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Reciprocidade pode pressionar EUA, mas retaliação forte pode elevar risco de guerra comercial, avalia economista

Publicado 14/08/2026 • 14:20 | Atualizado há 23 minutos

KEY POINTS

  • A reciprocidade comercial pode ser usada pelo Brasil como instrumento de pressão para acelerar negociações com os Estados Unidos.
  • Uma retaliação mais forte pode elevar o risco de escalada tarifária e prejudicar exportadores brasileiros.
  • A incerteza sobre novas tarifas pode levar importadores americanos a buscar fornecedores de outros países.

O início das consultas do governo brasileiro para uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos pode funcionar como instrumento de pressão para acelerar uma negociação, mas uma retaliação mais forte aumentaria o risco de escalada tarifária e de perdas para exportadores brasileiros. A avaliação é de Igor Lucena, economista e doutor em Relações Internacionais, em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo Lucena, o Brasil pode responder às tarifas americanas com medidas sobre produtos semelhantes ou atingir setores considerados sensíveis para os Estados Unidos. O efeito, porém, dependerá da intensidade de uma eventual resposta brasileira e da reação de Washington.

“Se isso for colocado como uma espécie de pressão para o governo norte-americano vir a negociar de uma maneira mais rápida, eu acho que isso é válido”, afirmou.

Para o economista, medidas mais duras poderiam levar os Estados Unidos a ampliar tarifas sobre produtos brasileiros ou criar novas barreiras ao comércio entre os dois países.

Dose da resposta será decisiva

Lucena considera que, neste momento, o principal fator de incerteza é a calibragem de uma eventual retaliação.

“O efeito que nós vamos ter que esperar agora é a dose: que tipo de retaliação, como vai ser e quando vai ser”, disse.

Na avaliação dele, uma escalada poderia reduzir ainda mais as exportações brasileiras para o mercado americano, com efeitos especialmente relevantes para empresas que dependem desse fluxo comercial.

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Empresas enfrentam incerteza

Um dos principais riscos para as empresas, segundo Lucena, é a dificuldade de prever qual tarifa estará em vigor quando uma mercadoria chegar ao destino.

Produtos embarcados hoje podem levar meses para chegar aos Estados Unidos e, nesse intervalo, ficar sujeitos a uma alíquota diferente daquela considerada no fechamento da operação.

Essa incerteza dificulta o planejamento de exportadores brasileiros e importadores americanos e, na avaliação do economista, pode alterar decisões de compra.

“Isso pode fazer com que muitos importadores americanos comecem a procurar outros fornecedores que não sejam brasileiros”, afirmou.

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Tarifas podem elevar custos

Lucena também avalia que uma eventual taxação de produtos americanos pelo Brasil pode aumentar custos para empresas e consumidores no país.

Segundo ele, esse movimento poderia gerar pressão inflacionária e dificultar uma eventual trajetória de redução dos juros pelo Banco Central.

O impacto dependeria da extensão das medidas adotadas e dos produtos atingidos.

Relação bilateral se deteriora

No campo político, Lucena avalia que a disputa comercial ocorre enquanto as relações entre Brasil e Estados Unidos atravessam um período de maior tensão.

“As relações entre Brasil e os Estados Unidos descem agora para um patamar ainda mais baixo do que já estava”, afirmou.

Para o economista, o calendário eleitoral brasileiro também influencia a postura do governo federal. Ele considera que uma posição mais firme diante de Washington pode ser usada internamente como demonstração de defesa dos interesses nacionais.

Lucena diferencia, porém, a frente comercial da questão diplomática envolvendo os embaixadores dos dois países. Segundo ele, são esferas distintas, e um avanço diplomático não significa necessariamente uma solução para o conflito tarifário.

Negociação precisa preservar interesses

Para Lucena, o Brasil precisa entender quais temas são prioritários para Washington e usar esse conhecimento para construir propostas que também preservem seus próprios interesses.

Ele cita setores estratégicos, como terras raras, nos quais o país poderia negociar condições consideradas atrativas pelos Estados Unidos em troca de contrapartidas mais vantajosas para o Brasil.

Na avaliação do economista, isso não significa abrir integralmente o mercado brasileiro, mas identificar pontos em que os interesses dos dois países possam convergir e reduzir o risco de uma escalada comercial.

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