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Bioinsumos podem reduzir dependência externa e ganhar metade do mercado agrícola
Publicado 17/06/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 17/06/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
A agricultura regenerativa e a ampliação do uso de bioinsumos podem reduzir a dependência brasileira de fertilizantes e defensivos importados, além de aumentar a competitividade do agro nos próximos anos, afirmou Reginaldo Minaré, diretor-executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos (Abbins). Segundo ele, os bioinsumos têm potencial para ocupar cerca de 50% do mercado nacional de insumos agrícolas.
Ele concedeu entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Ao comentar a recente queda dos preços da ureia, impulsionada pela expectativa de normalização das rotas comerciais no Oriente Médio, Minaré avaliou que a redução dos custos é positiva para os produtores, mas ressaltou que o Brasil continua vulnerável às oscilações internacionais devido à dependência de importações.
“Uma estabilização no universo geopolítico é muito bem-vinda para o setor produtivo brasileiro. Especialmente para a agricultura, que tem essa dependência de fertilizantes e também de agrotóxicos. Algo em torno de 90% do que a gente utiliza precisa de importação”, destacou.
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Segundo o executivo, crises globais como a pandemia, a guerra na Ucrânia e os conflitos recentes no Oriente Médio evidenciaram os riscos dessa dependência, pressionando os custos de produção por meio da alta dos combustíveis, do transporte, do enxofre e dos fertilizantes.
“O que a gente espera é que o Brasil consiga ter uma autonomia maior de produção desses insumos agropecuários dentro do território nacional. Isso seria fundamental para a agricultura brasileira”, ressaltou.
Para Minaré, os bioinsumos já possuem capacidade de substituir uma parcela significativa dos insumos químicos, mas seu potencial é ampliado quando inseridos em um modelo mais amplo de agricultura regenerativa.
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Ele explicou que essa abordagem envolve o uso combinado de bioinsumos, fertilizantes orgânicos, remineralizadores e plantas de cobertura, além de práticas que aumentem a matéria orgânica e a atividade biológica do solo.
“Os bioinsumos são ferramentas fundamentais para essa nova agricultura regenerativa, que é um modelo de agricultura cujo volume grande de compradores em todo o mundo está interessado”, afirmou.
O dirigente da ABBINS acredita que esse sistema tende a se consolidar rapidamente.
“Nós entendemos que a agricultura regenerativa será a agricultura convencional de um amanhã muito próximo. E dentro desse universo os bioinsumos têm um papel fundamental”, observou.
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Minaré apontou que o principal obstáculo para uma expansão mais acelerada do setor está na regulamentação da Lei de Bioinsumos, aprovada em 2024.
Segundo ele, o marco legal representou um avanço importante ao criar regras específicas para o segmento, mas a ausência do decreto regulamentador ainda gera insegurança para investidores.
“Já deveríamos ter um decreto regulamentador da lei. Enquanto esse decreto não vem, cria uma dificuldade para a credibilidade de quem quer investir em bioinsumos de fato investir”, explicou.
De acordo com o executivo, o mercado cresce atualmente entre 14% e 15% ao ano, mas poderia avançar em ritmo muito superior caso o ambiente regulatório estivesse completamente definido. “Nós teríamos condições de estar crescendo algo em torno de 25% a 30% ao ano sem dificuldade, se a gente já tivesse uma estrutura normativa completa”, avaliou.
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Seguir no GoogleO diretor-executivo da ABBINS também afirmou que ainda existe resistência ao avanço dos bioinsumos dentro do próprio agronegócio.
Segundo ele, parte dessa dificuldade está relacionada à formação acadêmica dos profissionais da área, ainda fortemente influenciada pelo modelo da Revolução Verde e pelo uso predominante de insumos químicos.
“O volume de horas-aula que os futuros profissionais recebem relacionado ao uso de bioinsumos ainda é muito pequeno. Predomina a visão centralizada no uso de químico”, disse.
Além disso, Minaré destacou a disputa comercial com segmentos já consolidados do mercado agrícola. “Você tem um mercado de agrotóxicos que é gigantesco e que pode perder uma fatia dessa rentabilidade para os bioinsumos”, pontuou.
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Ele lembrou ainda que houve forte resistência durante a tramitação da Lei de Bioinsumos, especialmente em relação ao direito dos agricultores de produzirem bioinsumos para uso próprio.
“Enfrentamos dificuldades muito grandes nessa aprovação porque havia um segmento da indústria que queria impedir que o agricultor produzisse bioinsumos para uso próprio. Isso ainda persiste em alguns grupos na discussão do decreto de regulamentação”, concluiu.
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