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Eleições 2026

Relação com China deve superar ideologia após eleição

Publicado 06/10/2026 • 16:38 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • China espera que o pragmatismo econômico prevaleça na relação com o Brasil, independentemente do vencedor do segundo turno.
  • Peso chinês no comércio e nos investimentos brasileiros dificulta uma mudança brusca na relação entre os dois países.
  • Professor considera arriscado concentrar a política externa na proximidade com Trump e defende foco nos interesses de longo prazo.

A relação econômica do Brasil com a China tende a se sobrepor a eventuais divergências ideológicas após a eleição presidencial, independentemente de quem vencer o segundo turno. A avaliação é de Marcus Vinicius de Freitas, professor de Direito e Relações Internacionais.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Freitas afirmou que o peso chinês no comércio e nos investimentos brasileiros exige uma política externa orientada pelo pragmatismo e pelos interesses de longo prazo do país.

“A expectativa é de que a questão ideológica assuma um papel secundário diante dos interesses do Brasil no longo prazo e dos interesses do país, não só neste ciclo eleitoral, mas nas próximas décadas”, disse.

Segundo o professor, o cenário internacional atravessa um período de transformação marcado pela ascensão da China e pelo declínio relativo dos Estados Unidos, movimento que deveria ser considerado pelo próximo governo brasileiro.

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“Seria equivocado nós tomarmos medidas que não levem em consideração esta movimentação global”, ressaltou.

China espera pragmatismo na relação com Brasil

Freitas afirmou que Pequim tende a enxergar uma eventual troca de governo como parte do funcionamento das democracias ocidentais e espera que a relação bilateral continue avançando.

“A China olha com a expectativa de que haja uma prevalência do pragmatismo, uma vez que os Estados Unidos não têm as condições de assumir aquilo que a China representa hoje em dia economicamente para o Brasil”, explicou.

O professor destacou que a China responde por quase 30% das exportações brasileiras e mantém presença relevante como investidora no país. Na avaliação dele, esse peso econômico reduz o espaço para que divergências políticas determinem os rumos da relação.

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A análise também considera uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e as diferenças ideológicas que poderiam surgir na relação com Pequim. Para Freitas, porém, os interesses econômicos brasileiros deveriam prevalecer sobre alinhamentos políticos.

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Relação com Trump tem prazo político

Ao tratar dos Estados Unidos, Freitas ponderou que a proximidade entre Donald Trump e a família Bolsonaro não deveria levar o Brasil a concentrar sua estratégia externa nessa relação.

“Daqui a um mês, provavelmente, o presidente Trump se torna um pato manco como presidente dos Estados Unidos em razão das eleições de meio de mandato”, avaliou.

Segundo o professor, uma eventual perda do controle da Câmara dos Deputados poderia impor dificuldades à implementação da agenda de Trump durante os dois anos restantes de seu mandato.

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“O Brasil apostar todas as fichas no relacionamento com um presidente que provavelmente será um pato manco e que tem mais dois anos de poder é algo temerário na questão dos interesses do país no longo prazo”, afirmou.

Freitas também avalia que há mais espaço para ampliar a relação econômica com a China. O país asiático, segundo ele, ainda tem um longo percurso de desenvolvimento e crescimento da renda per capita, abrindo novas possibilidades para o Brasil.

Comércio e tecnologia

Para Freitas, o resultado do segundo turno não deveria alterar o princípio que orienta a atuação internacional brasileira.

“Não importa quem vai vencer a eleição. Não deve prevalecer a questão ideológica, mas aquilo que a gente chama de interesse do Brasil”, destacou.

Esse interesse, segundo o professor, passa por aumentar as exportações e obter ganhos tecnológicos nas relações comerciais, especialmente diante das transformações provocadas pela inteligência artificial.

“O interesse do Brasil nesta relação é crescer economicamente, fazer com que o mundo compre mais os seus produtos, mas que na relação comercial também haja ganhos em matéria de tecnologia e, principalmente, para os grandes desafios tecnológicos que vêm à frente, particularmente em razão da inteligência artificial”, concluiu.

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