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Vorcaro tratava pagamento ao Barci de Moraes como prioridade, mostram mensagens analisadas pela PF

Publicado 01/09/2026 • 22:56 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Daniel Vorcaro afirmou em março de 2024 que o pagamento ao Barci de Moraes era “o mais importante” do Banco Master e não poderia atrasar um dia.
  • Na mesma sequência, banqueiro disse a uma funcionária que o escritório poderia ser pago “sempre, sem nota” e “do jeito que for”.
  • Contrato previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos e estabelecia que os pagamentos seriam feitos mediante apresentação de nota fiscal.

Daniel Vorcaro tratava os pagamentos ao escritório Barci de Moraes como prioridade dentro do Banco Master e cobrava funcionários para que os repasses não sofressem atrasos, segundo mensagens analisadas pela Polícia Federal.

Em 15 de março de 2024, o banqueiro afirmou a uma funcionária que o pagamento ao escritório ligado a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não poderia “atrasar um dia”.

“É o pgto mais importante que temos”, escreveu Vorcaro, segundo a transcrição feita pela PF. Na sequência, acrescentou: “Pode pagar sempre, sem nota” e “Do jeito que for”.

As mensagens estão no relatório produzido pela Polícia Federal a partir da análise do celular apreendido com Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero.

Cobrança ocorreu após mensagem de Fábio Faria

A sequência registrada pela PF começa quando o ex-ministro das Comunicações e chefe do SBT News, Fábio Faria, escreveu a Vorcaro: “O careca não pode atrasar”.

O relatório não identifica quem Faria chamava de “careca”.

Imediatamente depois da mensagem de Faria, segundo a cronologia reconstruída pela PF, Vorcaro procurou Angelo Silva, funcionário que tratava dos pagamentos.

A própria legenda usada pelos investigadores para a conversa afirma que Vorcaro disse a Angelo que o contrato do Barci de Moraes era “o mais importante” e determinou que o pagamento fosse feito imediatamente.

Poucos minutos depois, Vorcaro repetiu a cobrança a uma funcionária salva em seu telefone como “Romy Banco Master”, afirmando que o pagamento não poderia atrasar um dia.

Romy então enviou ao banqueiro o registro de uma transferência do Banco Master para o Barci de Moraes no valor de R$ 3.422.268,14.

Primeiro pagamento ocorreu em fevereiro

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As cobranças faziam parte de um contrato assinado entre o Banco Master e o Barci de Moraes no início de 2024.

Em 8 de fevereiro daquele ano, Vorcaro pediu ao cunhado Fabiano Zettel o “contrato barci moraes assinado” e perguntou quando deveria ocorrer o primeiro pagamento.

No mesmo dia, Angelo Silva enviou ao banqueiro um comprovante de transferência de R$ 3.422.268,14 para a conta do escritório no Banco Itaú. A PF identifica a operação como o primeiro pagamento relacionado ao contrato.

O contrato previa duração de três anos e pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos ao Barci de Moraes.

Considerada a tributação prevista no instrumento, o valor bruto de cada parcela era de aproximadamente R$ 3,65 milhões. O próprio contrato estabelecia que os pagamentos seriam realizados mediante apresentação de nota fiscal de serviços.

Pagamento antecipado antes da nota

Em outro diálogo reproduzido pelos investigadores, Angelo Silva informou a Vorcaro que um pagamento ao Barci de Moraes seria antecipado, antes do envio da nota fiscal.

Em abril de 2025, Vorcaro voltou a tratar do contrato. Meses depois, em julho, o relatório registra outro pagamento ao escritório no valor de R$ 3.422.268,14.

A preocupação do banqueiro com a forma dos repasses aparece novamente em outubro de 2025. Depois de ser informado por Alberto Felix de que o Barci havia sido pago, Vorcaro orientou que os valores destinados ao escritório não fossem transferidos por Pix.

Contrato com o Master

O primeiro contrato localizado pela Polícia Federal previa que o Barci de Moraes atuasse em diferentes frentes de interesse do Banco Master, incluindo procedimentos e inquéritos policiais, processos administrativos perante órgãos como Banco Central, Receita Federal e Cade e ações judiciais em todas as instâncias.

A PF também localizou posteriormente outro contrato, firmado entre o Barci de Moraes e a Viking Participações, empresa representada por Vorcaro, no valor de até R$ 50 milhões.

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