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A nova era dos supermercados wellness: como o varejo transformou alimentação saudável em experiência de luxo
Publicado 05/07/2026 • 07:17 | Atualizado há 10 horas
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Publicado 05/07/2026 • 07:17 | Atualizado há 10 horas
Foto: Erewhon
Durante décadas, supermercados foram vistos como espaços essencialmente funcionais,
onde preço, variedade e conveniência determinavam a escolha do consumidor.
Nos últimos anos, porém, um novo modelo de negócio começou a ganhar força nos Estados
Unidos. Redes especializadas em alimentação saudável passaram a disputar não apenas
clientes, mas um espaço na construção da identidade de consumo de uma geração que
valoriza bem-estar, longevidade, sustentabilidade e experiências.
Nesse novo cenário, o supermercado deixa de ser apenas um ponto de abastecimento para
se transformar em um ambiente de convivência, descoberta e pertencimento.
Arquitetura, design, gastronomia, curadoria de produtos e branding passam a desempenhar
um papel tão importante quanto o mix de alimentos oferecido.
O movimento acompanha a expansão global da economia do bem-estar, a Wellness
Economy, um mercado que movimenta trilhões de dólares e vem influenciando setores como
alimentação, moda, turismo, beleza, arquitetura e varejo.
Conheça alguns dos principais cases que simbolizam essa transformação.
O Erewhon é hoje o principal exemplo desse novo conceito de varejo.
Com 11 lojas na região de Los Angeles, a rede se tornou um dos endereços mais desejados
entre celebridades, influenciadores e consumidores interessados em um estilo de vida ligado
ao wellness.
Seu produto mais famoso são os smoothies desenvolvidos em parceria com celebridades
como Hailey Bieber, Kylie Jenner e Sabrina Carpenter. Cada lançamento movimenta filas e
costuma gerar enorme repercussão nas redes sociais, mesmo custando cerca de US$ 20 por
unidade.
Mais do que vender uma bebida, o Erewhon comercializa pertencimento. Consumir seus
produtos tornou-se uma forma de comunicar hábitos, valores e um determinado estilo de vida.
O posicionamento do supermercado ficou ainda mais evidente com a recente parceria de
longo prazo firmada com a On, empresa suíça referência no segmento esportivo.
A colaboração reúne corrida, recuperação física, nutrição, ativações presenciais e bebidas
desenvolvidas em conjunto.
A estratégia demonstra que o supermercado passou a ocupar um espaço muito além da
alimentação, tornando-se um ponto de encontro para comunidades que compartilham
interesses relacionados ao bem-estar.
A tendência também desembarcou na Flórida.
O Nude Market abriu as portas em Miami propondo um novo olhar sobre alimentação
saudável.
Com aproximadamente 500 metros quadrados, o espaço reúne produtos orgânicos, alimentos
livres de organismos geneticamente modificados e um hot bar desenvolvido com foco em
ingredientes naturais e processos considerados menos industrializados.
A proposta vai além da venda de alimentos. O ambiente foi pensado para traduzir um estilo de
vida saudável em todos os detalhes da experiência do consumidor.
Em West Hollywood, o Laurel Supply segue uma lógica semelhante.
A loja aposta em arquitetura contemporânea, iluminação natural, vigas aparentes e um forno a
lenha visível de praticamente todos os ambientes.
Cada elemento do espaço reforça a identidade da marca e transforma uma atividade
cotidiana, que é fazer compras, em uma experiência alinhada ao universo do wellness.
Nesse modelo, o ambiente passa a comunicar tanto quanto os produtos.
Os três exemplos mostram uma mudança importante no comportamento do consumidor.
Durante muito tempo, o luxo esteve associado principalmente à moda, aos automóveis e aos
acessórios.
Hoje, cresce um movimento em que alimentação, bem-estar e escolhas do dia a dia também
funcionam como símbolos de identidade e posicionamento.
O supermercado passa a fazer parte dessa narrativa.
Não basta oferecer produtos saudáveis. As marcas precisam construir ambientes,
comunidades e experiências coerentes com os valores que desejam representar.
O crescimento dos supermercados wellness revela uma mudança importante na economia do
consumo.
As empresas que conseguem integrar alimentação, arquitetura, branding e comunidade criam
vínculos mais profundos com seus clientes e ampliam seu valor de marca.
Mais do que vender alimentos, essas redes vendem um estilo de vida — e mostram que, para
uma parcela crescente dos consumidores, o novo luxo também pode estar no carrinho de
compras
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