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Rabanne escolhe Olivier Rousteing e aposta na continuidade de um dos legados mais inovadores da moda

Publicado 18/07/2026 • 13:00 | Atualizado há 7 horas

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Danni Rudz

Danni Rudz é comunicadora, criadora de conteúdo, consultora de diversidade corporal e vivências raciais, palestrante, educadora e especialista em moda inclusiva.  Comentarista especialista no Times Brasil - Licenciado CNBC falando ao vivo de Mercado de Luxo e Lifestyle, todas as 6ª feiras. Membro Forbes BLK.

JULIEN DE ROSA / AFP

O francês Olivier Rousteing foi nomeado diretor artístico da Paco Rabanne. O anúncio foi feito nesta terça-feira (14) no Instagram da grife.

As mudanças na direção criativa das grandes maisons costumam movimentar o mercado de luxo. Essas escolhas revelam como uma marca pretende escrever seu próximo capítulo.

A Rabanne confirmou o estilista francês Olivier Rousteing como seu novo diretor criativo. Após quase 15 anos à frente da Balmain, Rousteing assume a maison fundada por Paco Rabanne, substituindo Julien Dossena, responsável por reposicionar a marca ao longo dos últimos 13 anos. Sua estreia acontecerá em março de 2027, durante a Semana de Moda de Paris.

A notícia ganhou destaque por marcar uma das principais movimentações recentes da indústria da moda, mas existe um aspecto que considero ainda mais interessante: a escolha parece muito menos uma ruptura e muito mais um exercício de continuidade.

Quando observamos a trajetória de Paco Rabanne e Olivier Rousteing, percebemos que ambos compartilham uma visão muito semelhante sobre o papel da moda.

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Na década de 1960, Paco Rabanne revolucionou a alta-costura ao desafiar os códigos tradicionais da época. Em vez dos tecidos convencionais, apresentou vestidos construídos em metal, plástico e materiais industriais, transformando tecnologia, arquitetura e design em linguagem de moda. Sua obra nunca esteve limitada ao vestuário; ela sempre dialogou com arte, inovação e comportamento.

Décadas depois, Olivier Rousteing construiu uma assinatura criativa igualmente reconhecível na Balmain. As silhuetas estruturadas, os ombros marcantes, os bordados metálicos e a presença constante da força feminina tornaram-se características da maison durante sua gestão.

O diálogo entre os dois criadores vai além da estética.

Paco Rabanne aproximou sua marca da cultura pop ao vestir personalidades como Jane Birkin e ao criar figurinos icônicos para o cinema, como em Barbarella. Olivier Rousteing fez o mesmo ao transformar a Balmain em uma das maisons mais presentes na música, no entretenimento e na cultura digital, vestindo nomes como Beyoncé, Cher, Rosalía e Kim Kardashian.

Existe também uma conexão importante no posicionamento de ambos em relação à diversidade.

Paco Rabanne foi um dos primeiros estilistas a incluir modelos negras em seus desfiles, em uma época em que esse gesto ainda era raro na indústria. Olivier Rousteing, um dos poucos diretores criativos negros a liderar uma grande maison francesa, construiu sua trajetória defendendo uma moda mais representativa, ampliando a presença de diferentes corpos, raças e identidades nas campanhas e passarelas.

Talvez a declaração do próprio Olivier explique por que essa escolha faz tanto sentido.

Ao assumir a Rabanne, o estilista afirmou que sempre teve Paco Rabanne como referência criativa e destacou que moda representa emoção, identidade e autoconfiança, valores que enxerga profundamente conectados à visão do fundador da maison.

Essa fala ajuda a compreender que sua chegada não acontece apenas pela força de seu currículo, mas pela afinidade entre duas formas de pensar a moda.

Para quem acompanha o mercado de luxo, essa contratação também revela uma tendência importante.

Durante muitos anos, a troca de diretores criativos era frequentemente associada à ideia de ruptura. Hoje, grandes grupos parecem buscar outro equilíbrio: preservar o patrimônio criativo das maisons enquanto renovam sua linguagem para novas gerações de consumidores.

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A criatividade continua sendo essencial, mas ela passa a conviver com outro ativo igualmente valioso: a identidade da marca.

No caso da Rabanne, a escolha de Olivier Rousteing demonstra uma compreensão clara
desse desafio. Sua trajetória dialoga com a herança construída por Paco Rabanne, ao mesmo
tempo em que sua experiência conecta a maison às linguagens contemporâneas da moda, da
cultura pop e da comunicação digital.

As grandes casas não estão apenas escolhendo estilistas. Estão escolhendo intérpretes de
sua própria história.

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