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Galípolo diz que problema do Master era com ativos e não “CDB a 140%”
Publicado 09/02/2026 • 14:15 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 09/02/2026 • 14:15 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a atuação da diretoria de Fiscalização da instituição no caso Master e afirmou que o problema do banco não foi a promessa de taxas elevadas de retorno aos investidores, mas a falta de ativos capazes de garantir a solidez da operação.
“Não há nenhuma regra que vete taxas acima do CDI. Houve gente pedindo a liquidação do banco por causa disso, mas não se trata desse ponto”, disse Galípolo nesta segunda-feira (9), durante evento da ABBC, uma das maiores associações de bancos do país.
“Muitas vezes se discute o passivo, mas, nesse caso, me parece que o problema era o ativo”, completou.
Galípolo também elogiou a atuação da diretoria de Fiscalização e afirmou que, em janeiro, logo após a nova gestão assumir o BC, o diretor Ailton de Aquino iniciou o processo de escrutínio das atividades do Master.
“A diretoria de fiscalização agiu rapidamente. É ela que dá o cartão amarelo e concede seis meses para correções de liquidez, governança e patrimônio”, afirmou.
Segundo ele, foi também essa área que começou a identificar problemas nas carteiras de crédito. “O que soou estranho foi a formação de novas carteiras e a venda de carteiras recém-criadas”, acrescentou.
De acordo com Galípolo, em janeiro a diretoria levantou dúvidas e, em fevereiro, criou um grupo para acompanhar a situação. “Em março, Ailton teria levado o problema a mim e, a partir daí, as autoridades foram notificadas”, disse.
O presidente do BC também defendeu o tempo adotado para a ação da instituição no caso. “Precisamos fundamentar bem uma eventual liquidação, porque o Banco Central seria imediatamente questionado”, afirmou.
Ele ainda agradeceu o apoio da opinião pública e do governo na condução do processo de liquidação do Master.
Leia também: Galípolo diz que Brasil atrai capital em meio a tarifas dos EUA e alerta para desafio da inflação
Galípolo afirmou que o momento é de “calibragem” da política monetária e de reconhecimento de uma melhora no cenário econômico brasileiro, mas fez ressalvas. “Não é uma volta da vitória, porque temos dados que mostram resiliência da economia”, ponderou.
Segundo ele, as expectativas dentro do horizonte relevante do BC — de 18 meses — ainda não são animadoras. “Isso nos incomoda bastante, além da desancoragem em horizontes mais distantes”, alertou.
Galípolo disse ainda que o nível de juros no Brasil e seu impacto sobre a atividade econômica representam o “grande desafio” atual da política monetária. Acrescentou que, diferentemente dos economistas do período do Plano Real, os atuais não dispõem de “uma bala de prata” para controlar a inflação e garantir crescimento sustentável.
Por fim, afirmou que o país precisará avançar em algumas reformas para atingir esse objetivo, sem especificar quais.
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