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ESPECIAL: Ligações de Vorcaro e André Esteves denunciam lado sujo nunca antes revelado no Banco Central
Publicado 06/03/2026 • 12:25 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 06/03/2026 • 12:25 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
“Banco é igual máfia”. Essa é uma das frases que aparecem em uma conversa entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e a ex-namorada, Martha Graeff, em meio ao período em que a negociação envolvendo o Master e o BRB avançava no mercado.
Em uma outra conversa, o ex-banqueiro diz que o CEO do BTG, André Esteves “é ardiloso” e “entra na mente dos caras do Bacen”. Os diálogos foram obtidos pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero e obtidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
As trocas de mensagens colocam, na narrativa de Vorcaro, a hipótese de que banqueiros teriam capacidade de influenciar interlocuções dentro do Banco Central, uma autarquia que construiu parte de sua autoridade pública sobre a percepção de autonomia e credibilidade. Os diálogos não provam interferência, mas trazem à tona algo nunca antes revelado.
Nesta semana a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, abriu uma mancha incomum sobre o Banco Central ao atingir dois nomes ligados à cúpula técnica da autarquia. Entre os alvos estão Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC entre 2019 e 2023, e Bellini Santana, também servidor do órgão.
Foi nesse ambiente que as conversas de Daniel Vorcaro passaram a levantar a suspeita de que banqueiros poderiam ter capacidade de influenciar interlocuções dentro da autoridade monetária.
Os trechos a seguir aparecem exatamente como consta no material acessado pela reportagem:
[4/4/25, 22:19:45] DV: Fui la pq banco central pediu pq ele é ardiloso
[4/4/25, 22:19:50] DV: Entra na mente dos caras do bacen
[4/4/25, 22:19:56] DV: Banco central
A fala aparece dentro de uma sequência maior, em que Vorcaro descreve um encontro com André Esteves, CEO do BTG Pactual, e atribui ao executivo frases e movimentos de bastidor ligados ao futuro da operação. Na mesma conversa, Vorcaro escreve que Esteves teria dito para ele “esquecer o BRB”.
[4/4/25, 22:14:59] DV: Andre disse que era o maior banqueiro do mundo. E
ele era Deus que apareceu na nossa vida
[4/4/25, 22:15:08] DV: Que tinhamos que agradecer a Deus a proposta dele
[4/4/25, 22:15:13] DV: E esquecer o BRB
Dias depois, o ex-banqueiro volta a reclamar da interferência de Esteves no Banco Central a respeito das negociações do Banco Master.
[4/7/25, 23:02:00] Martha Graeff: Será que o pior já passou?
[4/7/25, 23:20:54] DV: Amor
[4/7/25, 23:20:57] DV: To na adrenalina
[4/7/25, 23:21:00] DV: Ainda na guerra
[4/7/25, 23:21:04] DV: Nao sei se passou
[4/7/25, 23:21:09] Martha Graeff: Eu posso imaginar coração
[4/7/25, 23:21:14] DV: Preciso chegar ao final
[4/7/25, 23:21:16] Martha Graeff: Mas você deve saber
[4/7/25, 23:21:23] Martha Graeff: Sentir
[4/7/25, 23:21:25] DV: Como fiquei muito exposto ficou muito arriscado
[4/7/25, 23:21:31] DV: Mas ta caminhando pra resolver
[4/7/25, 23:21:44] DV: Andre baixou a guarda e ataques diminuiram bem
[4/7/25, 23:21:55] Martha Graeff: 🙏🙏🙏🙏
[4/7/25, 23:22:21] Martha Graeff: Surreal tudo isso que está vivendo
[4/7/25, 23:22:27] DV: Muito
[4/7/25, 23:22:36] Martha Graeff: Espero que possamos viver em paz depois
disso
[4/7/25, 23:22:40] DV: Foi pra um caminho muito louco
[4/7/25, 23:22:42] Martha Graeff: Você merece muito
[4/7/25, 23:22:47] DV: Criaram um problema que nao existia
[4/7/25, 23:22:53] DV: Mas agora nao adianta eu reclamar
[4/7/25, 23:22:56] DV: Tenho que resolver
[4/7/25, 23:23:06] Martha Graeff: Amor, eles não iam deixar você sair
assim por cima
[4/7/25, 23:23:16] Martha Graeff: Sem tentar te bater
[4/7/25, 23:23:27] DV: Verdade
[4/7/25, 23:23:47] DV: Esse negocio de banco sempre falei que é igual
mafia
[4/7/25, 23:23:49] DV: Nao da pra sair
[4/7/25, 23:23:52] DV: Ninguem sai
[4/7/25, 23:23:59] DV: Bem nao sai
[4/7/25, 23:24:02] DV: So sai mal
A disputa envolvendo o Banco Master e o BRB já havia aparecido anteriormente em uma reportagem exclusiva do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. Em 28 de março de 2025, o veículo publicou que o BTG tentou comprar o Banco Master antes da aquisição pelo BRB.
