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Muito além dos livros: 24ª FLIP movimenta turismo, editoras e patrocínios

Publicado 21/07/2026 • 21:30 | Atualizado há 49 minutos

Foto de Felipe Machado

Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

Foto: Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)

A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre 22 e 26 de julho, deixou há muito tempo de ser apenas uma vitrine literária. É um evento capaz de injetar milhões de reais no mercado, com venda de ingressos, turismo, investimento de editoras e patrocínios.

A escolha da autora homenageada segue como o principal gatilho comercial do evento. Neste ano a escolhida é a poeta paulista Orides Fontela, morta em 1998, autora de “Alba”, Prêmio Jabuti em 1983. A Editora Hedra, aliás, relança sua obra completa em 2026. É uma estratégia clássica da FLIP, que reaquece o catálogo do autor celebrado e movimenta receita em reedições que, sem o selo do evento, dificilmente voltariam ao mercado com esse volume.

O calendário paralelo reforça a lógica de negócio. Pelo décimo ano consecutivo, a FLIP e o Sesc-SP realizam o Ciclo da Autora Homenageada em São Paulo, um aquecimento de público antes da abertura em Paraty. A estrutura de parceiros também cresceu. São 44 Casas com programação própria neste ano, incluindo a novidade Casa Paraty, dedicada à cultura local. Cada Casa opera como patrocínio segmentado, modelo que multiplica pontos de contato comercial sem sobrecarregar o programa principal, que reúne 21 mesas.

O elenco internacional, com Zadie Smith e Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões 2025, e o nacional, com a ministra do STF Cármen Lúcia, confirmam a FLIP como o evento literário brasileiro com maior capacidade de atrair mídia internacional e autoridades públicas na mesma programação. Há ainda Milton Hatoum, Drauzio Varella e Hisham Matar, entre outras estrelas literárias.

O pano de fundo é um mercado editorial em recuperação de receita, mas não, na mesma proporção, de leitores. Segundo a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, o setor faturou R$ 4,5 bilhões em vendas ao mercado em 2025, alta nominal de 7,7% e real de 3,3%, com 185 milhões de exemplares vendidos, aumento de 6,5%. O preço médio do livro subiu para R$ 24,38. As livrarias físicas cresceram 12,4% em faturamento e já respondem por 28,9% da receita das editoras, enquanto o digital fatura R$ 453,7 milhões, com 149 mil títulos disponíveis. O crescimento em receita convive com queda estrutural de leitores, de 56% da população em 2015 para 46% em 2024, sustentado por descontos médios de 23,9% no varejo.

Nesse cenário, a FLIP funciona como contrapeso simbólico e comercial. Um evento que reúne grande público, mídia internacional e patrocinadores em torno do livro físico vale mais justamente porque a base de leitores regulares está encolhendo. Cada mesa lotada em Paraty é um argumento de venda para editoras que competem por atenção em um mercado cada vez mais concentrado em poucos títulos de entretenimento e reimpressões, e um lembrete de que cultura e negócio, na FLIP, seguem a mesma pauta.

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