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Sucessão de Tim Cook: John Ternus assume comando da Apple com IA e futuro do iPhone entre principais desafios
Publicado 01/09/2026 • 08:26 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 01/09/2026 • 08:26 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
Foto: Apple Insider
John Ternus assume Apple: quem é o novo CEO escolhido para suceder Tim Cook
A Apple inicia uma nova fase nesta terça-feira (1º). John Ternus assume o cargo de CEO após 15 anos de gestão de Tim Cook, em uma troca de comando que coloca um engenheiro de hardware à frente da companhia em um momento de pressão por avanços em inteligência artificial (IA) e por uma nova geração de produtos.
A troca de comando encerra um dos capítulos mais importantes da história da “maçã”. Desde a entrada de Cook, a empresa diversificou seus negócios e consolidou uma cadeia global de produção de grande escala.
Ternus recebe uma empresa que, apesar de consolidada e respeitada no mercado de tecnologia, enfrenta uma série de questionamentos sobre sua capacidade de acompanhar outras gigantes do segmento, especialmente quando se trata de IA. A companhia ainda enfrenta desafios regulatórios, comerciais e industriais.
No curto prazo, o novo CEO também terá de administrar um dos ciclos de produtos mais importantes da companhia, que inclui o desenvolvimento do iPhone 18 e a aguardada entrada da Apple no segmento de smartphones dobráveis, que atualmente é dominado por empresas asiáticas.
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Cook chegou ao posto de CEO em 2011, sucedendo Steve Jobs. Antes disso, ele se destacou pela gestão das operações e da cadeia de suprimentos, área que se tornaria um dos pilares de sua administração.
Durante seus 15 anos no cargo, a receita anual da companhia passou de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para US$ 416 bilhões em 2025. O valor de mercado da Apple saltou de US$ 350 bilhões em agosto de 2011 para aproximadamente US$ 4,67 trilhões.
O período também foi marcado pela expansão do portfólio para além dos computadores e smartphones.
Sob Cook, a empresa lançou produtos como Apple Watch e AirPods e realizou a transição dos computadores Mac dos processadores da Intel para chips desenvolvidos pela própria Apple. Outra mudança relevante ocorreu no perfil das receitas: a divisão de Serviços cresceu e passou a movimentar mais de US$ 100 bilhões por ano.
Cook deixa a função de CEO, mas permanece na estrutura de comando como presidente executivo, com atenção maior a questões institucionais e políticas globais.

Aos 51 anos, John Ternus chega ao principal cargo executivo depois de construir praticamente toda a sua trajetória recente dentro da Apple. Formado em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia, ele trabalhou anteriormente na Virtual Research Systems e entrou na Apple em 2001.
Ternus avançou na hierarquia até assumir a vice-presidência sênior de engenharia de hardware, passando a responder diretamente a Cook. Nessa posição, ficou responsável pelas equipes envolvidas no desenvolvimento dos principais aparelhos da companhia, incluindo o iPhone, produto que ainda representa a maior fonte individual de receita da Apple.
Sua atuação também esteve relacionada a iniciativas para ampliar a durabilidade e a resistência dos dispositivos, além de mudanças de engenharia destinadas a reduzir o impacto ambiental da produção.
A escolha de Ternus reforça a tradição da Apple de promover executivos que já conhecem profundamente sua estrutura. Por outro lado, coloca um especialista em hardware no comando justamente quando parte importante das dúvidas sobre o futuro da empresa está concentrada em software e inteligência artificial.
A Apple passou os últimos anos tentando transformar inteligência artificial em um novo eixo de seus produtos. O avanço, porém, foi acompanhado por dificuldades, principalmente na implementação de recursos mais sofisticados na assistente Siri.
Funções anunciadas para a assistente virtual sofreram adiamentos, enquanto concorrentes aceleraram a integração de modelos generativos em seus serviços e sistemas operacionais. A situação provocou mudanças na liderança da área de IA.
