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Veja a cronologia do dia da 1ª prisão de Daniel Vorcaro
Publicado 07/03/2026 • 16:29 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 07/03/2026 • 16:29 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
As mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ocorreram enquanto uma sucessão de eventos se desenrolava na tentativa de conter a crise que atingia o banco.
Ao longo de 17 de novembro de 2025, data das conversas, Vorcaro participou de reuniões com diretores do Banco Central (BC), anunciou a venda da instituição e articulou manobras para tentar reverter a ordem de prisão. Naquela noite, o empresário foi preso na Operação Compliance Zero, que apura crimes de gestão fraudulenta do Master.
As conversas que ajudam a reconstruir o que ocorreu naquele dia fazem parte do conjunto de dados extraídos do celular do empresário pela Polícia Federal (PF) na primeira fase da operação. O material foi revelado pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
A seguir, veja a cronologia dos acontecimentos ao longo daquele dia, em conversas que se estenderam até cerca de uma hora antes da prisão de Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
Leia também: Horas antes da prisão, Vorcaro trocou mensagens com Moraes para salvar o Master, segundo documento da PF
A primeira mensagem entre Vorcaro e Moraes foi enviada às 7h19. Nela, o banqueiro detalha ao ministro a operação de venda do Banco Master ao grupo Fictor, em parceria com investidores dos Emirados Árabes Unidos.
No texto, Vorcaro afirma ter antecipado o anúncio do negócio na tentativa de salvar a instituição. O comunicado divulgado naquela tarde foi visto por investigadores como uma “cortina de fumaça” para justificar uma possível fuga do dono do banco para o exterior.
Na mensagem enviada ao ministro, Vorcaro escreveu: “bom dia. tudo bem? estou tentando antecipar os investidores aqui e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte. e ai eu irei pra lá pra tentar assinatura dos demais investidores estrangeiros”
Na sequência, Vorcaro encaminha outra mensagem e menciona o avanço de informações sobre o caso que o envolvia. “De um outro lado, acho que o tema que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem qualquer detalhe. mas a turma do brb me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. e que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá. se vazar algo será péssimo, mas pode ser um gancho pra entrar no circuito do processo. se tiver alguma novidade, vamos falar.”
O trecho sugere relação com o inquérito sigiloso que tramitava contra o banqueiro na Justiça Federal. Na mensagem, Vorcaro afirma que um eventual vazamento de informações seria “péssimo”, mas poderia servir como “gancho” para entrar no circuito do processo.
Moraes respondeu às 8h16, mas o conteúdo da mensagem não é conhecido porque o ministro utilizou o recurso de visualização única do WhatsApp.
Para preservar o sigilo das conversas, Vorcaro e Moraes escreviam os textos em blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens pelo aplicativo. Como as fotos desaparecem após serem abertas, as respostas do ministro não ficaram registradas, enquanto os rascunhos produzidos por Vorcaro permaneceram armazenados no histórico do aparelho. Os arquivos foram disponibilizados pela PF à CPI do INSS e obtidos pelo Estadão, que também confirmou com fontes ligadas ao caso que ambos trocaram mensagens naquele dia.
Em outra frente, às 11h08, o site O Bastidor publicou uma notícia com o título “BRB-Master sem fim”. Segundo a Polícia Federal, a nota teria servido para “esquentar a informação” e revelar a existência de um processo criminal sigiloso em trâmite na 10ª Vara Federal contra Vorcaro para investigar fraudes nas carteiras de crédito vendidas ao BRB.
A linha de investigação da PF aponta que Vorcaro teria tido acesso ao inquérito por meio de um esquema de hackeamento de sistemas e repassado as informações ao dono do site, Diego Escosteguy. A publicação, por sua vez, seria usada horas depois pela defesa do banqueiro para tentar impedir a prisão.
