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Reag e Banco Master: por que a gestora passou a ser investigada pela Polícia Federal?

Publicado 15/01/2026 • 16:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Caso da Reag Trust DTVM, o BC informou que detectou violações graves às regras que disciplinam o funcionamento de instituições financeiras.
  • A decisão ocorre no momento em que autoridades tentam esclarecer uma série de operações financeiras.
  • Com a liquidação extrajudicial, a Reag Trust DTVM entra em processo de encerramento definitivo.
Fachada Reag

Foto: Miguel Schincariol / AFP

Reag e Banco Master: por que a gestora passou a ser investigada pela Polícia Federal

O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15), a liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM, antiga CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, em um desdobramento direto das investigações que envolvem o Banco Master.

A medida, anunciada após a identificação de violações graves às normas do Sistema Financeiro Nacional, encerra a atuação da instituição no mercado e aprofunda a crise que colocou a gestora no centro de apurações da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do próprio regulador.

Leia também: Reag vende três subsidiárias e acelera reorganização após Operação Carbono Oculto

A decisão ocorre no momento em que autoridades tentam esclarecer uma série de operações financeiras consideradas atípicas, envolvendo:

  • Fundos administrados pela Reag;
  • Empréstimos de grande volume concedidos pelo Banco Master; e
  • Uma sequência de transferências relâmpago que resultaram em uma rentabilidade classificada como extraordinária e sem base econômica clara.

O que motivou a liquidação extrajudicial?

A liquidação extrajudicial é um dos instrumentos mais severos à disposição do Banco Central. Ela é aplicada quando o regulador conclui que não há condições de recuperação da instituição ou que as irregularidades identificadas são incompatíveis com a continuidade das operações.

No caso da Reag Trust DTVM, o BC informou que detectou violações graves às regras que disciplinam o funcionamento de instituições financeiras e do mercado de capitais.

Fachada do Banco Central
Fotos: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Embora não tenha detalhado publicamente quais infrações foram apuradas, a autarquia considerou que o conjunto de problemas inviabilizava a permanência da distribuidora no Sistema Financeiro Nacional.

Com a medida, a empresa deixa de operar, um liquidante externo assume a condução do processo e os bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis, para evitar qualquer alteração patrimonial enquanto são apuradas responsabilidades administrativas, civis e eventualmente criminais.

Por que a gestora passou a ser investigada pela PF?

A investigação ganhou corpo a partir da Operação Compliance Zero, que tem o Banco Master como principal alvo. O banco foi liquidado no fim do ano passado, sendo acusado de estruturar carteiras fictícias de crédito para inflar artificialmente seu patrimônio.

Nesse contexto, a Reag passou a ser observada como peça relevante do quebra-cabeça. Um dos focos é a relação entre o banco e fundos administrados pela gestora, especialmente em operações realizadas em abril de 2024, conforme divulgado pelo Times Brasil -Licenciado Exclusivo CNBC.

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À época, um fundo recém-criado sob gestão da Reag recebeu um aporte de R$ 450 milhões apenas 20 dias após seu registro.

Dois dias antes, a empresa cotista havia contratado um empréstimo de valor praticamente idêntico junto ao Banco Master, apesar de ter capital social de pouco mais de R$ 2 milhões.

O fluxo de recursos que acendeu alertas

O dinheiro não permaneceu no fundo que recebeu o aporte, e cerca de uma hora e meia, os recursos foram transferidos integralmente para outro fundo da mesma gestora e, minutos depois, repassados a um terceiro veículo financeiro.

Segundo as apurações, essa sequência de transferências rápidas culminou na compra e reavaliação de ativos de baixa liquidez, ligados a papéis do extinto Banco do Estado de Santa Catarina. Após a reprecificação, esses ativos passaram a ser contabilizados por valores bilionários.

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O efeito contábil foi a geração de uma rentabilidade de aproximadamente 2.300% em um único ano, para investigadores, a discrepância entre o retorno registrado e parâmetros de mercado levantou a suspeita de que o ganho não refletia valorização econômica real, mas sim uma distorção de preços produzida por operações em camadas.

Suspeita de ciclo fechado de dinheiro

Outro ponto central da investigação é o destino final dos recursos, as autoridades apuram se, após circular por fundos administrados pela Reag, o dinheiro teria retornado ao Banco Master por meio da compra de Certificados de Depósito Bancário, principal instrumento de captação dos bancos.

Se confirmada, a dinâmica caracterizaria um ciclo fechado, no qual os recursos saem do banco como crédito, transitam por fundos e voltam à própria instituição como captação.

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Esse desenho reforça a hipótese de que as operações tinham menos relação com investimento e mais com a sustentação artificial de resultados e liquidez.

O papel da PF e do MPF

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam se houve uso deliberado de fundos de investimento para inflar ativos, gerar rentabilidade extraordinária e mascarar a real situação financeira do Banco Master.

As diligências incluem mandados de busca e apreensão em diferentes estados e envolvem empresários ligados tanto ao banco quanto à gestora.

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Foto: Comunicação Social da PF em São Paulo

A Reag também aparece citada em outras investigações, como a Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e em estruturas financeiras. Segundo o Banco Central, ao menos seis fundos de investimento são analisados nesse conjunto de apurações.

Quem é a instituição atingida?

A Reag é um grupo financeiro independente fundado por João Carlos Falbo Mansur e estruturado para atuar em diferentes frentes do mercado de capitais, como gestão e administração de recursos, distribuição de títulos e valores mobiliários, estruturação de fundos e serviços fiduciários.

João Carlos Mansur
Foto: Divulgação
João Carlos Mansur, presidente da Reag Investimentos

Ao longo da última década, o grupo obteve autorizações da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central para operar como gestora, administradora e distribuidora, ampliando sua presença entre investidores institucionais e de alta renda.

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A CBSF DTVM, atual Reag Trust, tem sede na região da Faria Lima, em São Paulo, e atua como distribuidora de títulos e valores mobiliários.

Conforme o Banco Central, a empresa está enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, reservado a instituições de pequeno porte e sem relevância sistêmica.

Esse enquadramento, no entanto, não diminui a gravidade das infrações identificadas, segundo o regulador. Para o BC, o impacto potencial não se mede apenas pelo tamanho da instituição, mas pelo desrespeito às regras e pelos riscos ao funcionamento regular do mercado.

O que muda a partir de agora?

Com a liquidação extrajudicial, a Reag Trust DTVM entra em processo de encerramento definitivo, e o liquidante será responsável por levantar ativos e passivos, apurar obrigações e conduzir o fechamento conforme a legislação.

Paralelamente, o Banco Central informou que seguirá aprofundando a apuração dos fatos e poderá aplicar novas sanções administrativas ou encaminhar informações a outras autoridades.

A investigação sobre a relação entre a Reag e o Banco Master segue em curso e deve continuar produzindo desdobramentos nos próximos meses.

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