Na ocasião, fontes do BTG disseram ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC que nunca houve intenção de compra do Banco Master, após relatos no mercado indicarem que o banco teria participado de conversas para adquirir o grupo.
A reportagem também registrou que o BTG foi superado pelo BRB na corrida, e que um dos pontos decisivos teria sido a exigência de permanência de Daniel Vorcaro na nova estrutura, condição aceita pelo BRB e rejeitada pelo BTG, em uma operação descrita como compra de cerca de 60% do Master, incluindo Will Bank e Credcesta, por aproximadamente R$ 2 bilhões.
Essas negociações e influência dentro do Banco Central acendem um alerta. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga vê no episódio uma anormalidade pontual, “que havia contaminação, não há dúvida. Mas me parece que ficou restrito a essa área. E não me lembro de precedente histórico.” Para ele, o horizonte é de esclarecimento. “Em breve imagino que o quadro deve se esclarecer. Triste, mas o BC pode limpar a área e voltar ao normal. Não vejo como uma questão crônica.”
Para Sérgio Vale, economista-chefe e sócio da MB Associados, o caso é grave e precisa ser investigado. “O BC era dos poucos órgãos de estado que parecia blindado, e de repente saem essas notícias”, afirmou. Para ele, esse tipo de controvérsia coloca em cheque a credibilidade da fiscalização e da regulação da autarquia. “Não imaginaria que até o BC estivesse envolvido assim. É realmente muito novo o que estamos vivendo hoje”.
Já Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper e especialista em sistema financeiro, pede cautela antes de cravar qualquer diagnóstico. “Eu acho muito difícil a gente afirmar isso nesse momento.” Ele diz que o Banco Central defende uma atuação profissional e técnica.
Rocha também pondera que encontros com da autarquia com banqueiros não são, por si, uma anomalia. Ao mesmo tempo, ele não fecha a porta para a apuração. “Acho que vai ter que ser investigado, as pessoas vão ter que falar.” E resume o efeito colateral sobre o mercado. “Toda crise bancária gera impactos negativos.”
O economista Nelson Marconi, da FGV/Eaesp, acredita que seja uma questão estrutural no Banco Central provocado pela autonomia da autarquia, “o que vemos é que a porta giratória que existe gera conflitos de interesse e pressões do mercado financeiro. Uma autonomia maior ao BC só pioraria o problema, dando maior independência ao tráfico de influências que pode acabar acontecendo.”
O trecho do dia 4 de abril não aparece isolado. Ele é precedido por um conjunto de mensagens em que Vorcaro descreve o período como disputa aberta, com linguagem de “guerra” e referência a ataques na mídia.
Em 31 de março de 2025, ele relata a Martha que se encontrou com Esteves:
[3/31/25, 18:16:18] DV: A frase que eu tenho para o dia:
“Ah, que isso, elas estão descontroladas!”
[3/31/25, 18:16:43] Martha Graeff: Que?????????
[3/31/25, 18:16:45] Martha Graeff: Amor do céu
[3/31/25, 18:16:54] Martha Graeff: Hahhaahaahhahahahaha
[3/31/25, 18:16:56] Martha Graeff: Para amor
[3/31/25, 18:16:59] DV: Ele foi no presidente banco central hoje cedo kkk
[3/31/25, 18:17:08] Martha Graeff: ZhhahAhabahah
[3/31/25, 18:17:14] DV: Nunca um assunto na historia do brasil no mercado financeiro
[3/31/25, 18:17:17] Martha Graeff: To morrendo
[3/31/25, 18:17:18] DV: Deu tanto pano pra manga
[3/31/25, 18:17:23] DV: Cada meme
[3/31/25, 18:17:26] DV: Noticia louca
A troca de mensagens segue nos dias seguintes com referências a uma “guerra” exposta no mercado e à tentativa de trégua. Em mensagens de 3 de abril de 2025, ele diz estar “apanhando e batendo” e afirma que as “matérias ruins” seriam “compradas” pelo CEO do BTG.
