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Pragmático, Musk abraça a ‘Misanthropic’ com parceria bilionária e, na mesma semana, enterra a xAI em silêncio

Publicado 07/05/2026 • 14:30 | Atualizado há 54 minutos

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Allan Ravagnani

Redator

Allan Ravagnani é jornalista há 20 anos, duas vezes eleito entre os 50 jornalistas de Economia mais admirados do Brasil. Assina a coluna AI-451 e é repórter do Times Brasil | CNBC. Estudou Publicidade na ESPM e Jornalismo na Fapcom, fez pós-graduações em Macroeconomia, Finanças e Ciência Política.

KEY POINTS

  • Musk fecha parceria bilionária com Anthropic meses depois de chamar a empresa de "Misanthropic" e hostil à civilização ocidental
  • xAI, avaliada em US$ 250 bilhões, perde independência e vira departamento da SpaceX enquanto Grok perde usuários para rivais
  • Agentes Claude ganham capacidade de "sonhar" entre sessões, reorganizando memória e aprendendo de forma contínua sem intervenção
Pragmático, Musk abraça a 'Misanthropic' com parceria bilionária e, na mesma semana, enterra a xAI em silêncio

imagem gerada pelo Gemini

Pragmático, Musk abraça a 'Misanthropic' com parceria bilionária e, na mesma semana, enterra a xAI em silêncio

Não é exatamente fácil datar o momento em que Elon Musk decidiu que a Anthropic era uma ameaça à civilização, mas os registros estão todos lá, arquivados com a permanência involuntária que só a internet oferece. Em algum ponto dos últimos dois anos, ele postou que a empresa deveria ser chamada de "Misanthropic" e acrescentou, com a precisão dramática que cultiva nas redes, que a startup "odeia a civilização ocidental".

Era o tipo de frase que não deixava muito espaço para uma parceria de negócios subsequente.

Na quarta-feira (7), porém, a Anthropic anunciou que alugou a totalidade do Colossus 1, o data center da SpaceX em Memphis, Tennessee, com mais de 220 mil GPUs Nvidia disponíveis no prazo de um mês. Em resposta, Musk publicou que a SpaceX fornecerá computação a "empresas de IA que estão tomando as medidas certas para garantir que ela seja boa para a humanidade", reservando o direito de reaver os recursos caso a IA "prejudique a humanidade".

Agora é o tipo de declaração que não desfaz o histórico, mas o ignora com pragmatismo suficiente para assinar um contrato.

O negócio tem uma lógica que independe da retórica. A xAI havia migrado o treinamento dos seus modelos para o Colossus 2, um data center mais novo e maior, e o Colossus 1 ficou ocioso. Alugar a infraestrutura parada para a Anthropic, empresa que enfrenta gargalos sérios de capacidade computacional, transforma um ativo encalhado em receita recorrente.

Para a Anthropic, o acordo resolve de uma vez algo que a empresa vinha contornando com múltiplos contratos menores com Amazon, Google, Microsoft e Nvidia. Com 220 mil GPUs chegando online em menos de um mês, os limites de uso do Claude Code dobram imediatamente para os planos pagos, e as restrições de horário de pico foram removidas.

A morte lenta da xAI

O outro capítulo de Elon Musk na semana chegou sem o mesmo estardalhaço, mas com consequências mais definitivas. A xAI, empresa que Musk fundou para enfrentar a OpenAI na corrida pelos modelos de linguagem, deixou de existir como entidade independente.

Foi absorvida pela SpaceXAI, nome que o guarda-chuva de Musk agora usa para acomodar tudo que envolve inteligência artificial, do Grok à computação orbital. Uma empresa que, em seu auge de avaliação especulativa, chegou perto dos US$ 250 bilhões, tornou-se um departamento.

Sem colapso dramático, sem anúncio de falência, sem manchete de crise. Simplesmente foi engolida pela estrutura maior.

O que explica a trajetória é menos mistério do que parece. O Grok, produto principal da xAI, perdeu usuários de forma consistente ao longo de 2026, depois de uma série de episódios ruins de geração de imagem que desgastaram a reputação do serviço.

Enquanto isso, o Claude Code, o Cursor e os agentes da Anthropic e da OpenAI foram ocupando o espaço onde a xAI poderia ter se diferenciado: a execução de trabalho real, não apenas a conversa. Após assistir o mercado migrar de chatbot para agente de trabalho, o Grok ficou parado no ponto errado da estrada. Quando 220 mil GPUs valem mais como receita de aluguel do que como infraestrutura de desenvolvimento próprio, a lógica empresarial e o pragmatismo venceram - como sempre fazem - a ideologia de gogó.


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