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Giannetti: cadeia de fertilizantes vai demorar três anos para se normalizar após conflito EUA x Irã
Publicado 25/05/2026 • 22:00 | Atualizado há 43 minutos
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Publicado 25/05/2026 • 22:00 | Atualizado há 43 minutos
KEY POINTS
O risco de desabastecimento de fertilizantes no Brasil já preocupa produtores rurais e especialistas diante da guerra entre Estados Unidos e Irã, que completa quase três meses e segue pressionando cadeias globais de energia e insumos agrícolas.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o economista e ex-secretário de Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou que a dependência brasileira de fertilizantes importados expõe o agronegócio a um cenário considerado crítico para a próxima safra.
Segundo ele, o Brasil importa mais de 95% do potássio consumido no país, além de cerca de 80% dos fertilizantes nitrogenados e entre 70% e 80% dos fosfatados — componentes que formam o chamado NPK, principal base dos fertilizantes usados na agricultura.
Giannetti afirmou que os preços dos insumos já dispararam e alertou para a possibilidade de escassez nos próximos meses. “Muitos produtores já vão enfrentar falta de fertilizantes ou terão de comprar a preços muito mais elevados”, disse.
De acordo com o economista, os estoques adquiridos no início do ano garantiram abastecimento para a safra atual, mas o cenário preocupa para o segundo semestre, especialmente diante do aumento dos custos e da deterioração financeira do setor agrícola.
Ele destacou que produtores rurais enfrentam margens pressionadas, dificuldades de fluxo de caixa e renegociação de dívidas em um momento em que os preços internacionais de grãos não acompanham a alta dos custos de produção.
O economista também criticou a falta de planejamento do país nas últimas décadas para ampliar a produção nacional de fertilizantes. Segundo ele, embora exista atualmente um Plano Nacional de Fertilizantes, as medidas foram implementadas tardiamente.
“O Brasil negligenciou essa questão durante muitos anos. Agora estamos correndo atrás do atraso”, afirmou.
Além dos impactos econômicos, Giannetti alertou para possíveis efeitos sobre a produtividade agrícola brasileira, principalmente em culturas como soja, milho e café, altamente dependentes da correção de solo com fertilizantes, sobretudo nas áreas de Cerrado.
Segundo ele, a situação pode ser agravada por fatores climáticos ligados ao fenômeno El Niño, com risco de excesso de chuvas em algumas regiões e estiagens em outras.
O economista afirmou ainda que um eventual acordo entre Washington e Teerã tende a ocorrer “por necessidade”, diante do risco de agravamento da crise global de energia e alimentos.
Ele defendeu uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz para normalizar o fluxo internacional de petróleo, gás natural e fertilizantes.
Mesmo assim, Giannetti estima que a cadeia global de suprimentos levará entre três e seis meses para voltar à normalidade, devido aos danos registrados em instalações estratégicas de gás natural no Catar, usadas na produção de amônia e fertilizantes nitrogenados.
Segundo ele, o risco não se limita ao Brasil e pode afetar a produção agrícola global. “Se não houver uma agricultura minimamente estável em países como Brasil, China, Índia e Argentina, o mundo pode enfrentar um problema sério de abastecimento de alimentos”, alertou.
Ao comentar os efeitos econômicos da crise, o ex-secretário de Comércio Exterior também criticou a utilização dos juros como principal ferramenta de combate à inflação no Brasil.
Na avaliação dele, o atual choque inflacionário é importado e temporário, ligado ao encarecimento internacional de energia e fertilizantes, o que exigiria políticas voltadas ao aumento da oferta agrícola e não apenas aperto monetário.
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