[4/3/25, 16:12:12] Martha Graeff: Amooooooooor
[4/3/25, 16:12:15] Martha Graeff: Alguma novidade aí?
[4/3/25, 16:12:32] Martha Graeff: As coisas estão melhorando? Piorando? Iguais?
[4/3/25, 16:13:05] DV: Amor, ta uma loucura
[4/3/25, 16:13:08] DV: Nao consigo nem dizer
[4/3/25, 16:13:14] DV: To apanhando e batendo dia inteiro
[4/3/25, 16:15:25] DV: Foi muito pior que eu imaginava. MUito
[4/3/25, 16:29:44] Martha Graeff: 😔
[4/3/25, 16:29:50] Martha Graeff: Amor do céu
[4/3/25, 16:29:52] Martha Graeff: E agora?
[4/3/25, 17:37:06] DV: Agora a guerra com andre ta exposta
[4/3/25, 17:37:23] DV: Ao menos as pessoas do mercado entendem que as materias ruins estao erradas e compradas por ele
[4/3/25, 17:37:38] DV: Ja ta saindo em varios sites
[4/3/25, 17:46:23] Martha Graeff: Nossa amor não tava sabendo disso
[4/3/25, 17:46:33] Martha Graeff: Vocês pararam de se falar então?
[4/3/25, 18:00:35] DV: Sim
Em 4 de abril de 2025, Vorcaro descreve à ex-namorada um encontro com Esteves e relata, em primeira pessoa, frases atribuídas ao CEO do BTG, incluindo menção a uma proposta para “esquecer o BRB” e a afirmação de que teria ido ao encontro porque o Banco Central teria pedido.
[4/4/25, 22:13:25] Martha Graeff: O que saiu com o encontro com ele hoje??
[4/4/25, 22:14:26] DV: Vc nao acredita nas frases de hoje. Eu levei o augusto pra eu ter uma testemunha
[4/4/25, 22:14:41] DV: Pelo menos eu consegui dar risada depois pq o augusto é engraçado imitando
[4/4/25, 22:14:59] DV: Andre disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida
[4/4/25, 22:15:08] DV: Que tinhamos que agradecer a Deus a proposta dele
[4/4/25, 22:15:13] DV: E esquecer o BRB
[4/4/25, 22:18:00] Martha Graeff: Boa!
[4/4/25, 22:18:21] Martha Graeff: ahahahahaahah eu preciso escutar ele imitando depois
[4/4/25, 22:18:50] Martha Graeff: WOW
[4/4/25, 22:19:15] Martha Graeff: Ainda tem como incluir ele?
[4/4/25, 22:19:45] DV: Fui la pq banco central pediu pq ele é ardiloso
[4/4/25, 22:19:50] DV: Entra na mente dos caras do bacen
[4/4/25, 22:19:56] DV: Banco central
[4/4/25, 22:20:04] DV: Mas turma nossa ta pegando pesado demais
[4/4/25, 22:20:27] DV: Essa semana fui massacrado mas
[4/4/25, 22:20:27] Martha Graeff: Sim total
[4/4/25, 22:20:36] DV: So os peixinhos de faria lima que
[4/4/25, 22:20:38] Martha Graeff: Ele também né
[4/4/25, 22:20:42] DV: Embarcaram
[4/4/25, 22:20:46] DV: Todos grandes empresarios
[4/4/25, 22:20:48] DV: Politicos
[4/4/25, 22:20:50] DV: Ate amigos dele
[4/4/25, 22:20:53] DV: Ficaram contra
[4/4/25, 22:20:56] DV: Amigos dele me ligando
[4/4/25, 22:20:58] Martha Graeff: Wow
[4/4/25, 22:21:00] DV: Condenando ele
[4/4/25, 22:21:04] DV: A cada materia
[4/4/25, 22:21:11] DV: Eu tenho provas de quase todas
As mensagens mostram como o tema era tratado nos bastidores por um dos protagonistas do caso, com o regulador como parte central da disputa. Em um sistema financeiro que depende da credibilidade da autoridade monetária, o episódio abre espaço para um debate sobre os limites entre interlocução legítima do mercado com o BC e a tentativa de influência sobre decisões regulatórias.
O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC entrou em contato com o Banco Central, mas não recebeu um posicionamento até a publicação desta matéria.
“A respeito da deflagração da 3ª Fase da Operação Compliance Zero, o Banco Central declara sua convicção de que o trabalho desenvolvido pela Polícia Federal representa um passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos.
O Banco Central informa que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente de pessoal, durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal. Esclarece o Banco Central que, observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei.”
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