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IA ameaça empregos qualificados e pressiona setor financeiro nas bolsas
Publicado 24/02/2026 • 12:20 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 24/02/2026 • 12:20 | Atualizado há 2 horas
Imagem criada como IA generativo
A tese de que a inteligência está deixando de ser escassa ganhou novo capítulo. O relatório da Citrini Research aponta que a automação avançada pode atingir economistas, engenheiros, jornalistas e executivos — inclusive CEOs. O impacto imediato foi sentido nas ações de bancos americanos e no IFNC brasileiro, refletindo o temor de queda futura no consumo e no crédito.
Relatório chamado “Crise global da inteligência 2028” da consultoria Citrini Research, que se apresenta como um "exercício de pensamento sobre a história financeira, do futuro", alegou que o mundo pode sentir um impacto nas profissões que são responsáveis por gerar a maior parte da renda voltadq ao consumo.
"A inteligência daquilo que sempre soubemos fazer sempre foi algo escasso", diz o documento. Vitor Souza, analista de ações da Genial Investimentos, menciona riscos relacionados a profissões como qs de economista, advogado, jornalista, dentista, entre outros, que estão sob risco.
“Com as inteligências artificiais, a inteligência passa a ser abundante, e por um custo marginal cada vez menor", acrescenta o analista.
As novas tecnologias em IA passam a atingir frontalmente os setores mais especializados da economia e suas profissões, chamadas white collor jobs. Poucos dias antes da divulgação do relatório, Sam Altman, o CEO da OpenAI, disse, durante o AI Impact Summit, em Nova Déli, na Índia, que nem mesmo o cargo de CEO está a salvo da IA.
Segundo o relatório da Citrini, isso já está acontecendo na economia americana.
"Trabalhadores de colarinho branco representam 50% dos empregos e 75% do consumo discricionário", diz o relatório. Isso inclui setores de bens de consumo duráveis, que rodam em função do crédito. Isso ajudou a jogar para baixo o setor financeiro nas bolsas dos EUA depois da divulgação do relatório. Isso bateu também no Brasil, derrubando o IFNC, índice da bolsa de valores que contempla empresas do setor financeiro.
Nasdaq -1,13%
Dow Jones -1,66%
S&P 500 - 1,04%
Citi Group -4,53%
Morgan Stanley -4,91%
Bank of America -3,75%
JP Morgan -4,22%
IFNC BRASIL -2,06%
*Desempenho no fechamento do dia 24 de fevereiro
Esse impacto sobre a classe trabalhadora responsável pelo grosso do consumo pode afetar diretamente os resultados das companhias. “Num primeiro momento, as empresas ficam mais eficientes, o lucro aumenta, mas, no segundo instante, as empresas ficam sem demanda. Isso impactou o mercado (financeiro) americano e acabou poluindo o mercado brasileiro também", acrescentou Souza.
Alguns economistas têm alertado para um aumento gradual do descasamento entre o crescimento do PIB e outros indicadores como renda e emprego na maior economia do mundo. Isso porque o avanço da economia americana tem se concentrado cada vez mais no setor de tecnologia, intensivo em capital, mas escasso em mão de obra.
O relatório cita aspectos reais apontados como desdobramentos desse movimento de substituição do emprego em setores especializados da economia americana, e o consequente esmagamento da renda. Um deles é o aumento dos atrasos no pagamento das hipotecas em regiões que concentram empresas de setores com maior uso de mão de obra qualificada.
“Chega um momento em que quando a pessoa perde seu emprego isso vai impactar a hipoteca, o financiamento imobiliário, ele perde o poder de pagar a hipoteca. E isso está concentrado hoje nos setores de tecnologia e financeiro, como São Francisco, Nova York, Seattle, Manhattan e Austin”, detalhou Souza.
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