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Operações da PF

Genial tem R$ 176 milhões bloqueados em investigação que liga banco ao esquema do PCC

Publicado 04/05/2026 • 09:11 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Fazenda paulista bloqueia R$ 176 milhões do Genial em ação ligada à Operação Carbono Oculto e ao PCC.
  • Áster e Copape são investigadas na Operação Carbono Oculto por sonegação fiscal e organização criminosa.
  • Genial nega irregularidades e afirma atuar em conformidade com normas do mercado financeiro.

A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo bloqueou R$ 176 milhões do grupo Genial Investimentos como parte de uma ação cautelar fiscal vinculada à Operação Carbono Oculto, investigação que apura a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no mercado financeiro

A ação mira as empresas Áster e Copape, dos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos como Primo e Beto Louco, apontados pelo Ministério Público de São Paulo como os principais alvos da operação. Pela ação cautelar, a Fazenda paulista tenta recuperar R$ 7,6 bilhões em ICMS, valor que inclui juros e multa.

As informações são da coluna de Mariana Barbosa, do portal UOL, publicada nesta segunda-feira (4).

Leia também: Banco Genial na mira: MP pede 90 dias para concluir inquérito que liga Faria Lima ao PCC

Áster e Copape são alvo da Operação Carbono Oculto

A Áster, distribuidora de combustíveis, e a Copape, formuladora do setor, são investigadas na Operação Carbono Oculto por suspeita de sonegação fiscal e organização criminosa. Segundo a coluna, a Genial Investimentos teria passado a fazer negócios com Primo e Beto Louco a partir do segundo semestre de 2024, quando os dois se desentenderam com João Carlos Mansur, dono da Reag, até então a principal gestora utilizada pelos empresários.

Ao migrarem para a Genial, os investigados teriam levado também um FIDC de cerca de R$ 500 milhões atrelado a uma carteira de consignados do Banco Master, de acordo com a publicação.

Estrutura envolve CDBs, fundo e imóveis em São Paulo

Conforme descrito na coluna, o dinheiro bloqueado corresponde a uma operação de emissão de CDB vinculada a um empréstimo com o mesmo grupo. A usina Itajobi, pertencente ao grupo Copape e Áster, investiu R$ 176 milhões em CDBs do Genial por meio do fundo Radford, posteriormente bloqueado na ação movida pela Fazenda.

Em seguida, segundo a publicação, o Genial teria emprestado recursos via CCB, com garantia do mesmo CDB comprado pelo Radford, para uma empresa chamada Berna, que adquiriu quotas do fundo Los Angeles, então administrado pela Reag e posteriormente rebatizado de Lucerna, com gestão transferida para a Banvox.

A Berna detém cerca de 20 imóveis avaliados em mais de R$ 200 milhões, incluindo terrenos nos bairros do Tremembé e da Vila Guilherme, na zona leste de São Paulo, além de postos de gasolina. Segundo registros em cartório, os imóveis estão alienados fiduciariamente ao Genial como garantia do empréstimo. A operação, conforme a coluna, sugere que recursos dos próprios investigados teriam sido usados para adquirir bens em estrutura apontada pelas autoridades como destinada à lavagem, ocultação e blindagem patrimonial.

Tentativa de desfazer operações foi considerada fraude

Na noite de quarta-feira (28) de agosto de 2025, durante a Operação Carbono Oculto, o Genial teria tentado desfazer as duas operações alegando que a ordem de desfazimento havia sido dada em data anterior. A procuradoria, no entanto, considerou a manobra uma “fraude à ordem de execução” e determinou o bloqueio dos valores, segundo consta nos autos do processo citados pela publicação. O Genial recorreu, mas perdeu. A última decisão foi proferida em 9 de janeiro.

Carbono Oculto: a maior operação contra o crime organizado do país

Deflagrada em 28 de agosto de 2025 pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, a Operação Carbono Oculto é considerada a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil. Com 1.400 agentes em campo, a ação mirou 350 pessoas e empresas em oito estados, investigadas por suspeita de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e crimes contra a ordem econômica.

Segundo as apurações, o PCC controlava pelo menos 40 fundos de investimento com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões e operava uma fintech que funcionava como banco paralelo da organização, movimentando sozinha R$ 46 bilhões não rastreáveis entre 2020 e 2024. O valor total de tributos sonegados ultrapassa R$ 7,5 bilhões.

Em abril de 2026, o MPSP pediu prorrogação de até 90 dias para concluir as investigações, que correm sob sigilo. O procurador-geral de Justiça de São Paulo sinalizou que o escopo vai além de empresários, com agentes públicos e possivelmente políticos também no radar das apurações.

Divulgação / RF

Banco nega irregularidades e diz colaborar com autoridades

Em nota ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC o Banco Genial afirmou atuar “em estrita conformidade com as normas do mercado financeiro, pautando suas atividades por elevados padrões de governança, transparência e controles internos”. Sobre a Operação Carbono Oculto, o Genial afirmou que tem “colaborado com as autoridades desde que tomou conhecimento dos fatos”.

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