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Vinícius Torres Freire: Sanções dos EUA ao PCC colocam empresas em alerta sobre bancos, fundos e fornecedores

Publicado 02/07/2026 • 06:00 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Vinícius Torres Freire afirmou que a decisão dos EUA amplia o risco para empresas brasileiras com relações indiretas com redes ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho.
  • Analista do Times Brasil | Licenciado Exclusivo CNBC disse que companhias precisam revisar fornecedores, instituições financeiras e fundos para evitar exposição a organizações agora classificadas como terroristas por Washington.
  • Operações recentes no Brasil mostram infiltração do crime organizado em setores formais da economia, como combustíveis, fintechs e fundos de investimento.

As primeiras sanções dos Estados Unidos contra brasileiros e empresas após a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas elevam o risco para companhias que operam no Brasil e mantêm relações financeiras, comerciais ou societárias com redes contaminadas pelo crime organizado. A avaliação é de Vinícius Torres Freire, analista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC

Segundo ele, empresas brasileiras precisam reforçar controles sobre fornecedores, bancos, fintechs, fundos e demais parceiros para evitar exposição indireta a pessoas ou estruturas ligadas às facções.

“Se não se tomar muito cuidado com fornecedor, relação financeira ou relação com alguma instituição financeira ou fundo, é possível que você acabe triscando, mesmo sem querer, em alguma coisa ligada a PCC e Comando Vermelho”, afirmou.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além de empresas com sede no Brasil e em Portugal. Segundo o Tesouro americano, a rede operava entre a Flórida e São Paulo e teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos por meio do sistema financeiro americano e de criptomoedas, em nome do PCC.

As sanções bloqueiam bens sob jurisdição americana e proíbem pessoas e empresas dos Estados Unidos de fazer transações com os alvos. A medida foi tomada com base em normas americanas voltadas ao combate ao tráfico de drogas e ao financiamento de terrorismo.

Mais agências americanas no caso

Para Torres Freire, a decisão marca a entrada em operação prática da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O Departamento de Estado americano anunciou a designação em 28 de maio, com validade a partir de 5 de junho. 

Segundo o analista, o efeito é ampliar o número de agências americanas envolvidas no monitoramento dessas redes.

“Quer dizer que entrou em operação, de fato, aquela decisão do Trump. Vai ter mais agência e polícia americana envolvida no combate a drogas”, afirmou.

Ele disse que já havia cooperação entre autoridades dos Estados Unidos e do Brasil no combate ao tráfico, mas que a nova classificação leva o tema para estruturas ligadas também a relações internacionais, inteligência e segurança nacional.

“Além de toda aquela base americana de investigação de tráfico de drogas, agora tem outras agências mais ligadas a relações internacionais, espionagem e tudo mais”, afirmou.

Na prática, disse Torres Freire, aumenta a análise criteriosa sobre operações envolvendo empresas ou cidadãos brasileiros que possam ter relação direta ou indireta com essas organizações.

“Aumentou a pressão”, disse.

Risco indireto para empresas

O analista afirmou que o risco para empresas brasileiras não está restrito a quem mantém relação direta com o crime organizado. A preocupação envolve a possibilidade de exposição indireta por meio de fornecedores, prestadores de serviço, fundos, instituições financeiras ou cadeias comerciais contaminadas.

Segundo ele, PCC e Comando Vermelho estão disseminados pelo país e infiltrados em estruturas da economia formal e da política local.

“Essas organizações estão disseminadas pelo país. Elas estão invadindo, estão infiltradas em prefeituras de São Paulo, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e sabe-se lá mais onde”, afirmou.

Torres Freire disse que empresas brasileiras precisam mapear suas redes de relacionamento para não serem atingidas por investigações ou sanções.

“Se até agora não se ligaram em saber qual é a rede financeira na qual elas se conectam e quais são as relações de fornecedores que possam ter, elas correm o risco de uma hora cair nessa rede”, afirmou.

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Para ele, a situação exige revisão ampla de processos de compliance, especialmente em setores com maior circulação de dinheiro, cadeias longas de fornecedores ou exposição a pagamentos digitais.

“As empresas agora têm que se ligar, têm que limpar toda a rede delas, dar uma olhada muito séria que já deveriam ter feito”, disse.

Crime organizado na economia formal

Torres Freire afirmou que investigações recentes no Brasil já mostraram como o crime organizado usa empresas formais, fundos e instituições de pagamento para movimentar recursos.

Ele citou a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita Federal e órgãos parceiros em 2025, como exemplo da infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis. A investigação atingiu cerca de 350 alvos em oito estados e mirou um esquema de fraude, sonegação e lavagem de dinheiro no setor. 

A Receita Federal informou que cerca de 1.000 postos de combustíveis vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. A operação também apontou o uso de fintechs como “banco paralelo” e de pelo menos 40 fundos de investimento como estruturas de ocultação de patrimônio.

“A operação Carbono Oculto mostrou como o crime está usando o mercado financeiro para operar”, afirmou Torres Freire.

Empresas precisam agir antes da sanção

Para Torres Freire, a classificação das facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos aumenta a urgência de as empresas brasileiras tratarem o risco como prioridade.

O analista afirmou que companhias não podem esperar ser alvo de investigação para revisar controles. O risco, segundo ele, é que uma relação comercial aparentemente comum acabe conectando a empresa a redes monitoradas por autoridades americanas.

“Mesmo que não tenham nada a ver com o pato, estão sujeitas a mais averiguações americanas e a mais risco de cair num negócio desse”, afirmou.

Ele disse que bancos, fintechs, fundos, empresas de combustíveis e companhias com cadeias extensas de fornecedores devem ter atenção especial.

“Já deviam ter se ligado faz tempo”, afirmou.

Pressão deve continuar

Torres Freire afirmou que o tamanho das operações contra o PCC no Brasil mostra a dimensão do problema. Ele citou uma ação recente do Ministério Público de Santa Catarina, com mais de 150 mandados de prisão, como exemplo da capilaridade da facção.

Segundo o analista, o avanço do crime organizado sobre estruturas formais aumenta o risco regulatório e reputacional para empresas que não conhecem adequadamente seus parceiros.

“O PCC e o Comando Vermelho estão por aí. E as empresas agora têm que se ligar”, afirmou.

Para Torres Freire, o recado para o setor privado é direto: revisar redes de fornecedores, mapear relações financeiras e reforçar mecanismos de compliance deixou de ser apenas uma recomendação preventiva e passou a ser uma necessidade diante do novo nível de monitoramento americano.

“Se liguem, porque a coisa pode ficar feia”, afirmou

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