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Vorcaro discutiu substituir aplicações do Rioprevidência por outros ativos antes da liquidação do Master

Publicado 30/09/2026 • 17:47 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Daniel Vorcaro e o ex-diretor jurídico do Master Luiz Rennó discutiram alternativas para substituir letras financeiras mantidas pelo Rioprevidência.
  • Em 2 de outubro de 2025, Rennó propôs trocar as LFs por direitos creditórios do Estado do Rio; Vorcaro respondeu: “Faz amanhã”.
  • Em 28 de outubro, 21 dias antes da liquidação do Master, Rennó afirmou que seria montado um fundo para receber ativos e ter suas cotas cedidas.
Daniel Vorcaro

Foto: Master

Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Luiz Rennó, ex-diretor jurídico da instituição, discutiram em outubro de 2025 alternativas para substituir letras financeiras do banco que estavam na carteira do Rioprevidência, responsável pelas aposentadorias e pensões de cerca de 230 mil servidores estaduais do Rio de Janeiro.

As conversas mostram que os dois trataram primeiro da possibilidade de trocar os papéis por direitos creditórios do Estado do Rio e, semanas depois, da criação de um fundo que receberia ativos e teria suas cotas cedidas. A última mensagem sobre o assunto ocorreu em 28 de outubro, 21 dias antes de o Banco Central decretar a liquidação do Master, em 18 de novembro. As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal e reveladas pelo jornal Valor Econômico.

Leia também: O que o TCE-RJ apura sobre o Genial no Rioprevidência

“Faz amanhã”

A primeira referência à troca aparece em uma conversa de 2 de outubro. Às 21h39, Rennó escreveu a Vorcaro: “Augusto me chamou para trocar a LF da rio prev por direito creditório do RJ”.

Na sequência, acrescentou: “Achei uma boa” e “Diminuímos descobertos”.

Vorcaro concordou e respondeu: “Sim”. Um minuto depois, determinou: “Faz amanhã”.

Rennó então afirmou: “Já estou tratando”.

Naquele momento, o Rioprevidência já estava sob questionamento do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro em razão da exposição ao conglomerado Master.

Seis dias depois da conversa, em 8 de outubro, o TCE-RJ determinou que o instituto não realizasse novos investimentos em instrumentos emitidos, administrados ou geridos por empresas do grupo.

Exposição ao Master era alvo de divergência

Segundo o TCE-RJ, o Rioprevidência tinha exposição de R$ 2,6 bilhões a títulos emitidos ou fundos administrados pelo conglomerado. À época, o instituto contestou esse cálculo e afirmou que aproximadamente R$ 960 milhões estavam aplicados diretamente em letras financeiras do Banco Master.

Os papéis haviam sido emitidos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. As letras financeiras não tinham cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O tamanho exato da exposição do Rioprevidência aparece de forma diferente nos documentos. Enquanto o TCE-RJ aponta R$ 2,6 bilhões, a Polícia Federal menciona, em relatório, R$ 3,7 bilhões em fundos e letras financeiras.

Fundo aparece em nova conversa

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O tema voltou às mensagens de Vorcaro e Rennó no fim daquele mês. Em 28 de outubro, Rennó escreveu: “Rioprev- eles estão definindo a quantidade- montaremos um fundo, colocaremos os ativos e cedemos as cotas”.

Seis segundos depois, acrescentou: “Faremos o mesmo em Maceió”.

O Iprev Maceió também havia investido em letras financeiras do Master. Segundo dados do Ministério da Previdência, o regime mantinha cerca de R$ 97 milhões nesses papéis.

Preocupação com Rioprevidência já aparecia em 2024

As aplicações do fundo fluminense e os questionamentos sobre a exposição ao Master já apareciam nas conversas entre Vorcaro e Rennó antes de 2025.

Em 13 de dezembro de 2024, diante da possibilidade de publicação de uma reportagem sobre o assunto, Vorcaro demonstrou preocupação com o impacto de uma notícia naquele momento.

“Não podemos deixar sair essa notícia agora”, escreveu. Na mesma conversa, afirmou que o banco teria uma “captação grande pra semana”.

Em outubro do ano seguinte, porém, as mensagens já tratavam diretamente de alternativas para substituir as letras financeiras mantidas pelo Rioprevidência.

Leia também: PF detalha mensagens e encontros entre Castro e Vorcaro durante aportes do Rioprevidência

Outros regimes também investiram no Master

Além do Rioprevidência, outros 15 regimes próprios de previdência social investiram em papéis do Master entre 2023 e 2024.

O maior volume estava concentrado no fundo dos servidores do Rio. Na sequência apareciam o Amapá Previdência, com R$ 400 milhões, e o regime previdenciário do Amazonas, com R$ 50 milhões.

Após o escândalo do Master, o governo do Rio informou que a estrutura do Rioprevidência foi revista com o objetivo de reforçar os controles internos.

Procurada pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou. A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Luiz Rennó.

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