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A morte de Valentino Garavani e o legado eterno de um dos maiores criadores da moda mundial
Publicado 31/01/2026 • 21:36 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 31/01/2026 • 21:36 | Atualizado há 2 semanas
A moda mundial se despede de um de seus maiores arquitetos de beleza, elegância e identidade. A morte de Valentino Garavani em 19 de janeiro de 2026, marca o fim de uma era, mas não o fim de sua influência. Seu legado, reafirmado simbolicamente no desfile de haute couture apresentado em Paris anteontem, permanece vivo como um código eterno da moda.
Valentino não foi apenas um estilista. Foi um construtor de imaginários, um mestre que transformou a alta-costura em linguagem universal de poder, feminilidade e sofisticação.
O funeral do estilista, que faleceu aos 93 anos, reuniu figuras centrais mundiais da cultura e da moda em Roma: Anne Hathaway, Tom Ford, Bruno Astuto, Anna Wintour, Donatella Versace, Alessandro Michele, Pierpaolo Piccioli.
Nascido em 1932, na Itália, Valentino construiu sua carreira entre Roma e Paris, absorvendo o rigor da alta-costura francesa e fundindo isso com o drama, a sensualidade e o refinamento italianos. Fundou sua maison nos anos 1960 e rapidamente conquistou a aristocracia europeia, estrelas de cinema, primeiras-damas e mulheres que entendiam a moda como extensão de identidade.
Vestir Valentino nunca foi apenas vestir uma roupa, foi habitar um estado de espírito. Sobre como uma mulher se sente.
Poucos criadores conseguiram criar um código tão reconhecível. O Vermelho Valentino é mais do que uma cor, ele representa emoção, presença e autoridade feminina. Um vermelho que domina o ambiente.
Esse domínio cromático virou símbolo de sua genialidade: Valentino entendia que moda é percepção, e percepção é poder.
O tão famoso Vermelho Valentino nasceu em 1959, quando o jovem Valentino Garavani, ainda estudante, foi tocado pela intensidade de um vestido vermelho de veludo na plateia da ópera Carmen em Barcelona, e esse momento mudaria para sempre a história da moda. Ele trouxe a cor em sua primeira coleção, no mesmo ano, e ela se tornou uma assinatura. O vermelho se transformou em sua linguagem própria e um dos códigos de estilo mais reconhecidos do mundo. O Valentino Red foi tão emblemático que foi reconhecido pela escala de cores da Pantone.

Valentino sempre defendeu a alta-costura como o último reduto do feito à mão, da precisão quase obsessiva e do tempo como luxo absoluto.
Seus vestidos eram construções arquitetônicas: bordados minuciosos, cortes impecáveis, volumes pensados para o movimento e para a luz.
Em um mundo cada vez mais acelerado, ele insistiu no valor da lentidão, do silêncio e da excelência.
Leia mais artigos da coluna Up Market por Danni Rudz
O desfile de haute couture apresentado quarta-feira (28) em Paris, ganhou, após sua morte, um peso histórico ainda maior. Mais do que uma coleção, foi lido como um ato de reverência ao fundador.
Uma instalação artística que desafiou a forma como consumimos a moda. Alessandro Michele, em sua segunda incursão na Alta-Costura da Maison, provou por que é o mestre do espetáculo intelectual ao ressuscitar o Kaiserpanorama, um dispositivo pré-cinematográfico do final do século XIX, para apresentar sua coleção de Verão 2026.
Michele abandonou a passarela convencional. No local do desfile, os convidados foram posicionados diante de estruturas cilíndricas de madeira com pequenas janelas e lentes. Para ver a coleção, era preciso encostar o rosto no visor e observar, de forma isolada e íntima, as modelos que se apresentavam em salas reservadas.
Essa escolha foi um manifesto contra o excesso de distrações e informações que somos submetidos hoje em dia. Ao usar o Kaiserpanorama, Michele obrigou o público a parar, focar e realmente olhar para o detalhe. Em suas palavras: "As pessoas na moda são voyeurs". Ele capturou essa pulsão e a transformou em um exercício de atenção radical à técnica artesanal.

A coleção, intitulada "Specula Mundi", foi uma homenagem póstuma e sensível ao legado de Valentino Garavani. Michele buscou referências nos anos 1930, 1940 e 1980, eras em que o Sr. Valentino definiu a silhueta da mulher deusa.
Este desfile consolidou Michele como o "guardião do mito" Valentino. Foi um desfile que não tentou ser tendência, tentou ser eterno. E conseguiu.
Valentino moldou o que hoje entendemos como luxo clássico contemporâneo.
Em um mercado cada vez mais guiado por algoritmos, Valentino lembrava que moda nasce do olhar humano.
A morte de Valentino não encerra sua história. Seu legado vive nos arquivos da maison, nas criações que continuam a desfilar em Paris e, principalmente, na forma como entendemos elegância hoje.
Valentino nos ensinou que moda é sobre intenção e presença.
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