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Missão contra tarifaço: secretário de Trump diz a empresários que impasse com o Brasil é mais político que econômico
Publicado 03/09/2025 • 23:25 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 03/09/2025 • 23:25 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Ricardo Alban, presidente da CNI
Reprodução Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que, em reunião nesta quarta-feira (3), em Washington, o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, indicou que a solução para o impasse do tarifaço imposto ao Brasil passa mais pela política do que pela economia.
“A necessidade dele foi que nós precisamos ter uma conotação dos assuntos políticos para que essa mesa pudesse fluir, nós temos um impasse que é inédito”, disse Alban.
Na avaliação de Alban, a reunião com Landau foi “boa” e o conteúdo da conversa para o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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O encontro não estava previsto na agenda oficial da missão empresarial brasileira e foi considerado um gesto de peso no momento em que as negociações sobre as tarifas seguem travadas. Além de Alban, participaram da reunião o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, e o CEO da Amcham Brasil-EUA, Abrão Neto.
Segundo o presidente da CNI, Landau mencionou a insatisfação do governo Trump com decisões da Justiça brasileira que atingem grandes empresas de tecnologia. Alban ressaltou ainda que, durante a conversa, não houve menção direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, citado por Trump em abril, quando anunciou o tarifaço.
Para os empresários brasileiros, a reunião reforçou a percepção de que as próximas etapas da negociação dependerão de articulação diplomática e política de alto nível, e não apenas de argumentos técnicos ou comerciais.
Alban afirmou que a redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil não deve acontecer no curto prazo. Segundo ele, a expectativa mais realista é a de conseguir novas isenções pontuais, enquanto se constrói um caminho político e técnico para reduzir as barreiras de forma mais ampla.
Alban destacou que o momento é de abrir canais de diálogo e mostrar aos americanos que existe espaço para um acordo “de ganha-ganha”. “No curtíssimo prazo, não temos a perspectiva da redução de tarifas, mas sim de novas isenções. Primeiro é preciso criar uma ponte entre os dois países e depois trabalhar para reduções maiores”, afirmou, estimando que esse processo poderá avançar “em alguns meses”.
O presidente da CNI reforçou que o foco atual é proteger as indústrias brasileiras e garantir alternativas dentro do próprio mercado americano, sem depender de compradores substitutos em outros países. “Precisamos ser criativos”, disse, observando que não há condições para que os exportadores encontrem novos destinos em escala suficiente para compensar os EUA.
“Parece que essa reunião de hoje nos mostrou um novo caminho e… amanhã já queremos ir com esse norte e fertilizar esse caminho para que possamos ter voz legítima e mostrar o interesse do ganha-ganha Brasil-Estados Unidos”, completou.
Alban também fez questão de afastar qualquer conotação política das negociações. “A preocupação número 1 nossa foi que não tivesse nenhuma conotação política ou de governo”, afirmou. Segundo ele, a CNI não tem “competência e legitimidade” para tratar de disputas partidárias, e a escolha foi manter o debate técnico e empresarial, preservando um ambiente mais favorável para as negociações.
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