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Cedro busca parceiros internacionais para porto de R$ 3,6 bilhões em Itaguaí, diz CEO José Carlos Martins
Publicado 17/08/2026 • 20:05 | Atualizado há 60 minutos
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Publicado 17/08/2026 • 20:05 | Atualizado há 60 minutos
KEY POINTS
A Cedro Mineração busca parceiros internacionais e financiamento para avançar com o Porto do Meio, projeto de R$ 3,6 bilhões previsto para Itaguaí, no Rio de Janeiro. A concessão pública já foi obtida e a companhia tem “todas as licenças” necessárias, afirmou José Carlos Martins, CEO e chairman do conselho da empresa.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Martins disse que o projeto entrou na etapa de estruturação financeira. A Cedro conta com uma linha de crédito da Marinha Mercante e procura investidores para participar do empreendimento.
“O projeto já está pronto, nós já temos basicamente todas as licenças, a concessão pública já foi concedida à Cedro e agora nós estamos no processo de levantar os financiamentos”, afirmou.
Segundo o executivo, a decisão de investir em capacidade portuária parte da expectativa de que o país poderá enfrentar restrições de infraestrutura para o escoamento de minério nos próximos anos.
“Ele é fruto da nossa avaliação de que deverá faltar portos no Brasil nos próximos anos. E, logicamente, como a gente pretende produzir mais minério, a gente precisa que no futuro tenha essa condição adicional”, disse.
Chamado de Porto do Meio por estar localizado entre estruturas portuárias da CSN e da Vale, o empreendimento é uma das principais apostas logísticas da mineradora para sustentar o crescimento da produção.
A Cedro também tem um projeto ferroviário de curta distância em Minas Gerais, estimado em aproximadamente R$ 2 bilhões.
A proposta é substituir parte do transporte rodoviário usado por mineradoras de pequeno e médio porte para levar a produção até a malha ferroviária.
Segundo Martins, quase mil carretas circulam diariamente na região atendida pelo projeto. Para o executivo, além do ganho logístico, a ferrovia permitiria reduzir emissões, desgaste das rodovias e exposição a acidentes.
“Nós da Cedro olhamos isso como uma oportunidade de negócio e também uma oportunidade para ajudar nesse processo de descarbonização e de aumento de segurança na região”, disse.
O projeto não atende diretamente às minas da própria Cedro. A estratégia é criar uma ligação para que produtores da região possam transportar o minério até a malha da MRS, que faria posteriormente o escoamento para exportação.
“É um projeto que hoje nós estamos olhando o mercado”, afirmou Martins, acrescentando que a iniciativa tem sido bem recebida por empresas que operam na região e pela própria MRS.
Somados, o porto e a ferrovia representam projetos de infraestrutura próximos de R$ 5,6 bilhões, embora estejam em estágios diferentes de desenvolvimento e dependam de financiamento, parceiros e demais etapas necessárias à execução.
Outro projeto destacado pelo executivo é o desenvolvimento de uma mina em Mariana, em Minas Gerais, a partir de uma parceria entre Cedro e Vale.
Segundo Martins, a Cedro possui uma mina na região e a Vale detinha recursos minerais em uma área vizinha. As empresas chegaram a um entendimento para integrar esses recursos, com a Cedro responsável pela operação.
Toda a produção prevista será destinada à Vale.
O projeto já foi desenvolvido e aprovado na maior parte das instâncias, mas ainda depende de questões ambientais.
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Siga o Times | CNBCA expectativa da Cedro é iniciar a construção até o fim deste ano. “Em dois anos e meio, três, nós devemos entregar o primeiro minério à Vale, que depois vai comercializar isso no mercado internacional”, disse.
Martins afirmou que a estratégia da companhia também passa pela produção de minério com características que ajudem a siderurgia a reduzir emissões de carbono.
“A base da nossa estratégia é produzir minério verde, minérios que, quando usados pela siderurgia, ajudam a siderurgia a reduzir o índice de emissão de carbono”, disse.
Segundo o executivo, esse diferencial é particularmente importante para o Brasil diante da distância dos principais mercados consumidores.
Martins afirmou que cerca de 70% do consumo mundial de minério está concentrado na Ásia, principalmente em países como China, Japão, Coreia e Taiwan. Nesse mercado, produtores brasileiros enfrentam uma desvantagem logística em relação à Austrália.
“A distância marítima é quase três vezes maior do Brasil em relação à Austrália. Então, para competir, nós temos que produzir o minério aqui muito mais eficiente e ter uma vantagem competitiva em relação à Austrália, que, no caso, é a qualidade”, afirmou.
A Cedro também aposta no avanço da chamada “Miineração 4.0” para elevar produtividade, segurança e eficiência ambiental.
Martins citou o uso de redes 5G, drones, inteligência artificial, robótica e integração de equipamentos nas operações.
“A mineração hoje está sintonizada com tudo que está acontecendo no mundo. E a ‘mineração 4.0’ veio ao Brasil para ficar, justamente para auxiliar o Brasil a aumentar sua competitividade a nível internacional”, afirmou.
Na segurança operacional, o executivo destacou o uso de automação e robótica para reduzir a presença de trabalhadores em atividades de maior risco.
“Mais do que preparar o homem para o risco, você tem que reduzir o risco”, disse.
Para Martins, a inteligência artificial também deverá ganhar espaço na simulação e otimização de processos produtivos dentro das minas.
O executivo afirmou ainda que a competitividade do minério brasileiro depende cada vez mais da capacidade de beneficiamento.
Segundo Martins, parte relevante do minério encontrado atualmente em Minas Gerais possui teor mais baixo e contaminantes que impedem seu uso direto na siderurgia, mas o processamento permite elevar significativamente sua qualidade.
“Mais do que mineração, é uma industrialização”, afirmou.
Para ele, a aplicação de tecnologia no beneficiamento permite ao Brasil transformar um minério originalmente de menor qualidade em um produto de maior valor agregado.
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