A companhia também passou a recorrer a parcerias e modelos desenvolvidos externamente para acelerar sua estratégia. Esse movimento representa uma mudança relevante para uma empresa, que nos últimos anos tem se esforçado para controlar tanto o hardware quanto as principais tecnologias de seus produtos.
Para Ternus, portanto, a questão não será apenas colocar novas funções de IA nos aparelhos. O desafio envolve transformar o Apple Intelligence, o ecossistema de inteligência artificial da companhia, em uma plataforma capaz de gerar utilidade para o usuário e, ao mesmo tempo, recuperar a percepção de que a empresa consegue acompanhar a velocidade de desenvolvimento do setor.
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Siga o Times | CNBCApesar da pressão em software, os próximos anos também exigirão decisões importantes justamente na especialidade de Ternus.
O iPhone continua sendo central para os negócios da Apple, mas opera em um mercado de smartphones mais maduro, no qual grandes mudanças entre gerações se tornaram menos frequentes. Além disso, consumidores, investidores e especialistas em tecnologia compartilham a opinião de que a empresa tem inovado pouco em seus produtos.
2027 marca o aniversário de 20 anos do iPhone, carro-chefe da marca, o que aumenta a expectativa por atualizações mais relevantes na linha.
Neste ano, o ciclo do iPhone 18 será acompanhado como um dos primeiros testes da capacidade do novo CEO de promover alterações relevantes sem comprometer um produto responsável por uma parcela expressiva das receitas.
Outro projeto importante é o iPhone dobrável. A entrada nesse segmento ampliaria a linha para um formato já explorado por fabricantes concorrentes e exigirá da Apple decisões sobre design, resistência, autonomia de bateria, software e preço.
Para Ternus, o lançamento terá peso adicional por sua trajetória na engenharia. Um dobrável bem-sucedido poderia abrir uma nova faixa de produtos dentro do negócio mais importante da companhia. Problemas de execução, por outro lado, teriam impacto direto sobre uma gestão comandada por um executivo associado justamente ao desenvolvimento de hardware.
O novo CEO recebe ainda uma companhia que passou por revisões importantes de prioridades. Um dos casos mais importantes foi o encerramento do “Project Titan”, projeto de veículo elétrico e autônomo desenvolvido durante aproximadamente uma década.
Cancelado em 2024, o programa atravessou sucessivas mudanças de direção. Em diferentes momentos, a Apple avaliou produzir um automóvel completo ou concentrar esforços em sistemas de direção autônoma. As dificuldades tecnológicas, os custos elevados e as características econômicas da indústria automobilística reduziram a atratividade do projeto.
Parte dos profissionais envolvidos foi posteriormente direcionada para iniciativas de inteligência artificial.
Outra herança da gestão Cook é a complexa relação da Apple com a China. A empresa construiu durante décadas uma extensa cadeia de fornecedores e produção no país, embora tenha ampliado gradualmente operações em mercados como Índia e Vietnã.
Ternus terá de continuar essa diversificação sem provocar rupturas na fabricação de produtos vendidos globalmente. A tarefa envolve custos, capacidade industrial e relações comerciais entre Estados Unidos e China.
É importante destacar também que a pressão política em Washington adiciona outra camada ao problema. Decisões sobre onde fabricar dispositivos, quais fornecedores utilizar e quanto investir nos Estados Unidos passaram a ter repercussões que vão muito além da eficiência operacional.
Leia também: Apple prepara evento em setembro com novidades que podem mudar a linha iPhone 18 Pro
A sucessão também deixa uma questão em aberto sobre o estilo de liderança de Ternus. Como responsável pela engenharia de hardware, sua atuação esteve concentrada em produtos e equipes técnicas. O cargo de CEO amplia consideravelmente esse escopo.
Além de definir produtos, ele terá de lidar com investidores, governos, órgãos reguladores, aquisições, serviços digitais, inteligência artificial e uma cadeia de fornecedores distribuída por vários países.
A manutenção de Cook como presidente executivo pode ajudar a preservar continuidade institucional durante a transição. Ainda assim, caberá a Ternus definir as prioridades da nova administração.
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