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Presidentes do BC e do TCU vão se reunir para discutir liquidação do Banco Master
Publicado 09/01/2026 • 19:50 | Atualizado há 10 horas
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Publicado 09/01/2026 • 19:50 | Atualizado há 10 horas
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, durante palestra de abertura da sexta edição do LIFT Day, em Brasília.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e diretores da autarquia se reúnem na próxima segunda-feira (12), às 14h, com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, em meio à escalada institucional envolvendo a liquidação do Banco Master. A informação foi confirmada pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Participam do encontro os diretores do BC Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação) e Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta). A reunião ocorre após semanas de embates públicos e jurídicos entre o Banco Central e o TCU, desencadeados por uma tentativa de inspeção da Corte de Contas sobre os procedimentos que levaram à liquidação da instituição financeira.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, após identificar irregularidades graves na gestão da instituição. A medida coincidiu com a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apurava a suposta emissão de títulos de crédito falsos e outros crimes financeiros. O dono do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso, mas foi liberado dias depois.
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Segundo o BC, a decisão foi tomada após a rejeição de uma proposta de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e diante da constatação de práticas de gestão fraudulenta, com desvio estimado de R$ 11,5 bilhões por meio de uma estrutura de fundos e empresas interpostas.
No início de janeiro, o ministro do TCU Jhonatan de Jesus autorizou, de forma monocrática, a realização de uma inspeção técnica no Banco Central para apurar se a autoridade monetária teria agido de forma tempestiva, se alertas prudenciais foram emitidos e se alternativas privadas foram devidamente avaliadas antes da liquidação.
O Banco Central reagiu à iniciativa apresentando embargos, argumentando que o regimento interno do tribunal exige deliberação colegiada para autorizar esse tipo de fiscalização. A movimentação gerou forte repercussão no mercado financeiro e críticas sobre possível interferência institucional.
Diante da reação, o próprio relator decidiu suspender a inspeção e levar o tema ao plenário do TCU. Em despacho, reconheceu que o caso havia assumido “contornos desproporcionais” e passou a ser tratado como um tema de maior sensibilidade institucional.
Vital do Rêgo afirmou que a suspensão buscou reduzir o tensionamento entre o tribunal, o Banco Central e o mercado. O presidente do TCU também reiterou publicamente que não cabe à Corte reverter a liquidação do Banco Master, mas sim fiscalizar a legalidade dos atos praticados pelo BC, preservando a autonomia da autoridade monetária.
Segundo Vital do Rêgo, a reunião de segunda-feira tem como objetivo construir um modelo de atuação que concilie o papel fiscalizador do tribunal com a independência do Banco Central. “Semana que vem eu vou estar com o Galípolo pra criar um modelo em que a nossa interrogativa de fiscalização esteja sendo cumprida, e a autonomia do banco esteja preservada, porque o banco tem autonomia sobre todo o mercado financeiro”, afirmou em entrevista a uma emissora de TV.
O caso também ganhou desdobramentos fora do país. Na última quinta-feira (8), a Justiça dos Estados Unidos reconheceu a liquidação brasileira do Banco Master como “processo estrangeiro principal” e determinou o bloqueio de ativos da instituição e de suas controladas em território americano. O juiz Scott M. Grossman rejeitou pedidos da defesa do controlador que apontavam possibilidade de reversão da liquidação no Brasil.
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No âmbito doméstico, o Supremo Tribunal Federal determinou sigilo absoluto sobre inquéritos relacionados ao caso e autorizou diligências adicionais, incluindo acareações entre envolvidos no processo.
O processo no TCU deve ser analisado pelo plenário após o recesso do Judiciário, com expectativa de julgamento ainda em janeiro. A reunião entre as cúpulas do Banco Central e do tribunal é vista como uma tentativa de reduzir ruídos institucionais e alinhar procedimentos antes da deliberação colegiada.
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