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O legado milionário de Elvis Presley chega ao Brasil
Publicado 31/07/2026 • 20:45 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 31/07/2026 • 20:45 | Atualizado há 2 horas
Foto: NBC
Elvis Presley morreu em 1977. Quase cinco décadas depois, seu nome continua movimentando um negócio bilionário de licenciamento, turismo e entretenimento ao vivo. E o Brasil se tornou peça central dessa estratégia global de monetização de legado.
A partir de outubro, o espetáculo Elvis in Concert passa por seis capitais brasileiras: São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. Em paralelo, a exposição oficial Elvis Direto de Graceland estreia em Porto Alegre em 2 de outubro, com passagem também por São Paulo e Curitiba entre 2026 e 2027. O calendário não é aleatório. Em 2027, a indústria vai celebrar os 50 anos da morte do artista, data que costuma turbinar vendas de licenciados, streaming e memorabilia de ícones da música.
O modelo de negócio por trás da operação é conhecido no mercado do entretenimento como legacy IP, ou propriedade intelectual de legado. Artistas mortos continuam gerando receita através de shows com holograma ou telão, licenciamento de imagem, exposições itinerantes e venda de produtos oficiais. Michael Jackson, Whitney Houston e a própria Abba, com seu projeto de avatares digitais, já provaram que esse modelo pode superar em faturamento a carreira em vida do artista.
No caso de Elvis, a exposição que chega a Porto Alegre ocupará mil metros quadrados no Multiverso Experience, no Cais Embarcadero, com mais de 400 itens originais vindos dos Arquivos de Graceland. Entre as peças estão a Ferrari Dino GT4 de 1975, o uniforme militar do cantor e figurinos usados em filmes de Hollywood. É a mesma lógica dos grandes museus temáticos de marca, transformar acervo pessoal em experiência paga e escalável.
O concerto, por sua vez, aposta em nostalgia com tecnologia. Elvis aparece em telão com imagem e som remasterizados, acompanhado ao vivo por uma orquestra de 30 músicos. A produção resgata a presença de Jerry Scheff, baixista da banda original de Elvis entre 1969 e 1977, hoje aos 85 anos. Scheff também tocou com Bob Dylan e gravou baixo em Riders on the Storm, do The Doors, detalhe que amplia o apelo do produto para públicos de diferentes gerações.
Os números da primeira passagem do espetáculo pelo Brasil, em 2012, ajudam a explicar o interesse comercial na repetição da fórmula. Na época, o show lotou o Ginásio do Ibirapuera e o Maracanãzinho, somando mais de 50 mil espectadores. Um público que sinaliza demanda reprimida por experiências ao vivo ligadas a ícones do rock clássico, segmento que voltou a crescer no país com giros de bandas como Iron Maiden e Guns N' Roses.
A estratégia comercial de lançamento também segue um manual testado no mercado de eventos. A pré-venda começa em 13 de agosto às 10h, com desconto de 10%, restrita a quem se inscreve em um grupo VIP. A venda geral só abre em 17 de agosto. É o modelo de escassez controlada, usado para gerar buzz antecipado e capturar o público mais engajado antes da exposição de massa.
A operação nasce de uma parceria entre a Elvis Presley Enterprises, gestora do espólio do artista, e o grupo WOW do Brasil. Para a companhia americana, o país representa uma das maiores bases de fãs de Elvis do mundo, argumento que justifica investir simultaneamente em dois formatos de monetização, turnê e exposição, dentro da mesma janela de tempo.
Com o cinquentenário da morte se aproximando em 2027, a expectativa do mercado é de um novo ciclo global de relançamentos, documentários e parcerias comerciais em torno do nome Elvis Presley. O Brasil, ao antecipar o movimento, se posiciona como um dos primeiros mercados a testar o apetite do público para essa nova onda de consumo cultural.
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