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Cripto Brasil: stablecoins ganham espaço como meio de pagamento e reserva de valor
Publicado 11/04/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 dia
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Publicado 11/04/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 dia
KEY POINTS
A ascensão das stablecoins como ferramenta de pagamento e reserva de valor tem transformado o cenário da criptoeconomia global, superando a volatilidade de outros ativos digitais, disse Guilherme Murtinho, sócio e VP da Transfero, em entrevista ao quadro Cripto Brasil do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que a criação de moedas pareadas ao real facilita o trânsito de capital para brasileiros no exterior: “O uso das stablecoins, e a gente pode falar por experiência própria, porque lançamos a primeira stablecoin de real do mundo, que é o BRZ. E o BRZ, naturalmente, é uma stablecoin para poder dar acesso ao investidor brasileiro ou quem precisa trocar valores de maneira internacional com uma unidade pareada ao real”.
A eficiência dessas moedas digitais tem atraído especialmente o mercado asiático em transações comerciais com a América Latina, conforme explicou Richard Meng, cofundador da Cregis.
O executivo apontou uma mudança na preferência de pagamento de fornecedores internacionais: “O que está acontecendo agora é que, sendo eu da China, percebo que o mercado latino, muitas empresas de comércio compram as roupas e produtos eletrônicos de fábricas chinesas. Hoje em dia, eles preferem pré-pagamento por stablecoin. Acho que essa tendência vai aumentar bastante no futuro e ajudar o sistema financeiro global a transicionar mais rápido”.
Apesar do crescimento, o setor ainda aguarda definições importantes do Banco Central para ganhar escala, disse Rodrigo Batista, comentarista e CEO da Digitra.
Para o executivo, a segurança jurídica é o principal entrave para a popularização definitiva da tecnologia: “Faltam duas coisas principalmente. A primeira é uma clareza regulatória. Então, recentemente o Banco Central falou que vai lidar com isso, que vai colocar novas regras. Existe também uma falta de clareza com relação à tributação. Por exemplo, no uso de envios de remessa para o exterior, como que isso é tributado e como vai ser tributado”.
Mesmo com a eficiência do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, as moedas pareadas ainda ocupam nichos essenciais para o investidor, explicou Rodrigo.
Batista ressaltou que as stablecoins funcionam como uma alternativa de proteção e internacionalização de patrimônio: “Um uso que está se tornando cada vez mais comum é para dolarizar parte das suas economias, parte dos seus investimentos. E o outro são remessas internacionais. Eu diria que esse é o principal ponto, é o principal uso de stablecoins no Brasil hoje, que é o envio de dólares e de pagamentos do Brasil para o exterior, ou mesmo receber do exterior para cá”.
Paralelamente, o Bitcoin tem demonstrado resiliência em períodos de instabilidade geopolítica, comportando-se de forma distinta das ações tradicionais, afirmou Max Gokhman, vice-diretor de investimento da Franklin Templeton.
O gestor observou que a maturidade da classe de ativos digitais está mudando as correlações históricas do mercado: “Ouro digital ainda é um termo apropriado, eu acho, porque é um ativo de rede. E o que eu quero dizer com isso é que seu valor depende realmente do que todos atribuem a ele. Isso é semelhante ao ouro físico, onde nós, como cidadãos, acreditamos que o ouro é valioso. O mesmo vale para o bitcoin. É muito diferente de outros projetos de ativos digitais”.
Para investidores que buscam segurança em tempos de guerra, a inclusão de criptoativos no portfólio tornou-se uma estratégia de diversificação necessária, explicou o executivo.
Gokhman acredita que a visão tradicional de ativos de proteção está em evolução: “O que eu acho que isso me diz e mostra com os dados concretos é que você precisa considerar uma alocação para ativos digitais como parte do seu porto seguro. E isso provavelmente se manterá melhor. O diferente desta vez é que ativos digitais são parte real desse cesto de portos seguros”.
A comparação direta entre o Bitcoin e o ouro físico baseia-se em propriedades técnicas fundamentais de escassez e independência estatal.
Ele comparou os limites de oferta de ambos os ativos como o grande diferencial competitivo: “O ouro é um ativo que a gente tem uma quantidade limitada aqui no planeta. E o bitcoin tem uma propriedade que é idêntica a ele. A gente tem 21 milhões de moedas e essas moedas estão ali travadas no código. Tem um outro ponto que agrada muito, principalmente em momentos de tensão, é que eles não dependem de governos”.
Por fim, o especialista reforçou que a volatilidade atual do mercado global torna impossível eleger um único ativo como salvaguarda absoluta para o capital, favorecendo a mistura de investimentos.
Batista concluiu que o consenso entre analistas tem convergido para uma proteção híbrida: “Hoje, você não consegue mais definir que existe um único ativo, um único tipo de investimento que é uma proteção num momento caótico como o que a gente está vivendo. Tudo isso acaba que os especialistas estão chegando ali num consenso de que ter um pouquinho de cada é o que garante essa proteção numa economia instável como a nossa”.
O programa Cripto Brasil vai ao ar toda quarta-feira, às 14h30 (horário de Brasília), no Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
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