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Vinícius Torres Freire: Caso Master pode pesar mais sobre ativos se influenciar eleitores indecisos e alterar percepção sobre disputa presidencial

Publicado 02/09/2026 • 21:11 | Atualizado há 20 minutos

KEY POINTS

  • Analista avalia que pesquisas mais favoráveis a Flávio Bolsonaro ajudaram a acelerar a alta da bolsa, a queda do dólar e o recuo dos juros futuros.
  • Entrada de estrangeiros voltou a aparecer, mas ainda é pequena diante da forte saída registrada em agosto.
  • Caso Master pode ganhar efeito sobre os ativos se influenciar eleitores indecisos e alterar a percepção sobre a disputa presidencial.

A corrida eleitoral passou a pesar de forma mais clara sobre os ativos brasileiros, com investidores aumentando as apostas em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. É o que avalia Vinícius Torres Freire, analista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

O movimento ajudou a impulsionar o Ibovespa em 3,05%, aos 185.205 pontos. O dólar caiu 0,91%, a R$ 5,10, e os juros futuros recuaram. Segundo Torres Freire, os ativos intensificaram os movimentos após a divulgação de uma pesquisa que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente em um eventual segundo turno.

“Quando saiu a pesquisa Quaest dizendo que, no segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados, pelo menos nessa pesquisa, os indicadores começaram a subir, o preço das ações começou a subir mais, o dólar começou a cair mais e os juros aqui no Brasil começaram a diminuir”, afirmou.

Para o analista, a leitura predominante em parte do mercado é de que uma vitória da oposição poderia significar maior disposição para um ajuste fiscal ou, ao menos, menor pressão por aumento de impostos.
“O pessoal se animou, pelo menos nessa semana, com pesquisas mais favoráveis a Flávio Bolsonaro”, disse.

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Estrangeiro volta, mas fluxo ainda é pequeno

Torres Freire destacou que investidores estrangeiros voltaram a colocar recursos no mercado brasileiro, embora o movimento ainda esteja longe de compensar as retiradas recentes. Segundo ele, entraram cerca de R$ 3 bilhões desde o fim de agosto, depois de uma saída de aproximadamente R$ 20 bilhões no mês anterior.

“Você pode dizer que é um pouquinho de estrangeiro voltando, mas pode perguntar por que ele está voltando. Também não é lá grande coisa: R$ 3 bilhões nos últimos dias”, afirmou.

Na avaliação do analista, parte desses investidores estaria reforçando posições em ativos brasileiros negociados também no exterior, incluindo fundos de ações e papéis da Petrobras. A explicação exclusivamente internacional, porém, não parece suficiente para justificar o desempenho recente do Brasil.

“O índice de ações emergentes não está indo lá muito bem. O Brasil está se destacando”, disse.

Fundamentos não explicam alta, avalia Vinícius

Torres Freire também descartou uma melhora relevante dos fundamentos econômicos como principal explicação para o desempenho da bolsa.

“Tem melhora de fundamento econômico? Não, está só piorando”, afirmou.

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Para ele, a economia brasileira continua mostrando sinais de desaceleração, enquanto os juros permanecem elevados. A produção industrial avançou 0,2% em julho, depois de duas quedas consecutivas, mas o resultado reforçou a percepção de atividade fraca.

“A indústria está crescendo 0,6% ao ano, faz quatro meses rodando por aí. Então 0,6% é andando de lado, ela está estagnada”, disse.

Segundo Torres Freire, o aperto financeiro e a desaceleração da demanda devem continuar pressionando o setor industrial nos próximos meses.

Caso Master pode entrar no mercado pela eleição

As revelações envolvendo o caso Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes também podem ganhar importância para os ativos caso tenham efeito sobre a corrida presidencial. Torres Freire já havia avaliado que o principal canal de transmissão desse episódio para o mercado seria justamente a eleição.

Se as novas informações tiverem impacto sobre eleitores ainda indecisos e favorecerem a oposição, a percepção de maior chance de mudança de governo poderia reforçar o movimento observado na bolsa. O analista, porém, trata esse efeito como uma possibilidade ainda dependente dos próximos desdobramentos políticos e das pesquisas.

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Mercado precifica maior chance de mudança em 2027

Na avaliação de Torres Freire, o movimento desta semana indica que investidores locais e parte dos estrangeiros passaram a atribuir peso maior a uma eventual derrota de Lula.

“Alguns deles estão voltando porque estão reforçando apostas […] porque eles, como muita gente aqui do mercado doméstico, estão achando que aumentaram as chances de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perca a eleição para Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Essa percepção aparece simultaneamente em diferentes mercados: ações em alta, real valorizado e taxas de juros mais longas em queda. Para Torres Freire, o fato de o Brasil estar se destacando em relação a outros emergentes reforça a leitura de que existe um componente doméstico específico por trás do movimento.

“O que parece, pelo menos nessa semana, é a animação política com a vitória de Flávio Bolsonaro”, afirmou.

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