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PF investiga conexões de Lulinha com esquema de fraudes em compra de medicamentos sem licitação
Publicado 20/08/2026 • 08:26 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/08/2026 • 08:26 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado em investigação da Polícia Federal sobre relações com empresários e possíveis pagamentos de despesas pessoais.
A Polícia Federal (PF) investiga uma tentativa de viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, em uma negociação que envolveu documentos para uma possível contratação sem licitação e o pagamento de R$ 1,5 milhão à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, que atuava na intermediação do negócio.
Entre os materiais apreendidos, os investigadores encontraram termos de referência sobre a compra dos medicamentos e uma mensagem enviada por Roberta a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Um dos documentos mencionava a possibilidade de dispensa de licitação e previa que o negócio fosse fechado com uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela PF como um dos principais operadores das fraudes com descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Leia também: Flávio Dino autoriza abertura de terceiro inquérito contra Lulinha
O termo de referência é o documento que estabelece as condições técnicas de uma contratação pública. A PF apura se a intenção era entregar ao Ministério da Saúde um documento já elaborado para posterior publicação pela pasta.
A contratação não foi realizada.
O Ministério da Saúde afirmou que nunca houve possibilidade de contratar o canabidiol porque o produto não está incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta disse ainda que não compra nem fornece o produto e que não houve, na atual gestão, discussão para sua oferta na rede pública.
Roberta atuou com o Careca do INSS para levar o projeto ao Ministério da Saúde. Segundo informações da investigação divulgadas pelo UOL, ela recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes para trabalhar na viabilização do contrato.
A empresária chegou a ser recebida pelo Ministério da Saúde durante as tratativas, segundo a Folha de S.Paulo, mas a negociação não avançou.
Em mensagens analisadas pela PF, Roberta também teria afirmado que falava em nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, durante negociações relacionadas ao projeto. A investigação identificou ainda conversas em que ela buscava uma comissão de 20% na negociação com o governo federal, segundo a Folha.
A defesa de Lulinha nega a participação dele nos negócios da empresária e afirma que o filho do presidente não mantém relação direta ou indireta com as atividades comerciais desenvolvidas por Roberta.
Marcola confirmou ter recebido de Roberta o documento relacionado à venda de medicamentos, mas afirmou que não encaminhou o material a integrantes do governo e que não houve favorecimento.
A relação financeira entre os dois também aparece nas investigações. A PF encontrou pagamentos feitos por Roberta a Marcola e mensagens relacionadas à compra de joias.
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Siga o Times | CNBCO ex-chefe de gabinete afirmou anteriormente que os recursos recebidos da empresária se referiam a um empréstimo pessoal já quitado. O Times Brasil | CNBC noticiou, em 6 de agosto, que Marcola havia recebido R$ 249 mil de Roberta e negava qualquer ilegalidade na relação entre os dois.
As mensagens fazem parte de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência e possível favorecimento de interesses privados em órgãos federais.
Lulinha já é investigado em outras frentes relacionadas à atuação do Careca do INSS e a suspeitas de tráfico de influência na administração federal. Em 4 de agosto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um terceiro inquérito para apurar a atuação de Lulinha e pessoas próximas a ele em diferentes áreas do governo.
A defesa do empresário nega irregularidades e afirma que ele não recebeu recursos relacionados ao esquema investigado no INSS.
Lulinha esteve pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto entre junho de 2023 e janeiro de 2025, segundo registros obtidos pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
As entradas ocorreram em 15 dias diferentes e somaram 23 horas e 26 minutos. Os registros não indicam os locais visitados dentro do Planalto nem os assuntos tratados.
Não há evidência publicada de que essas visitas tenham relação com a tentativa de venda de medicamentos ao Ministério da Saúde.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que os encontros tiveram caráter privado, sem tratar de assuntos da administração pública e sem produzir desdobramentos administrativos.
Nesta quinta-feira (20), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo que um dos inquéritos envolvendo Lulinha seja enviado à primeira instância da Justiça.
Segundo a Folha, a PGR argumenta que nenhum dos investigados nesse caso possui foro por prerrogativa de função e, por isso, não haveria motivo para que a apuração permanecesse no STF. A decisão caberá ao ministro André Mendonça, relator do inquérito.
A defesa de Lulinha afirma que teve acesso apenas parcial aos autos e sustenta que o material disponível comprova que a mensagem enviada a Marcola não foi encaminhada. Os advogados também dizem que o empresário colocou seus sigilos fiscal e bancário à disposição da Justiça e que podem demonstrar que ele não recebeu dinheiro relacionado às fraudes investigadas no INSS.
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