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Compra do Master daria à Fictor ‘um banco na mão’ e abriria caminho para venda de CDBs, disse CEO em reunião
Publicado 02/08/2026 • 15:12 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/08/2026 • 15:12 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Gois, afirmou a funcionários que a tentativa de compra do Banco Master poderia ter transformado a estrutura financeira da companhia e permitido a entrada do grupo no mercado de produtos bancários.
“A gente teria um banco na mão”, disse Gois durante uma reunião interna realizada em 15 de janeiro deste ano, segundo áudio obtido com pela Revista Oeste.
A conversa ocorreu 18 dias antes de a Fictor apresentar seu pedido de recuperação judicial e em um momento de forte pressão de clientes por resgates. Além de Gois, participou do encontro Rafael Paixão, então sócio e diretor do grupo.
Questionado por um funcionário sobre se havia se arrependido de tentar comprar o Master, Gois respondeu que, diante das consequências, o arrependimento era inevitável. Ao mesmo tempo, afirmou que, com as informações disponíveis quando a transação foi anunciada, a Fictor faria novamente a tentativa.
Leia também: Fictor Alimentos apresenta plano de recuperação judicial para credores
Na reunião, Gois explicou que enxergava a compra do Master como uma forma de resolver um problema de distribuição financeira da Fictor.
Segundo o executivo, a operação permitiria ao grupo deixar para trás parte de sua estrutura baseada em Sociedades em Conta de Participação (SCP) e começar a oferecer CDBs, títulos de renda fixa que só podem ser emitidos por instituições bancárias.
Foi nesse contexto que ele afirmou que a companhia teria “um banco na mão” e poderia ampliar significativamente sua capacidade de distribuição de produtos financeiros.
A Fictor anunciou em 17 de novembro de 2025 um acordo para comprar o Banco Master, de Daniel Vorcaro, por R$ 3 bilhões.
No dia seguinte, porém, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. Na mesma data, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que atingiu Vorcaro e integrantes da administração da instituição. A transação com a Fictor não avançou.
O áudio também mostra que os executivos tentavam tranquilizar os funcionários diante do aumento dos pedidos de saque e do atraso nos pagamentos.
Na data da reunião, rendimentos e dividendos estavam atrasados havia quatro dias.
Gois sustentou que a Fictor possuía patrimônio suficiente para cobrir suas obrigações, mas enfrentava um problema de liquidez — ou seja, tinha ativos, porém encontrava dificuldade para transformá-los rapidamente em dinheiro para atender ao volume de resgates.
O executivo disse que aproximadamente 40% dos recursos mantidos pela companhia haviam sido solicitados em saques e que uma liquidação acelerada dos ativos poderia prejudicar os clientes que ainda aguardavam pagamento.
Naquele momento, Gois e Paixão também afirmaram que buscavam vender ativos por cerca de R$ 3 bilhões.
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Siga o Times | CNBCA expectativa apresentada aos funcionários era concluir uma operação até 23 de janeiro. Caso a venda não ocorresse, a companhia elaboraria um plano para devolver os recursos dos clientes de maneira escalonada.
Em 2 de fevereiro, pouco mais de duas semanas depois da reunião, o Grupo Fictor apresentou pedido de recuperação judicial. A Justiça aceitou o processamento em abril.
A recuperação reúne mais de 13 mil credores e envolve uma dívida aproximada de R$ 4,2 bilhões. A maioria dos credores é formada por pessoas físicas que mantinham recursos aplicados em negócios ligados ao grupo.
A reunião de janeiro também ocorreu em meio à deterioração da imagem da Fictor depois da tentativa frustrada de aquisição do Master.
Paixão afirmou aos funcionários que a companhia passou a ser associada ao banco de Vorcaro e responsabilizou essa percepção pelo aumento dos resgates e pelas dificuldades enfrentadas com instituições financeiras e prestadores de serviços.
Gois classificou o episódio como um problema reputacional e disse que bancos e potenciais compradores de ativos haviam se afastado da empresa.
Em outro trecho do áudio, Gois comentou a mudança da administração de fundos ligados à Fictor depois da saída da Vórtx.
Segundo ele, grandes administradoras não aceitaram assumir a operação devido aos problemas de imagem enfrentados pelo grupo.
A alternativa foi migrar os fundos para a Sefer Investimentos. Questionado sobre problemas envolvendo a instituição, Gois afirmou que a Fictor seguiria com a transferência porque precisava acessar recursos mantidos na estrutura e porque conhecia os proprietários da empresa.
Meses depois, em junho, o Banco Central também decretou a liquidação extrajudicial da Sefer.
Procurada, a Fictor informou que não comentará o caso.
Sobre decisões judiciais relacionadas à recuperação, o grupo afirmou que cumprirá as determinações da Justiça e que segue concentrado na reestruturação da companhia e na busca de uma solução para os credores.
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