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Warsh se apresenta como reformista em sinalização a Trump e vence primeira batalha como presidente do Fed
Publicado 18/06/2026 • 21:35 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 18/06/2026 • 21:35 | Atualizado há 3 meses
Foto: Getty Images
Kevin Warsh usou tom reformista, indicando que pretende atacar principalmente o padrão de comunicação consolidado durante a gestão de Jerome Powell. Uma das promessas é reduzir os pronunciamentos do Fed tanto depois das reuniões quanto nas análises econômicas periódicas. "Vocês talvez já tenham notado algo diferente no comunicado de hoje. Ele está um pouco mais curto, um pouco mais simples e elimina algumas formulações mais antigas", disse Warsh durante a tradicional entrevista coletiva do presidente depois da decisão sobre juros, a primeira do novo presidente, ao comentar o texto de apenas 130 palavras do comunicado sobre juros, à metade dos textos anteriores.
Essa redução pode parecer detalhe, mas não é. A primeira ferramenta do BC para lidar com o mercado é o juro. A segunda, seus pronunciamentos. Isso significa um discreto cala-boca na instituição, que funcionou como uma voz dissonante à do governo Trump II, ao menos, até aqui. Assim, o novo presidente do banco central dos EUA dá sinais de que pretende distensionar as relações entre Fed e governo, que tiveram seus piores dias nos entraves entre Trump e Powell ao longo de 2025. Para isso, Warsh deve deixar a comunicação sobre a saúde da economia dos EUA na mão do Tesouro e da Secretaria de Estado.
Já se mostrando à vontade na posição de banqueiro central, Warsh utiliza -- com habilidade -- as entrelinhas para comunicar intenções. Ele disse que "está ausente a chamada 'orientação futura' (forward guidance)", que, segundo ele, não é "adequada para a atual conjuntura da política monetária", avaliou. Basicamente, reforça que não estará sob encargo do Fed direcionar as perspectivas para o mercado, deixando que o governo atue nesse sentido. Ele afirmou que já havia, ainda antes de assumir o cargo, uma força-tarefa dedicada a encontrar soluções para desidratar o Resumo das Projeções Econômicas, documentos do Fed que trazem atualizações do cenário econômico americano.
Além disso, Warsh buscou destacar que há espaço para diálogo na intenção de reverter a vontade de parte dos membros do Fomc de subir juros no fim de 2026. Mas, para isso, precisará contar com dados mais favoráveis. Por enquanto, o cenário é de pressão inflacionária crescente. As projeções do Fed para inflação dispararam de 2,7% para 3,6% em apenas alguns meses, aumentando a distância para a meta de 2%. Essa projeção de inflação será uma das silenciadas pelo BC americano caso a reforma de Warsh seja concretizada.
Ainda sobre os preços nos EUA, a guerra no Irã é um dos aspectos que têm pesado sobre os indicadores. Mas, antes disso, tarifaço, guerra na Ucrânia e pandemia já colocavam os preços nos EUA em um patamar estruturalmente mais alto. Para reforçar a situação do que se pode chamar de incômodo aquecimento da economia americana, o relatório de emprego -- payroll -- de maio apontou criação de postos de trabalho batendo 172 mil vagas, contra os cerca de 85 mil projetados, na média, pelo mercado. Depois disso, o mercado financeiro mostrou grande preocupação, com a queda acentuada da bolsa de valores e mudando as projeções para os juros terminais nos EUA.
Apesar do cenário complexo pela frente, Warsh já tem uma vitória para chamar de sua. A manutenção dos juros foi decisão unânime dentro do Fomc, o que desmontou um dos temores do mercado. Existia o receito de que dissidências dentro do colegiado pudessem ser agravadas com a gestão de Warsh. Isso porque na última reunião de Jerome Powell, em abril, três membros destoaram dos demais com relação ao tom do comunicado. Os investidores interpretaram isso como um perigo para a visibilidade das próximas decisões do Fed, e os juros saltaram. Acontece que, a partir de agora, com o fim do guidance, Warsh espera estabelecer a paz dentro da instituição, ainda que seja a cega, surda e muda paz de cemitério.
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