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Procuradoria pede bloqueio de fundos ligados ao Master por rombo de R$ 640 mi no Rioprevidência

Publicado 17/07/2026 • 16:34 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Dois fundos ligados à Master Corretora receberam R$ 641,4 milhões do RioPrevidência.
  • Em um dos casos, aporte de R$ 150 milhões teria caído para R$ 14,8 milhões.
  • Procuradoria pede bloqueio de bens, imóveis, veículos, ações e criptomoedas dos responsáveis.

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro pediu à Justiça o bloqueio de bens de três gestoras ligadas à Master Corretora, braço de investimentos do conglomerado fundado por Daniel Vorcaro.

As medidas envolvem dois fundos que receberam R$ 641,4 milhões em aportes do RioPrevidência. Segundo a Procuradoria, os investimentos foram comprometidos após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025.

O fundo previdenciário fluminense é investigado pela Polícia Federal na Operação Barco de Papel, que apura se sua cúpula realizou investimentos considerados temerários em ativos ligados ao Master.

De acordo com a PF, os aportes somam R$ 970 milhões. O RioPrevidência nega irregularidades.

Um grupo de nove procuradores ajuizou três ações relacionadas aos fundos Revolution e Texas I FIA. Nas petições, a Procuradoria afirma que as perdas “alcançam patamares alarmantes”.

Leia também: Estado do Rio entra com ações para recuperar R$ 616 milhões do Rioprevidência geridos pelo Master

Fundo Revolution recebeu R$ 481,4 milhões

O RioPrevidência aplicou R$ 481,4 milhões no fundo Revolution. Segundo a Procuradoria, o patrimônio atual do veículo é estimado em R$ 567,8 milhões.

A carteira, no entanto, permanece sob sigilo e seria composta principalmente por ativos de crédito privado com remuneração de até 180% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Para os procuradores, a taxa é “economicamente anômala”.

A Procuradoria solicitou uma medida cautelar para impedir que empresas remanescentes do grupo Master dificultem o resgate dos recursos pelo RioPrevidência, previsto para 17 de agosto.

A ação também pede o arresto de bens da gestora Acura Capital e de seus diretores, Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra. O objetivo é preservar patrimônio para uma eventual responsabilização e ressarcimento das perdas.

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Entre os ativos que a Procuradoria pretende bloquear estão imóveis, veículos, ações, marcas, embarcações, aeronaves e criptomoedas.

Aporte de R$ 150 milhões teria caído para R$ 14,8 milhões

No fundo Texas I FIA, o RioPrevidência investiu R$ 150 milhões. Segundo a Procuradoria, o valor recuou para R$ 14,8 milhões, o que representa uma desvalorização superior a 90% em menos de um ano.

“O RioPrevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração e pela gestão do Texas I FIA, que vendeu ao ente público quotas de um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento”, afirma a petição.

De acordo com os procuradores, o fundo concentrou 96% de sua carteira em ações da Ambipar e manteve a exposição mesmo após controvérsias regulatórias envolvendo a companhia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Nesse caso, a ação pede a indisponibilidade de bens da gestora Axor, da Trustee DTVM e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues.

Leia também: Rioprevidência expõe falha de governança em aportes no Banco Master

Procuradoria cita possível inflação artificial de ações

Segundo a Procuradoria, entre julho e agosto de 2024, a Trustee DTVM teria comprado grande volume de ações por meio de fundos, elevando artificialmente os preços dos papéis.

A instituição também foi citada na Operação Carbono Oculto, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

A terceira medida ajuizada pela Procuradoria é uma ação de exibição de documentos. O objetivo é obter informações e registros para aprofundar a análise sobre a estrutura dos investimentos, a gestão dos fundos e possíveis irregularidades nas operações.

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