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Operações da PF

Técnicos da Caixa apontaram riscos nas operações do Master antes do parecer emitido pela esposa de Alexandre de Moraes

Publicado 15/07/2026 • 09:46 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Parecer do escritório Barci de Moraes funcionou como carta conforto para o Banco Master.
  • Banco levantou R$ 568,4 milhões de previdências em letras financeiras após o documento.
  • Escritório é da esposa do ministro Alexandre de Moraes e assinado por filha e cunhada dele.
Escritório de mulher de Moraes nega atuação no STF em causa do Banco Master previdências

Reprodução

Master usou parecer do escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes para manter a captação de recursos de previdências

O Banco Master encaminhou a Regimes Próprios de Previdência Social um parecer elaborado pelo escritório de advocacia Barci de Moraes, da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O documento, datado de 30 de julho de 2024, atestava que o banco estava apto a captar recursos de previdências de servidores públicos.

O parecer foi encomendado depois que técnicos da Caixa Asset apontaram inconsistências e riscos nas operações do Master. A avaliação levou alguns RPPS a considerar resgatar investimentos já feitos ou interromper novas aplicações, segundo o ICL Notícias.

Segundo fonte ouvida pelo portal ICL, o parecer teve efeito de carta conforto e permitiu que o banco de Daniel Vorcaro seguisse captando recursos de previdências. Durante julho e agosto de 2024, período de elaboração e divulgação do documento, o Master levantou R$ 568,4 milhões junto a RPPS em letras financeiras, cerca de 25% de todo o volume captado pelo banco com fundos previdenciários.

O parecer foi assinado por três advogadas da banca, entre elas uma filha e uma cunhada do ministro. O documento foi obtido pelo portal Metrópoles e tratava dos riscos envolvidos na captação de recursos por meio de RPPS.

🔍 RPPS Regime Próprio de Previdência Social é o sistema previdenciário destinado a servidores públicos titulares de cargos efetivos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Procurado pela reportagem de Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o escritório Barci de Moraes afirmou que não irá comentar. A Rioprevidência não retornou aos contatos das reportagem.

Vínculo entre banco e escritório da família Moraes

O contrato entre o Master e a banca da família do ministro foi firmado em fevereiro de 2024, no valor de R$ 129 milhões.

O parecer aponta que, até a data da consulta, o Master já havia concluído processos de credenciamento com os municípios do Rio de Janeiro, por meio do Rioprevidência, Maceió, via FUPRE, e Cajamar, pelo IPSSC. O documento também lista riscos do processo de captação e gestão de recursos de RPPS, como conflito de interesse, corrupção e falta de transparência.

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A Maceió Previdência informou ao ICL que os apontamentos dos técnicos da Caixa são posteriores aos investimentos já feitos em papéis do Master, e que não recebeu qualquer informação relacionada ao parecer do escritório. A entidade afirmou ainda que os investimentos respeitaram os quesitos técnicos e que o banco operava de forma regular, autorizado pelo Banco Central, pela CVM e pelo Ministério da Previdência Social.

Reunião coincidiu com acesso a investigação sigilosa

Uma reunião entre o Master e o escritório Barci de Moraes ocorreu em 18 de julho de 2024, mesma data em que Vorcaro teve acesso a uma apuração preliminar aberta pelo Ministério Público Federal sobre o negócio entre o Master e a Caixa Asset. Segundo o parecer, o encontro trouxe novas questões relevantes sobre a atuação do banco na captação desses recursos.

Conforme revelou o blog da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, Vorcaro teve acesso relâmpago à notícia de fato, instaurada apenas dois dias antes pela Procuradoria da República no Distrito Federal. A Caixa Asset chegou a recusar a compra de um lote de letras financeiras do Master avaliado em R$ 500 milhões, sob a justificativa de falta de clareza nos números do banco e alto risco de solvência da instituição.

Uma reportagem anterior do mesmo blog, publicada em 12 de julho de 2024, já havia revelado os apontamentos técnicos da Caixa contra o Master, duas semanas antes do parecer assinado pela banca da família Moraes.

Três funcionários do banco estatal foram demitidos quatro dias após se manifestarem contra o negócio, caso que o Ministério Público do Trabalho apura.

Investigações miram captação de previdências

A Polícia Federal deflagrou ao menos quatro operações voltadas a aplicações suspeitas de recursos de previdências em letras financeiras e fundos de investimento do Master. A maior delas envolveu aportes de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência, com mandados de busca e apreensão em endereços do ex-governador do Rio Cláudio Castro.

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