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Xi Jinping amplia influência diplomática com várias visitas de Estado antes de encontro com Trump
Publicado 31/08/2026 • 09:45 | Atualizado há 1 hora
Xi Jinping amplia influência diplomática com várias visitas de Estado antes de encontro com Trump
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Publicado 31/08/2026 • 09:45 | Atualizado há 1 hora
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Xi Jinping fará raras visitas de Estado ao Egito e, provavelmente, à Índia antes de sua esperada viagem aos EUA no fim de setembro.
O presidente chinês, Xi Jinping, fará raras visitas de Estado ao Egito e, provavelmente, à Índia antes de sua esperada viagem aos Estados Unidos no fim de setembro.
Xi “reduziu drasticamente suas viagens ao exterior nos últimos anos, então sua movimentada agenda de viagens representa um importante indicador de suas prioridades”, disse à CNBC, por e-mail, Gabriel Wildau, diretor-gerente da Teneo.
O líder chinês esteve no exterior apenas uma vez neste ano: em junho, em uma visita de Estado à Coreia do Norte pela primeira vez em sete anos. Enquanto isso, o mundo foi até a China, com mais de 20 líderes (incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump) visitando Pequim no primeiro semestre, destacou o Center for Strategic and International Studies (CSIS), um think tank sediado nos Estados Unidos.
As questões em jogo no cenário global só aumentaram, com a guerra no Irã, as tensões comerciais entre Estados Unidos e China e os crescentes riscos à segurança relacionados à inteligência artificial. Para Pequim, isso reforça a necessidade de uma evolução em seu papel global.
“É hora de a China provavelmente assumir uma responsabilidade maior, oferecer mais bens públicos globais”, disse Hai Zhao, diretor de estudos políticos internacionais da Chinese Academy of Social Sciences, um think tank ligado ao Estado chinês.
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“Por causa da profunda integração da China à economia global, o país é parte integrante da solução”, afirmou, seja em relação à segurança das cadeias de suprimentos, ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz ou à cibersegurança.
Xi desembarcou em Bishkek, no Quirguistão, no domingo. O país sedia, nesta segunda e terça-feira, a cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX), voltada para questões de segurança. O encontro anual reúne os chefes de Estado da Rússia, da Índia e de outras nações não ocidentais.
Como parte da mesma viagem, que se estende até quinta-feira, Xi planeja fazer sua primeira visita de Estado ao Egito em uma década. A China ampliou sua presença na região do Canal de Suez por meio de uma zona bilateral de cooperação econômica e comercial.
Em seguida, Xi deve participar de outra cúpula de líderes de países não ocidentais, o BRICS, que será realizada em Nova Délhi nos dias 12 e 13 de setembro. A China ainda não confirmou oficialmente a participação de Xi. Se a viagem ocorrer, será a primeira visita do presidente chinês à Índia desde 2019, além de acontecer após os confrontos fronteiriços entre os dois países em 2020, que deixaram mortos.
Especialistas afirmam que os Estados Unidos acompanharão de perto os acontecimentos nas cúpulas da OCX e do BRICS, enquanto Washington busca melhorar as relações com Índia e China, mas planeja aumentar a pressão sobre a Rússia para tentar pôr fim à guerra de Moscou contra a Ucrânia.
No ano passado, enquanto os Estados Unidos impunham tarifas contra Pequim e Nova Délhi, um vídeo de Xi, do primeiro-ministro indiano Narendra Modi e do presidente russo Vladimir Putin rindo juntos durante a cúpula da OCX em Tianjin viralizou.
O encontro provocou irritação em Washington, e Trump afirmou que os Estados Unidos haviam “perdido a Índia e a Rússia para a China mais profunda e sombria”.
Muita coisa mudou desde então. Em fevereiro deste ano, Trump anunciou que reduziria as tarifas sobre a Índia de 50% para 18%, e os dois países estão negociando um acordo comercial. Trump também fez uma visita histórica à China no início deste ano, e Xi deve visitar Washington em setembro, após a cúpula do BRICS.
Índia e China, porém, ainda enfrentam a ameaça de tarifas de até 100% por parte de Washington caso a Câmara dos Representantes dos EUA aprove o projeto de lei Graham, que pune países que compram petróleo russo. Mais de 50% do petróleo bruto importado pela Índia teve origem na Rússia em junho e julho, e a participação estava em cerca de 43% na semana passada, segundo dados da Kpler.
