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Caso Master: servidor do BC teria cobrado propina de R$ 500 mil de grupo ligado a Vorcaro, aponta PF
Publicado 01/09/2026 • 08:06 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 01/09/2026 • 08:06 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Daniel Vorcaro/Arquivo pessoal
A Polícia Federal identificou indícios de que Belline Santana, servidor do Banco Central, teria cobrado R$ 500 mil do grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro poucos dias depois de encaminhar ao Ministério Público Federal informações sobre suspeitas de irregularidades no Banco Master.
A apuração policial classifica os repasses investigados como propina.
As suspeitas fazem parte da investigação sobre o Banco Master e aparecem em documentos, mensagens e registros financeiros analisados pela PF. A defesa de Santana nega qualquer atuação ilícita. Vorcaro também rejeita a acusação de corrupção envolvendo funcionários do Banco Central.
Em julho de 2025, Santana ocupava a chefia do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC. No dia 15 daquele mês, ele encaminhou ao MPF, após aval da área jurídica da autarquia, um documento que reunia suspeitas de irregularidades relacionadas a operações do Banco Master.
Segundo o UOL, o material apontava problemas na aquisição e transferência de créditos, além de possíveis inconsistências contábeis. Entre as operações analisadas estava a venda de carteiras do Master ao Banco de Brasília (BRB), em negócio de R$ 12 bilhões.
Leia também: Caso Master: denúncia aponta supostas regalias a Daniel Vorcaro durante prisão na Papudinha
Uma semana após o envio das informações ao Ministério Público, Santana voltou a aparecer em mensagens trocadas entre Vorcaro e o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, apontado na investigação como possível operador financeiro do grupo.
Na conversa de 22 de julho de 2025, Zettel informou a Vorcaro que Belline estava cobrando um pagamento e perguntou se deveria efetuá-lo. O banqueiro autorizou e quis saber qual estrutura vinha sendo usada para realizar a transferência.
Segundo a interpretação da PF, as mensagens indicam um caminho indireto para o dinheiro. Os recursos passariam pela Super Empreendimentos e Participações e, posteriormente, pela Varajo Consultoria, ligada a Leonardo Palhares, antes de chegar ao servidor.
Os investigadores sustentam que essa estrutura teria sido utilizada para dificultar a identificação da origem e do destino final dos recursos.
Uma planilha localizada no celular de Vorcaro reforçou as suspeitas. O arquivo, destinado ao controle de despesas mensais, previa um pagamento de R$ 500 mil relacionado a Santana. A investigação, contudo, ainda não estabeleceu quanto teria sido efetivamente repassado ao servidor ao longo de todo o período analisado.
Leia também: Em depoimento à PF, Vorcaro diz que “poderia falar muito mais” em delação premiada
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Siga o Times | CNBCA investigação indica que os supostos pagamentos teriam começado em outubro de 2023. Conversas daquele período mostram Vorcaro e Zettel discutindo como realizar os primeiros repasses.
Em uma das mensagens, Zettel avisou que seria necessário fazer o primeiro pagamento relacionado a Belline. Vorcaro autorizou a operação, mas orientou que o dinheiro fosse inicialmente desembolsado por Leonardo Palhares, com posterior ressarcimento.
Dois meses depois, novas conversas registraram divergências entre Vorcaro e Zettel sobre a movimentação dos valores. O banqueiro demonstrou preocupação com a possibilidade de recursos do próprio Banco Master, ainda que transferidos de forma indireta, serem usados no pagamento.
A partir desse conjunto de mensagens e registros financeiros, a PF afirma ter identificado indícios de uma estrutura que simulava contratos ou prestação de serviços para viabilizar pagamentos ao servidor público. Essa é, até o momento, uma conclusão dos investigadores e é contestada pelas defesas.
Outro ponto apurado pela Polícia Federal envolve consultas realizadas a sistemas internos de órgãos públicos poucas horas depois das mensagens sobre a cobrança atribuída a Santana.
Na noite de 22 de julho de 2025, investigadores identificaram o uso das credenciais de um servidor do Ministério Público Federal para pesquisar procedimentos relacionados a Vorcaro. A PF trabalha com diferentes hipóteses para explicar o acesso, entre elas a possibilidade de as credenciais terem sido comprometidas.
De acordo com a investigação, uma das consultas alcançou o procedimento que posteriormente deu origem à Operação Compliance Zero, responsável pela primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Para os investigadores, os registros indicam que pessoas ligadas ao banqueiro tentavam descobrir antecipadamente quais apurações sigilosas estavam em andamento. A PF também investiga se as buscas ocorreram após um eventual vazamento de informações sobre as comunicações feitas pelo Banco Central.
Não há, porém, conclusão definitiva apresentada no material sobre a origem desse possível vazamento.
Leia também: Quem é Mansur, ex-dono da Reag que mira Daniel Vorcaro em delação
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