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Novo tarifaço é baseado em mentiras, diz Lula; ‘Quem tinha que tarifar éramos nós’
Publicado 02/06/2026 • 16:23 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/06/2026 • 16:23 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Luiz Inácio Lula da Silva
O novo tarifaço anunciado pelos EUA contra os produtos Brasil nesta terça-feira (2) é fruto de um conchavo da família de Jair Bolsonaro (PL) e o governo de Donald Trump com fins eleitorais, segundo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em seu discurso na inauguração do campus Catalão do Instituto Federal Goiano, o petista afirmou que a política comercial dos Estados Unidos tem se baseado em mentiras, como a de que o Brasil é superavitário em relação ao país e possui práticas desleais.
O presidente afirmou que, à despeito das alegações dos americanos, há um saldo favorável aos Estados Unidos superior a US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos, considerando bens e serviços. “Quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, não eles”, disse.
De acordo com ele, o governo brasileiro optou por responder ao primeiro tarifaço, de agosto de 2025, por meio de negociações e da apresentação de informações técnicas às autoridades americanas. O petista afirmou que entregara ao governo americano documentos relacionados ao comércio bilateral, sustentando que os principais produtos exportados pelos Estados Unidos para o Brasil enfrentam tarifas reduzidas ou inexistentes.
O presidente imitou o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), a quem ele atribuiu a imposição das novas tarifas. “Ele não sabe que não prejudica o Lula. Ele prejudica o povo brasileiro. Prejudica os empresários brasileiros. Prejudica o agronegócio brasileiro”, afirmou.
“Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer, eu não tenho bomba atômica, eu não tenho o poderio militar, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira. É a guerra da narrativa”.
Durante o discurso, o presidente criticou as manifestações públicas de apoio às barreiras comerciais e afirmou que representam uma atuação contrária aos interesses nacionais. Lula afirmou que membros da oposição buscaram apoio de autoridades americanas para pressionar o governo brasileiro durante as negociações comerciais e a disputa eleitoral que se avizinha.
“O que eu quero dizer com isso é que esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. São, na verdade, traidores da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, afirmou.
Na avaliação do presidente, a nova taxa de 25% ocorreu em um momento de diálogo diplomático e foi influenciada, diretamente, pelos interesses eleitorais da família Bolsonaro.
“Aquela fotografia que eles tiraram com o Trump, em que ele aparece sentado e eles em pé, foi fotografia de campanha”, opinou. Em seguida, reforçou o julgamento: “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, entrou para a história como traidor. O que merecem aqueles que vão pedir intervenção de um país estrangeiro no nosso país?”, disse, em referência ao episódio da Conjuração Mineira, que lutava pelo fim do colonialismo português.
Como contraponto ao cenário comercial com os Estados Unidos, o presidente destacou o reconhecimento, por parte da China, da condição sanitária brasileira em relação à febre aftosa, o que amplia o acesso da carne brasileira ao mercado chinês. Segundo ele, a decisão reforça a estratégia do país de diversificar parceiros comerciais e ampliar mercados para seus produtos.
Lula também informou que, em sua reunião de maio na Casa Branca, apresentou ao presidente americano um material sobre minerais críticos e terras raras, destacando o potencial brasileiro nesse segmento. Segundo ele, o Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desses recursos.
“Só para vocês, jovens, entenderem: O Brasil é o segundo país do mundo em reservas de terras raras e minerais críticos. Acontece que o Brasil só tem cerca de 30% do seu território pesquisado. Nós não conhecemos a totalidade das riquezas do nosso território porque apenas uma parte foi estudada”.
O presidente afirmou que o governo criou uma estrutura vinculada à Presidência da República para tratar do tema e defendeu que minerais críticos e terras raras sejam considerados ativos estratégicos para a soberania nacional. Na avaliação dele, o país precisa ampliar sua capacidade de pesquisa, processamento e industrialização desses recursos para agregar valor à produção interna, evitando a exportação de matérias-primas sem beneficiamento.
Ao comentar a visita ao laboratório do instituto, Lula falou sobre o que pode contribuir para o avanço tecnológico brasileiro em um setor atualmente liderado pela China.
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Seguir no Google“A gente exporta milhões de toneladas de minério de ferro por um preço muito baixo e depois compra o produto industrializado por um preço muito mais alto […] Nós vamos transformar os minerais críticos e as terras raras numa questão de soberania nacional. É uma questão de Estado”, afirmou.
O presidente também endereçou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo Lula, apresentou às autoridades americanas documentos e dados sobre pessoas investigadas por crimes financeiros e lavagem de dinheiro que estariam residindo em território americano.
Lula declarou que manifestou disposição do governo brasileiro para ampliar a cooperação internacional nessa área, e pediu a deportação de Ricardo Magro, empresário ligado à Refit e ao escândalo da operação Carbono Oculto.
“Quer combater o tráfico? Quer combater o crime organizado? Comece me entregando os que estão lá. Entregue para nós. Inclusive, aquele cidadão ligado ao esquema da Refit, de quem nós apreendemos 250 milhões de litros de combustível contrabandeado e devolvemos para a Petrobras. Esse cidadão mora em Miami. Esse cidadão está na lista vermelha da Interpol. E, se Deus quiser, a Interpol, que agora tem um brasileiro como secretário-geral, vai prendê-lo”, concluiu.
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