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Espanha vence a Copa das obviedades, e os dados mostram isso
Publicado 20/07/2026 • 12:28 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 20/07/2026 • 12:28 | Atualizado há 3 meses
Reprodução/X/@FIFAWorldCup
O engenheiro de obra pronta se apresenta para dizer que a vitória da Espanha em 2026 estava na cara. A prudência exigia que este texto fosse publicado depois da final. Agora, vale cravar: os dados se impuseram ao imponderável.
A Copa do Mundo de 2026 começou prometendo ser a Copa das zebras, mas depois virou o campeonato das obviedades, ainda que os plot twists protagonizados principalmente pela Argentina de Lionel Messi tenham dado vida ao roteiro. Do outro lado, a Espanha começou patinando e fez o mundo esquecer que, antes da Copa, já estava 30 jogos invicta. E seguiu sem perder até terminar o torneio.
Na batalha inaugural, a Espanha empatou em zero a zero com Cabo Verde, que chegou aos 16-avos após uma campanha histórica na primeira fase. Isso mudou os ponteiros das projeções para a competição. Os mais precipitados acabaram sacando a Espanha da lista de favoritos. Mas, no futebol, de vez em quando, o óbvio também acontece.
Com os oito jogos da Copa, a Espanha somou 38 jogos sem perder, com 29 vitórias e 9 empates. Um desses empates foi um 3 a 3 contra o Brasil, em março de 2024, inaugurando o ciclo de mais de 2 anos de invencibilidade. A última derrota da La Roja aconteceu quatro dias antes, contra a Colômbia. Nesse longo período, a Espanha teve 84,2% de aproveitamento.
Esse desempenho extraordinário deu à seleção ibérica a marca de maior sequência sem derrotas de uma seleção masculina de futebol em toda a história, superando a Itália de 2018 a 2021, que perdeu a sua invencibilidade após 37 jogos exatamente para a Espanha, em jogo que funcionou coma uma passagem de bastão de um recordista para outro. A derrota deu início a uma espiral negativa para a Azzurra, que ficou de fora da Copa no ano seguinte, uma das coisas inexplicáveis que o futebol produz quando a realidade não respeita os dados.
Em 2026, os números foram soberanos e explicam o desempenho da Espanha, assim como no campeonato de 2010, quando ganhou pela primeira vez. Em ambos os casos a seleção espanhola terminou sofrendo apenas um gol. Nos 15 jogos que fizeram do país bicampeão mundial, o índice de blindagem (jogos sem sofrer gols) foi de 86,7% ou um gol a cada 7,5 jogos. E apenas uma derrota, contra a Suíça na fase de grupos de 2010.
O desempenho defensivo chamou ainda mais atenção após a Espanha terminar com baliza-zero o jogo contra o poderoso ataque francês, que teve o artilheiro da Copa, Kylian Mbappé, com 10 gols. Inclusive, o desempenho positivo da Espanha contra a França não foi apenas no mundial. Entre as duas potências europeias, a Espanha ganhou oito dos últimos 11 jogos. A La Roja eliminou os Bleus da Euro de 2024, da Copa das Nações de 2025 e, agora, da Copa do Mundo de 2026. Sempre nas semifinais.
E a força dos espanhóis ficou escancarada também em conflitos com outros gigantes europeus. Para vencer a Euro em 2024, os espanhóis tiveram que superar a Alemanha nas quartas e a Inglaterra na final. A campanha foi de sete vitórias em sete jogos. Assim, no ciclo entre as copas de 22 e 26, a Espanha foi a grande vencedora, conquistando uma Copa das Nações e uma Eurocopa.
Vale mencionar também o desempenho dominante da La Roja nas eliminatórias, com 5 vitórias e 1 empate em 6 jogos, além de 21 gols marcados e apenas dois sofridos, no jogo derradeiro, contra a Turquia, quando os espanhóis já tinham vaga assegurada para o mundial.
Pedra no sapato da Espanha na primeira fase, Cabo Verde fortaleceu a teoria de que 2026 seria a Copa das zebras. Essa teoria ganhou mais argumentos enquanto Vozinha e seus companheiros faziam jogo heroico contra a Argentina. Mas sucumbiram ao final. Dada a dificuldade do jogo, as projeções também passaram a ser mais pessimistas para a Argentina. Mas a tricampeã do mundo fez valer os resultados obtidos ao longo do último ciclo e chegou à final depois de duas “remontadas” históricas contra Egito e Inglaterra.
Além de portar o cinturão de campeã do mundo de 2022, a Argentina tinha também o título da Copa América de 2024 e alcançou liderança folgada das eliminatórias. O país fez sua hegemonia temporária prevalecer pela segunda Copa consecutiva ao representar a região na finalíssima — ainda que muitos brasileiros e outros vizinhos não se sintam tão representados pelo sucesso da albiceleste.
Ao final, prevaleceu o desempenho dos europeus, o que também tem sido mais frequente. Agora são 13 títulos das nações do velho mundo contra 10 dos sulamericanos. No século 20, os europeus somaram oito títulos contra os mesmos oito conquistados por Uruguai, Argentina e Brasil. Ao final, as tendências se confirmaram, apesar da volatilidade ao longo do caminho.
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