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Turismo musical: reservar hotel de última hora é mais econômico

Publicado 09/06/2026 • 08:30 | Atualizado há 5 horas

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

Pessoas em show ao vivo

Foto: Freepik

Viajar ao exterior para ver festivais de rock no exterior virou tendência forte entre o público roqueiro. O turismo musical é hoje um dos segmentos de maior crescimento no mundo. O mercado global foi avaliado em US$ 94,8 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 475 bilhões até 2034, impulsionado exatamente pelo perfil de viajante que planeja o roteiro em torno de um festival.

O brasileiro está antenado com essa tendência. O segundo trimestre do ano, que coincide com o calendário de festivais no hemisfério norte, teve alta de 16,77% em 2025 e o turismo musical é um dos motores desse movimento. Glastonbury, Download, Wacken, Primavera Sound.

Nessas viagens, a primeira coisa é garantir o ingresso, comprando com o máximo de antecedência possível. Mas e a hospedagem? Um novo levantamento revela que a ideia de reservar o hotel muito tempo antes da viagem para garantir os melhores preços é um mito.

O Hotel Price Index 2026, levantamento anual da Hoteis.com com dados de 11 mil viajantes em nove países, traz um retrato fascinante sobre uma mudança de comportamento que vai muito além do preço. Diz respeito à cultura e sobre como o brasileiro mudou sua relação com as viagens.

O dado mais revelador? Quem reserva hotel de 0 a 7 dias antes da viagem paga, em média, 48% menos do que quem planeja com mais de quatro meses de antecedência. Para hospedagens quatro estrelas, a economia média chega a 37%. É o fim do mito do planejamento antecipado como sinônimo de economia. A espontaneidade, como um improviso em um show de jazz, virou estratégia.

Decidir uma viagem de última hora pode valer a pena. O poder de decidir na quinta-feira que você vai estar em um show no domingo, e pagar menos por isso do que pagaria se tivesse decidido em março. A pesquisa do Hoteis.com confirma que quinta-feira é o dia mais barato para iniciar uma estadia no Brasil. Sábado é o mais caro.

Esse comportamento tem uma lógica cultural importante. O brasileiro de hoje, especialmente quem circula pelas capitais e tem acesso à economia criativa, vive em modo de curadoria permanente. Escolhe show, festival, exposição e roteiro com a mesma lógica editorial com que monta um feed ou seleciona uma playlist. Viajar entrou nessa equação.

No front doméstico, o HPI 2026 reposiciona cidades que o turismo de negócios esqueceu de romantizar. Porto Alegre lidera o ranking de custo-benefício em hotéis cinco estrelas no Brasil, com diária média de R$ 456. São Luís aparece logo atrás, com R$ 705. Curitiba, Brasília e Gramado completam a lista.

No exterior, os preços caem. Chiang Mai, Guangzhou e Las Vegas registram recuo de 20% em 2026 em relação ao ano anterior. Bangkok, Toronto e Cartagena caem 15%. Para quem tem passaporte em dia e datas flexíveis, 2026 pode ser o melhor ano da última década para viajar bem gastando menos.

E tem um timing específico que o HPI aponta com precisão cirúrgica: a primeira semana de junho é o período mais barato do ano para viajar dentro do Brasil. O pós-Carnaval também entrega boas janelas. No campo internacional, fevereiro concentra as tarifas médias mais baixas do ano. Curiosamente, são as mesmas janelas que quem frequenta festivais culturais já conhece bem: o intervalo entre os grandes eventos é sempre onde estão as melhores ofertas.

Agora é só escolher seu festival favorito e garantir o ingresso. Quanto à escolha do hotel, quem quiser um bom negócio pode esperar mais um pouco.

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