A “proximidade visível” entre Modi e Putin “poderia influenciar os cálculos do presidente [Trump] sobre o uso de possíveis novas medidas tarifárias secundárias” relacionadas às compras de petróleo russo pela Índia, disse à CNBC Richard M. Rossow, assessor sênior e presidente da área de Economia da Índia e da Ásia Emergente do CSIS.
Enquanto isso, especialistas esperam que Nova Délhi use sua participação nas cúpulas da OCX e do BRICS para destacar a força de seu alinhamento multipolar. A Índia é muito mais próxima dos Estados Unidos do que da Rússia ou da China, mas usará a OCX e o BRICS para mostrar a Washington que possui outros parceiros, afirmam os especialistas.
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Siga o Times | CNBCPor meio desses encontros, a Índia transmitirá aos Estados Unidos que “haverá um preço se vocês continuarem a permanecer incertos”, disse à CNBC Pramit Pal Chaudhuri, chefe da área de Sul da Ásia do Eurasia Group.
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Após a reunião da OCX, Xi e Modi devem se encontrar em Nova Délhi durante a cúpula do BRICS.
As relações entre os dois países vizinhos melhoraram no último ano, após Modi e Xi se reunirem em Tianjin no ano passado. Voos diretos entre Índia e China foram retomados, algumas antigas rotas comerciais da Rota da Seda foram reabertas e, em março, a Índia flexibilizou as regras para investimentos provenientes de Pequim.
Na semana passada, os dois lados também concordaram em trabalhar para resolver suas antigas disputas fronteiriças. Ainda assim, os problemas entre os dois países estão longe de ser solucionados. Segundo relatos da imprensa local, empresários e executivos indianos enfrentam “dificuldades significativas” para obter vistos chineses.
“É bom ver as tensões entre Índia e China limitadas ao comércio e aos vistos!”, disse Rossow à CNBC, acrescentando que isso representa uma melhora em relação ao confronto militar anterior.
Os dois países estão tentando equilibrar seus vínculos comerciais, segundo especialistas.
Enquanto a Índia flexibiliza as regras para investimentos de empresas chinesas, também impõe algumas restrições comerciais a produtos de setores nos quais o país está mais próximo de alcançar a autossuficiência. A China, por sua vez, demonstra cautela em relação à transferência de tecnologia para a Índia, uma vez que isso poderia enfraquecer o papel de Pequim em importantes cadeias globais de suprimentos.
A Índia, por exemplo, já está se tornando uma importante fornecedora de iPhones da Apple, depois que a empresa começou a diversificar sua base de produção para além da China. Segundo o governo indiano, o país já é o segundo maior fabricante de celulares do mundo.
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A tecnologia está rapidamente se tornando uma questão crítica para a cúpula entre Trump e Xi em Washington, prevista para 24 de setembro. A China ainda não confirmou oficialmente a visita. Altos funcionários dos dois países se reuniram em Pequim na semana passada, em meio ao discurso mais duro do governo Trump sobre o suposto papel da China no financiamento do Irã.
Wang Huning, presidente do Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, também se reuniu na semana passada com representantes dos Estados Unidos em Pequim para um diálogo semioficial “Track 1.5”, organizado em parte pela Asia Society, organização sem fins lucrativos fundada pela família Rockefeller. O CEO da entidade, Kevin Rudd, afirmou que o encontro discutiu a possibilidade de estabelecer limites para a inteligência artificial entre Estados Unidos e China, além da cooperação bilateral em pesquisas globais sobre o câncer.
Se os modelos de linguagem de grande escala, cada vez mais poderosos, caírem “nas mãos erradas, isso será muito prejudicial tanto para os EUA e a China quanto para a economia global”, disse Zhao.
Ele espera que os dois líderes também possam criar um mecanismo para orientar o desenvolvimento da I.A, enquanto a extensão da trégua tarifária será fundamental para a estabilidade das relações bilaterais.
Wildau, da Teneo, porém, mostrou-se menos otimista, diante da “convicção generalizada de que o desenvolvimento da I.A é um jogo de soma zero”.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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