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Raphael Coraccini

IA ameaça empregos qualificados e pressiona setor financeiro nas bolsas

Publicado 24/02/2026 • 12:20 | Atualizado há 2 horas

Foto de Raphael Coraccini

Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Robô humanóide trabalhando em um laboratório de engenharia

Imagem criada como IA generativo

A tese de que a inteligência está deixando de ser escassa ganhou novo capítulo. O relatório da Citrini Research aponta que a automação avançada pode atingir economistas, engenheiros, jornalistas e executivos — inclusive CEOs. O impacto imediato foi sentido nas ações de bancos americanos e no IFNC brasileiro, refletindo o temor de queda futura no consumo e no crédito.

Relatório chamado “Crise global da inteligência 2028” da consultoria Citrini Research, que se apresenta como um "exercício de pensamento sobre a história financeira, do futuro", alegou que o mundo pode sentir um impacto nas profissões que são responsáveis por gerar a maior parte da renda voltadq ao consumo.

"A inteligência daquilo que sempre soubemos fazer sempre foi algo escasso", diz o documento. Vitor Souza, analista de ações da Genial Investimentos, menciona riscos relacionados a profissões como qs de economista, advogado, jornalista, dentista, entre outros, que estão sob risco.

“Com as inteligências artificiais, a inteligência passa a ser abundante, e por um custo marginal cada vez menor", acrescenta o analista.

As novas tecnologias em IA passam a atingir frontalmente os setores mais especializados da economia e suas profissões, chamadas white collor jobs. Poucos dias antes da divulgação do relatório, Sam Altman, o CEO da OpenAI, disse, durante o AI Impact Summit, em Nova Déli, na Índia, que nem mesmo o cargo de CEO está a salvo da IA.

Segundo o relatório da Citrini, isso já está acontecendo na economia americana.

"Trabalhadores de colarinho branco representam 50% dos empregos e 75% do consumo discricionário", diz o relatório. Isso inclui setores de bens de consumo duráveis, que rodam em função do crédito. Isso ajudou a jogar para baixo o setor financeiro nas bolsas dos EUA depois da divulgação do relatório. Isso bateu também no Brasil, derrubando o IFNC, índice da bolsa de valores que contempla empresas do setor financeiro.

Ações em queda

Nasdaq -1,13%
Dow Jones -1,66%
S&P 500 - 1,04%

Citi Group -4,53%
Morgan Stanley -4,91%
Bank of America -3,75%
JP Morgan -4,22%
IFNC BRASIL -2,06%

*Desempenho no fechamento do dia 24 de fevereiro

Esse impacto sobre a classe trabalhadora responsável pelo grosso do consumo pode afetar diretamente os resultados das companhias. “Num primeiro momento, as empresas ficam mais eficientes, o lucro aumenta, mas, no segundo instante, as empresas ficam sem demanda. Isso impactou o mercado (financeiro) americano e acabou poluindo o mercado brasileiro também", acrescentou Souza.

Alguns economistas têm alertado para um aumento gradual do descasamento entre o crescimento do PIB e outros indicadores como renda e emprego na maior economia do mundo. Isso porque o avanço da economia americana tem se concentrado cada vez mais no setor de tecnologia, intensivo em capital, mas escasso em mão de obra.

Problemas financeiros em grandes centros econômicos

O relatório cita aspectos reais apontados como desdobramentos desse movimento de substituição do emprego em setores especializados da economia americana, e o consequente esmagamento da renda. Um deles é o aumento dos atrasos no pagamento das hipotecas em regiões que concentram empresas de setores com maior uso de mão de obra qualificada.

“Chega um momento em que quando a pessoa perde seu emprego isso vai impactar a hipoteca, o financiamento imobiliário, ele perde o poder de pagar a hipoteca. E isso está concentrado hoje nos setores de tecnologia e financeiro, como São Francisco, Nova York, Seattle, Manhattan e Austin”, detalhou Souza.

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