente vive na Espanha desde 2024.
A reportagem de Times Brasil | CNBC não conseguiu contato com a Fictor.
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Siga o Times | CNBCEm outra frente da crise, a administradora judicial da recuperação da Fictor se manifestou pela retirada de integrantes da administração do conglomerado. Segundo o NeoFeed, a Laspro Consultores apresentou ao Tribunal de Justiça de São Paulo, em 18 de agosto, parecer favorável ao afastamento do fundador Rafael Ribeiro Leite de Góis e de outros cinco administradores, além da indicação de um gestor judicial.
Leia também: O que acontece com quem investiu na Fictor após a recuperação judicial?
A manifestação ocorreu após questionamentos apresentados por credores, entre eles centenas de investidores. A administradora judicial apontou paralisação das atividades de empresas do grupo e movimentações consideradas atípicas de recursos entre companhias relacionadas.
O parecer também levantou indícios de que estruturas de investimento organizadas por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCPs) poderiam apresentar dinâmica semelhante à de uma pirâmide financeira. Conforme a análise da administradora, parte dos pagamentos aos investidores teria dependido da entrada de novos recursos, ao invés de resultados gerados pelas atividades das empresas.
A Fictor Holding e a Fictor Invest recorreram à recuperação judicial no início de fevereiro de 2026. O passivo informado ficou acima de R$ 4 bilhões, com estimativas posteriores próximas de R$ 4,3 bilhões.
A crise ganhou força após a Fictor anunciar, em novembro de 2025, uma tentativa de aquisição do Banco Master. O movimento ocorreu pouco antes do agravamento da situação da instituição financeira e da prisão de Daniel Vorcaro.
Leia também: Administradora judicial da Fictor pede afastamento de fundador e cinco executivos
Depois do episódio, a Fictor enfrentou aumento dos pedidos de retirada de recursos e dificuldades para manter suas operações. O modelo de captação adotado pelo grupo também passou a ser questionado e entrou no radar de órgãos reguladores e investigadores.
A Justiça paulista autorizou o processamento da recuperação judicial, mecanismo que suspende temporariamente determinadas cobranças enquanto a empresa negocia um plano para reorganizar suas dívidas e apresentar uma proposta aos credores.
Rubini, por sua vez, deixou o quadro societário da Fictor no fim de 2024. Ele permaneceu ligado à Fictor Invest até abril de 2025 e, posteriormente, continuou como conselheiro até outubro daquele ano.
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