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Bitcoin se desintegrou e estava rumo ao espiral da morte; o risco ficou no passado?
Publicado 06/02/2026 • 16:37 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 06/02/2026 • 16:37 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
O Bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, despencou nesta semana, anulando os ganhos impulsionados pela vitória eleitoral de Donald Trump em novembro de 2024.
A moeda digital caiu para US$ 60.033,01 na sexta-feira (6), antes de recuperar parte das perdas, e está cerca de metade abaixo de seu pico em outubro, acima de US$ 120 mil (R$ 640,8 mil). A AFP explica por que os preços caíram. Por volta das 16h34, o bitcoin se recuperou e negociava em torno a US$ 70 mil.
As moedas digitais dispararam após a vitória eleitoral de Trump, já que ele era amplamente visto como um forte apoiador da tecnologia. Ele chegou a celebrar publicamente o fato de o bitcoin ter ultrapassado a marca de US$ 100 mil (R$ 534 mil) pela primeira vez em dezembro de 2024.
Mas a valorização sofreu um forte revés em abril, depois que Trump anunciou tarifas alfandegárias abrangentes nos EUA, abalando os mercados mundiais. Posteriormente, o bitcoin retomou sua marcha ascendente junto com as ações e outros mercados, atingindo o recorde de US$ 126.251,31 (R$ 674,2 mil) seis meses depois.
Leia também: Bitcoin registra alta de 10%, mas analistas alertam para possíveis novas quedas
No entanto, o entusiasmo diminuiu à medida que os investidores ficam impacientes com a incerteza regulatória. Embora o Congresso dos EUA tenha aprovado uma lei em julho para regular as stablecoins — um tipo de criptomoeda lastreada em ativos tradicionais — um projeto de lei mais amplo para o setor, o Clarity Act, está travado no Senado.
“Um teste fundamental para a capacidade do Bitcoin de se recuperar de forma sustentável será a aprovação do Clarity Act”, afirmaram os analistas do Deutsche Bank, Marion Laboure e Camilla Siazon.
A queda recente em metais preciosos como ouro e prata — à medida que os investidores realizaram lucros após uma alta meteórica — foi um dos principais gatilhos para o tombo do bitcoin.
Esse recuo fez com que muitos investidores corressem para vender criptomoedas e outros ativos de risco para levantar caixa.
Leia também: TCR Finance comenta volatilidade do bitcoin e oportunidades no mercado cripto
“Essa interrupção não está ocorrendo no vácuo, mas em um contexto de desconfiança generalizada”, disse John Plassard, diretor de estratégia de investimento do banco privado Cite Gestion. “A volatilidade na tecnologia e nos metais preciosos está alimentando um movimento global de redução de risco.”
A onda de vendas foi intensificada pela desalavancagem forçada, já que investidores que tomaram dinheiro emprestado para apostar na alta do bitcoin são obrigados a vender quando as perdas aumentam, empurrando os preços ainda mais para baixo.
As quedas das criptomoedas ganharam ritmo esta semana, enquanto investidores vendiam ações de tecnologia devido a novas preocupações sobre uma bolha de inteligência artificial (IA). Analistas observaram que o bitcoin e as ações ligadas à IA frequentemente se movem na mesma direção.
“Nos últimos anos, a liquidez fluiu através de ativos digitais e ações de tecnologia avançada ao mesmo tempo”, disse Kathleen Brooks, diretora de pesquisa do grupo de trading XTB. “Isso significa que ambas as classes de ativos compartilham um vínculo financeiro estreito.”
Michael Burry, o investidor que ficou famoso por prever a crise do subprime de 2008, alimentou temores na segunda-feira ao sinalizar uma possível “espiral da morte” para o bitcoin.
Leia também: Cripto Brasil analisa queda do bitcoin, influência de Trump e o futuro dos pagamentos internacionais
A retração levantou questões sobre a viabilidade de empresas que fazem gestão de tesouraria em ativos digitais, que acumulam criptomoedas apostando que os preços continuarão a subir.
Muitas dessas empresas estão “sentadas em perdas não realizadas significativas”, disse Charlie Sherry, chefe de finanças da BTC Markets. Se essas empresas forem forçadas a vender suas reservas de bitcoin para se manterem à tona, isso poderia inundar o mercado e ampliar a espiral negativa nos preços.
As ações da Strategy [MicroStrategy], que detém mais de 713 mil bitcoins, despencaram mais de 17% na sexta-feira após relatar um prejuízo líquido de US$ 12,4 bilhões (R$ 66,2 bilhões) vinculado à desvalorização das criptos. Além disso, a exchange norte-americana Gemini anunciou na quinta-feira que cortaria cerca de um quarto de sua força de trabalho e se retiraria de vários mercados internacionais devido à crise nos ativos digitais.
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