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Tarifaço: EUA voltaram à mesa de negociação sem concessão do Brasil, diz ministro Márcio Elias Rosa
Publicado 31/08/2026 • 19:30 | Atualizado há 56 minutos
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Publicado 31/08/2026 • 19:30 | Atualizado há 56 minutos
KEY POINTS
Os Estados Unidos retomaram as negociações comerciais com o Brasil sem que o governo brasileiro tivesse feito uma concessão prévia, afirmou Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), após uma nova rodada de conversas sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros.
“Sem que nós tenhamos oferecido algo, eles voltaram para a negociação”, disse Rosa em coletiva de imprensa.
Segundo ele, a retomada do diálogo ocorreu após a conversa direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Rosa afirmou que a delegação americana informou ter recebido orientação de Trump para trabalhar por um acordo com o Brasil.
“O presidente Trump orientou e ordenou que dialogássemos por um acordo”, afirmou.
Leia também: Tarifaço: Brasil e EUA retomam na tarde desta 2ª feira nova fase de negociações comerciais com governo Trump
O governo brasileiro voltou a rejeitar as medidas impostas pelos Estados Unidos.
“O Brasil não aceita as tarifas que foram impostas em julho último. Elas são indevidas, elas são injustas, elas são descabidas”, afirmou Rosa.
Segundo ele, o Brasil reapresentou argumentos usados para contestar a política tarifária americana, incluindo dados sobre desmatamento e pontos relacionados à investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301.
Rosa citou redução do desmatamento em diferentes biomas brasileiros e afirmou que esses dados foram apresentados durante a reunião.
O representante do MDIC também disse que o Brasil não aceita discutir alterações no funcionamento do Pix.
“O Pix é um patrimônio do Brasil, mais de 80% dos brasileiros utilizam. Não há possibilidade de negociarmos o funcionamento do Pix”, afirmou.
Rosa afirmou que as negociações agora partem de uma situação diferente da existente antes da aplicação das tarifas.
Segundo ele, até julho as conversas buscavam evitar a imposição das medidas. Agora, o governo brasileiro entende que qualquer acordo precisa levar em consideração o novo desequilíbrio tarifário.
“Hoje, a verdade é que, com a aplicação dos 37,5%, nós temos um desequilíbrio ainda maior em favor deles. Qualquer concessão da parte do Brasil só aumentará o déficit para o Brasil. Por isso, há um novo cenário e novas bases”, disse.
Rosa ressaltou, porém, que os Estados Unidos não reconheceram formalmente essa avaliação.
“Eles não reconheceram. É um dado objetivo”, afirmou.
Segundo ele, o governo brasileiro continua disposto a negociar, mas não pretende aceitar propostas que prejudiquem interesses econômicos do país.
“Nada do que possa causar dano aos interesses econômicos do país, ao interesse do Brasil, nós vamos negociar, vamos colocar na mesa”, afirmou.
Rosa disse que o Brasil não considera desejável uma redução permanente da participação americana na pauta comercial brasileira.
“Não é do interesse do Brasil que haja uma retração da participação dos Estados Unidos na nossa pauta exportadora”, afirmou.
Ele lembrou que os Estados Unidos foram, durante décadas, o principal parceiro comercial brasileiro e disse que o governo gostaria de reconstruir essa relação.
“Nós queremos que isso volte a acontecer, mas para isso é preciso que haja da parte deles o reconhecimento de que, para reequilibrar o acordo, precisa ser reciprocamente bom”, disse.
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Siga o Times | CNBCAs equipes dos dois países devem se reunir novamente nos próximos dias para discutir as bases de um eventual acordo.
Rosa afirmou que haverá encontros técnicos, reuniões virtuais e novas conversas presenciais.
“Vamos ter reuniões técnicas ao longo dos próximos dias, vamos ter rodadas nesse nível, nível ministerial”, disse.
Segundo ele, o Brasil não pretende retomar a proposta genérica que vinha sendo discutida anteriormente.
“Nós não vamos seguir na linha do que vinha antes. Era uma proposta de acordo muito genérica que o Brasil já recusou, já afastou”, afirmou.
Rosa disse continuar otimista porque, na visão do governo, houve uma mudança concreta na disposição americana para negociar.
“Hoje, a boa notícia é: retomamos o diálogo para uma negociação. Isso é muito importante”, afirmou.
Leia também: Tarifaço: Brasil anuncia retomada de negociação das sobretaxas de Trump
Após a coletiva, Vinícius Torres Freire, analista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, avaliou que o principal avanço foi justamente a retomada de um canal que estava praticamente paralisado.
“A negociação estava absolutamente travada. Não estava acontecendo nada”, afirmou.
Segundo Torres Freire, empresários brasileiros continuavam mantendo contatos e defendendo seus interesses nos Estados Unidos, mas o diálogo entre os governos havia praticamente cessado antes da conversa entre Lula e Trump.
Para ele, a retomada ajuda as empresas afetadas, mas ainda não significa que exista um caminho definido para redução das tarifas.
“Teve alguma proposta? Ele falou uma resposta mais significativa e mais curta: não, não teve”, disse, ao comentar a coletiva.
Torres Freire afirmou que as próximas reuniões técnicas servirão para organizar argumentos e discutir os pontos de divergência, mas ressaltou que isso ainda está distante de um acordo.
“Isso não resolve nada, mas pelo menos faz uma lista de argumentos”, afirmou.
O analista também vê um componente eleitoral relevante nas negociações.
“Eu continuo duvidando porque acho que essa conversa toda tem um peso muito político do lado americano”, disse.
Na avaliação de Torres Freire, setores do governo americano podem preferir esperar maior definição do cenário político brasileiro antes de fazer concessões mais relevantes.
Ainda assim, ele considera melhor a retomada das conversas do que o cenário anterior.
“Do nada para alguma coisa, sei lá qual o tamanho do alguma coisa, é melhor”, afirmou.
Para o analista, o retorno do governo brasileiro à negociação também fortalece o esforço das empresas que tentam preservar seus mercados nos Estados Unidos.
“Com um pouco de ajuda do governo brasileiro agora entrando de volta na partida, é melhor. Mas a situação é bem difícil, bem, bem difícil”, concluiu.
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