Em relatório, a PF afirma ter encontrado no celular de Vorcaro uma anotação com texto semelhante ao que seria publicado horas depois pelo site. Os investigadores também anexaram prints de conversas entre Escosteguy e o banqueiro e afirmam que o jornalista “recebia dinheiro para publicar informações de interesse do banqueiro”. O documento registra ainda uma ordem de Vorcaro para o pagamento de R$ 2 milhões. Escosteguy nega as acusações.
Leia também: Veja as primeiras fotos de Daniel Vorcaro na prisão
No início da tarde, Vorcaro se reuniu virtualmente com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, e com técnicos da área de supervisão, entre eles o chefe do departamento, Belline Santana, e o adjunto Paulo Sérgio Souza.
Segundo a PF, Souza e Belline teriam recebido pagamentos mensais de Vorcaro para ajudar o Banco Master a driblar a fiscalização feita pelo próprio BC. De acordo com os investigadores, os dois repassariam informações ao banqueiro e auxiliariam na elaboração de pedidos apresentados ao órgão.
Na reunião, Vorcaro teria tratado de operações de venda do banco a investidores estrangeiros e mencionado uma viagem a Dubai para assinatura de acordos. No dia seguinte, 18 de novembro, o BC decretou a liquidação do Banco Master.
A prisão de Vorcaro foi determinada pelo juiz Ricardo Soares Leite às 15h29. Com base na nota publicada pelo site O Bastidor, a defesa protocolou às 15h47 uma petição dirigida à 10ª Vara Federal.
No documento, os advogados se posicionam contra “medidas cautelares eventualmente requeridas”, que poderiam provocar “impacto relevante” e causar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”.
A proximidade entre a decretação da prisão, que ainda não havia sido comunicada aos advogados de Vorcaro, e o protocolo da petição reforça a suspeita de que o banqueiro teria tido acesso ao inquérito sigiloso por meio de um esquema de hackeamento e usado a publicação como parte de uma estratégia para tentar evitar a prisão.
No fim da tarde, Vorcaro voltou a enviar uma mensagem ao ministro Alexandre de Moraes, retomando o tema da tentativa de venda do Banco Master discutida no início daquela manhã.
“Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”, diz o texto registrado às 17h21 no bloco de notas do celular do banqueiro. O relógio do aparelho marca 17h22 no momento em que o print da mensagem foi capturado.
Naquele momento, não houve resposta do ministro. Minutos depois, a venda parcial do Master ao grupo Fictor foi anunciada ao mercado. No comunicado, o grupo informou que pagaria R$ 3 bilhões pelo banco em operação realizada com um consórcio de investidores árabes.
Sem resposta do ministro até então, Vorcaro volta a enviar uma mensagem cobrando atualizações: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, escreve o banqueiro, sem especificar a qual assunto se refere.
O ministro responde seis minutos depois, às 17h31, repetindo a estratégia de envio de mensagens com visualização única, o que impede saber qual foi o conteúdo da resposta.
Vorcaro volta a pedir atualizações às 19h58 e escreve: “alguma novidade?”, novamente com a precaução de não expor o tema tratado. Moraes responde em seguida com duas mensagens, às 20h21 e às 20h23.
Às 20h48, Vorcaro volta a enviar mensagem ao ministro Alexandre de Moraes. Apesar de as duas respostas anteriores do magistrado não estarem disponíveis – por terem sido enviadas com o recurso de visualização única-, o conteúdo indica que o banqueiro respondia a um questionamento feito pelo ministro.
Segundo a Polícia Federal, Moraes não respondeu com nova mensagem de visualização única e reagiu apenas com um emoji em sinal de aprovação.
O banqueiro foi preso pela PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Os investigadores apontaram tentativa de fuga.
Após a revelação das mensagens, a assessoria do ministro divulgou uma nota na sexta-feira (6) na qual negou que os textos encontrados no celular de Vorcaro, no dia de sua prisão, tenham sido enviados a ele.
O gabinete de Moraes afirmou que os prints das mensagens “estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionados” ao ministro.
Como mostrou o Estadão, no entanto, o argumento apresentado pelo magistrado apresenta lacunas.
Vorcaro voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) na terceira fase da Operação Compliance Zero.
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