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Agro

Dependência de fertilizantes ameaça soberania alimentar do Brasil, alerta Kátia Abreu

Publicado 17/06/2026 • 15:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no campo e segue vulnerável a conflitos geopolíticos.
  • Ex-senadora defende investimentos em hidrogênio verde para ampliar a produção nacional de nitrogenados.
  • País gastou US$ 123 bilhões em importações de fertilizantes nos últimos dez anos.

A dependência brasileira de fertilizantes importados representa uma das principais fragilidades do agronegócio nacional e compromete a segurança alimentar do país, afirmou Kátia Abreu, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ela, os recentes conflitos internacionais evidenciaram a necessidade de ampliar a produção doméstica de insumos estratégicos para o campo.

Kátia destacou que, apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, a produção agrícola continua fortemente dependente de insumos vindos do exterior.

Sem fertilizante não há comida, não há produção, não há preparo de solo, não há grãos, não há nada. Nós não produzimos o principal insumo da agricultura e, por isso, não podemos dizer que temos plena soberania alimentar”, afirmou nesta quarta-feira (17), durante sua participação no quadro “Momento Agro”.

Segundo ela, a pandemia de Covid-19, a guerra entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, as tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos expuseram os riscos dessa dependência.

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Estamos vivendo o pior dos mundos. Dependemos do potássio vindo de regiões em conflito e dos nitrogenados produzidos justamente em uma das áreas mais sensíveis da geopolítica global”, ressaltou.

Risco em Ormuz

Kátia lembrou que cerca de um terço dos fertilizantes nitrogenados consumidos globalmente passa pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o comércio internacional.

Ali, em um estreito de apenas 39 quilômetros, passa mais de 30% de todo o nitrogenado distribuído no mundo. Os produtores brasileiros dependem desse gargalo para plantar suas safras”, observou.

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Ela destacou que a reabertura de fábricas de fertilizantes pela Petrobras ajudará a elevar a produção nacional, mas ainda será insuficiente para atender toda a demanda do país.

Hidrogênio verde

Como alternativa, a ex-ministra da Agricultura defendeu a expansão da produção de fertilizantes a partir do hidrogênio verde.

Segundo ela, o Brasil reúne condições para instalar fábricas próximas às regiões produtoras e reduzir a dependência externa dos nitrogenados. “Nós temos condições de montar fábricas no Centro-Oeste, no Matopiba, em São Paulo e no Sul. Isso traria competitividade, reduziria custos e garantiria segurança alimentar e geopolítica para o país”, destacou.

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Kátia estimou que seriam necessários investimentos de cerca de US$ 20 bilhões (R$ 101,8 bilhões) para viabilizar a produção das 10 milhões de toneladas adicionais de nitrogenados que o país ainda precisa fabricar internamente.

Ela comparou o potencial do hidrogênio verde ao programa de etanol iniciado na década de 1970. “O Brasil decidiu investir no etanol em 1979 e hoje é referência mundial. Precisamos fazer o mesmo com o hidrogênio verde para transformar o país em uma potência na produção de fertilizantes sustentáveis”, argumentou.

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Produção nacional

Além dos nitrogenados, Kátia defendeu o avanço dos projetos nacionais de exploração de potássio para reduzir a dependência das importações.

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Atualmente, o Brasil importa cerca de 95% do potássio utilizado na agricultura, principalmente de países como Rússia, Canadá, Belarus e Israel.

Nos últimos dez anos, gastamos US$ 123 bilhões (R$ 626,1 bilhões) em fertilizantes importados. Imagine se esse recurso tivesse permanecido no Brasil, financiando produção, empregos e desenvolvimento tecnológico nacional”, concluiu.

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