Cientista político avalia que diferença de três pontos entre Flávio Bolsonaro e Lula em São Paulo é apertada diante do perfil historicamente mais resistente ao PT no estado.
Para o próximo presidente, relação com os Estados Unidos será um dos principais desafios de política externa, independentemente de quem vencer.
O cientista político e professor de Relações Internacionais do Ibmec Leonardo Paz analisou, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, os resultados da pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS, que mostra Flávio com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Lula.
Segundo o professor, a leitura leva em conta o histórico eleitoral paulista, onde candidatos do PT tradicionalmente enfrentam maior resistência. “São Paulo tradicionalmente não vota muito no PT, o Lula sofre muito para pontuar lá”, disse.
Na avaliação de Paz, o fato de a distância entre os dois principais candidatos ser de apenas três pontos percentuais chama atenção justamente por esse contexto.
Tarcísio ainda não transfere todo o apoio para Flávio, avalia Paz
O cientista político também comparou o desempenho de Flávio Bolsonaro com a força eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado.
A pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS para o governo paulista mostra Tarcísio com 46% das intenções de voto, contra 29% de Fernando Haddad (PT).
Para Paz, a diferença entre os desempenhos sugere que o governador, apesar de ser aliado de Flávio, ainda não consegue transferir integralmente sua base eleitoral para o senador.
“O Tarcísio não está conseguindo carregar os seus votos todos para o Flávio Bolsonaro”, afirmou.
No segundo turno presidencial testado pela pesquisa, Flávio aparece com 46%, contra 41% de Lula. A vantagem numérica é de cinco pontos percentuais.
Nos demais confrontos, Lula registra 42% contra 36% de Renan Santos (Missão), 42% contra 37% de Romeu Zema (Novo) e empata em 41% com Ronaldo Caiado (PSD).
Relação com os EUA será desafio central
Além da leitura eleitoral, Paz afirmou que a relação com os Estados Unidos deve ser um dos principais desafios de política externa para quem assumir a Presidência em 2027.
“É o primeiro ponto: como é que o próximo presidente, seja Lula, seja Flávio Bolsonaro ou outro, vai lidar com os Estados Unidos”, afirmou.
O professor destacou que a relação bilateral atravessa um período de tensão e que o próximo governo terá de administrar questões comerciais, diplomáticas e políticas acumuladas nos últimos meses.
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Na avaliação dele, uma eventual vitória de Lula poderia exigir uma reconstrução mais difícil do diálogo com Washington. Já uma vitória de Flávio Bolsonaro tenderia, segundo Paz, a encontrar um ambiente político mais favorável junto ao governo de Donald Trump, mas também poderia abrir discussões sobre quais concessões fariam parte de uma eventual negociação.
“Minha preocupação em relação ao Flávio é se ele vai realmente, para conseguir derrubar certas tarifas ou certas punições que o Brasil sofreu, entregar algo de fato em termos de negociação”, afirmou.
A avaliação é do cientista político e não representa uma conclusão sobre eventuais negociações futuras.
América Latina também entra no radar
Paz também apontou a América Latina como outro desafio relevante para o próximo governo.
No caso de uma reeleição de Lula, o professor destacou especialmente a relação com o presidente argentino Javier Milei, hoje marcada por divergências políticas.
Para ele, porém, interesses econômicos e comerciais podem levar a uma redução das tensões depois da eleição brasileira.
“Se o Lula ganha efetivamente, eu imagino que o Milei vai também baixar um pouco o perfil dele, até porque eventualmente ele precisa do Brasil”, disse.
Em uma eventual gestão Flávio Bolsonaro, Paz vê maior facilidade de diálogo político com governos de direita da região, mas disse não identificar, até agora, um projeto claro de integração regional associado a esse campo político.
“Eu não consigo ver, de certa maneira, nenhum grande projeto”, afirmou.
A pesquisa também mostra que 55% dos entrevistados em São Paulo desaprovam o governo Lula, enquanto 35% aprovam a administração federal. Outros 10% não souberam responder ou preferiram não opinar.
Na avaliação detalhada, 37% consideram o governo péssimo e 13%, ruim. Outros 20% classificam a gestão como regular, enquanto 16% avaliam como boa e 12%, ótima.
A pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS foi realizada entre os dias 4 e 8 de agosto de 2026 e ouviu 1.500 pessoas no estado de São Paulo. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob os números SP-03436/26 e BR-03025/26.
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