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Chega de metas que morrem no Carnaval: o erro que vai custar caro em 2026
Publicado 02/01/2026 • 17:05 | Atualizado há 2 meses
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Caderno de metas
A cada virada de ano, vejo executivos brilhantes da Faria Lima repetirem o mesmo ritual: metas ambiciosas, planilhas impecáveis, OKRs bem definidos.
Ainda assim, boa parte dessas estratégias morre antes do Carnaval. Não por falta de inteligência, capital ou método, mas por um erro estrutural: planejar resultados sem revisar a própria identidade de quem vai executá-los.
Ao longo de mais de duas décadas trabalhando com líderes e empresários, aprendi que o próximo ano não começa no calendário. Ele começa na consciência. E isso não é discurso abstrato. Pesquisas da Harvard Business Review indicam que metas desconectadas da identidade e do modo real de operar do líder têm até três vezes menos chance de execução consistente. O problema não está no plano. Está na mente que tenta sustentá-lo.
No mercado financeiro, onde decisões são tomadas sob pressão, identidade não é conceito filosófico, é infraestrutura invisível de performance. Ela sustenta disciplina, coerência e capacidade de atravessar a volatilidade. Quando um líder tenta operar em um nível de entrega maior do que sua identidade comporta, a execução falha cedo. A agenda trava, a procrastinação aparece, a ansiedade cresce. O plano até é bom, mas não se sustenta.
Costumo provocar com uma pergunta simples, que incomoda mais do que qualquer KPI: a pessoa que você está levando para 2026 sustenta o patrimônio, a responsabilidade e o impacto que você deseja construir? Se a resposta for incerta, o planejamento já nasce frágil.
Outro ponto negligenciado no ambiente corporativo é o propósito. Não como slogan de ESG ou frase de PowerPoint, mas como eixo prático de decisão. Um levantamento da McKinsey mostra que líderes que revisitam o próprio propósito de forma estruturada apresentam níveis significativamente maiores de clareza em decisões estratégicas complexas. Na prática, o propósito reduz ruído, organiza prioridades e diminui decisões reativas, algo crítico em ambientes de alta pressão como o mercado financeiro.
Quando o propósito falta, a execução se dispersa. Quando está claro, ele funciona como filtro silencioso do que entra, do que não entra, onde investir energia, onde dizer não. Planejamento não é fazer mais. É fazer o que aproxima você da identidade necessária para sustentar o próximo nível.
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No meu trabalho, organizo o fechamento e a abertura de ciclos em três blocos objetivos. O primeiro é encerrar: eliminar excessos, padrões emocionais improdutivos e projetos que drenam energia sem retorno.
O segundo é consolidar: fortalecer o que funcionou, processos que geraram resultado e comportamentos que sustentaram a performance.
O terceiro é iniciar: decisões estratégicas e movimentos que constroem o novo ciclo. Sem esse rito, líderes carregam ruídos antigos para o ano seguinte e pagam o preço na execução.
Há ainda um fator que o mercado financeiro conhece bem, mas raramente admite: o ambiente. Estudos da Harvard Business School mostram que ambientes de alta performance podem elevar em até 60% a capacidade de execução das equipes. Não se trata apenas de talento individual, mas de ambiência decisória: conversas qualificadas, referências altas, gente que sustenta decisões grandes. Ninguém falha pela meta. Falha pelo ambiente que não sustenta a meta.
Encerrar um ano não é fechar balanço. É tomar decisões estruturantes. Decisão é destino. E nenhuma meta supera a força de uma decisão verdadeira. Se você entrar em 2026 igual, o resultado tende a ser igual. Para a Faria Lima, onde o custo do erro é alto, alinhar identidade, propósito e ambiente não é luxo conceitual. É estratégia de valor.
Fernanda Tochetto é psicóloga e empresária. Especialista em mentalidade de alta performance. Fundadora do Tittanium Club e cofundadora da Mentoring League Society (MLS), a maior liga de mentores do Brasil.
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