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Play Business Felipe Machado

TDT Music & Expo: a música é um grande negócio

Publicado 26/08/2026 • 17:47 | Atualizado há 3 horas

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

A 21ª edição do TDT Music & Expo, que acontece de 26 a 30 de agosto em Campinas, é a prova de que a música brasileira é uma área que movimenta não apenas emoções, mas muitos negócios.

Promovido pela Tagima, empresa que completa 40 anos em 2026, o evento reúne mais de 700 lojistas e 80 marcas no Royal Palm Hall, com projeção de movimentar mais de R$ 900 milhões em investimentos diretos e indiretos. São números que colocam o setor de instrumentos musicais lado a lado com feiras tradicionais de outros segmentos industriais que costumam ganhar muito mais destaque nas coberturas econômicas.

O primeiro ponto que chama atenção é o modelo de custeio da participação dos lojistas. Mais de 600 lojas terão passagem, hospedagem e despesas pagas pela organização. Trata-se de uma estratégia clara de aquisição de compradores: a Tagima entende que reduzir a fricção logística para o varejo aumenta a densidade de playes que tomam decidem presentes na feira, o que por sua vez potencializa o volume de negócios fechados no local. É o tipo de investimento em relacionamento comercial que costuma aparecer em setores B2B mais sofisticados, como tecnologia e agronegócio, e que agora ganha escala na cadeia musical.

O segundo ponto é o efeito multiplicador sobre a economia local. Com cerca de 10 mil visitantes esperados ao longo de cinco dias, Campinas deve sentir o impacto em hotelaria, alimentação, transporte e turismo de negócios.

A integração oficial do TDT à Semana da Música da cidade reforça uma tendência que já se observa em outras praças: prefeituras tratando eventos setoriais como vetores de desenvolvimento econômico regional, não apenas como atrações culturais isoladas. A economia criativa deixa de ser uma pauta “simbólica” e passa a compor diretamente o calendário de fomento municipal.

Vale notar também a arquitetura do evento, que divide a programação entre três dias voltados ao mercado profissional e dois dias abertos ao público, com shows de Oficina G3 e Daniela Araújo como atrações principais. Essa segmentação é típica de feiras maduras: primeiro capturar valor com o público especializado, depois converter alcance e mídia espontânea com o público geral.

O projeto Dream Stage, que coloca músicos emergentes dividindo palco com nomes consagrados, cumpre função semelhante à de programas de mentoria em outros setores, criando ponte entre novos talentos e o mercado que já está estabelecido.

Ao longo de 21 edições, o TDT Music & Expo documenta a maturação da cadeia produtiva da música no Brasil, que vai muito além do artista no palco. Fabricação de instrumentos, distribuição, varejo especializado, educação musical e produção de conteúdo compõem um ecossistema que gera empregos e circulação de capital de forma consistente, ainda que raramente surja nos radares do mercado financeiro tradicional.

É por isso que escolhi tratar do evento aqui na coluna Play Business: além de analisar o lado econômico, sou músico e conheço bem a força desse setor. Parabéns à Tagima pela iniciativa e bons negócios a todos.

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