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Carne bovina: com tarifa da China, Brasil pode deixar de exportar meio milhão de tonelada; veja detalhes
Publicado 02/01/2026 • 09:47 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 02/01/2026 • 09:47 | Atualizado há 6 meses
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Luis Robayo / AFP
A carne bovina brasileira deve sofrer impacto relevante com a adoção de medidas de salvaguarda pela China. Segundo estimativas do setor, o Brasil pode deixar de exportar até 500 mil toneladas ao principal destino da proteína em 2026, diante da imposição de cotas e tarifas adicionais.
A avaliação é de Alcides Torres, sócio-diretor da Scot Consultoria, ao comentar a decisão anunciada pelo governo chinês no fim de dezembro. Pelas novas regras, o Brasil, que vinha exportando cerca de 1,5 milhão de toneladas por ano, terá cota de pouco mais de 1,1 milhão de toneladas em 2026.
“Na prática, o Brasil deve deixar de exportar perto de 500 mil toneladas de carne bovina ao mercado chinês. É um baque, porque era um fluxo que vinha crescendo”, afirmou Torres.
Na comparação regional, Argentina e Uruguai tendem a sentir impacto proporcionalmente menor. Segundo o analista, o volume exportado por esses países é mais compatível com o tamanho de seus rebanhos, o que reduz a pressão das cotas.
“O Brasil, nesse aspecto, foi penalizado”, disse Torres. Ele acrescentou que empresas com presença regional, como a Minerva, podem se beneficiar indiretamente por meio de plantas frigoríficas localizadas fora do país.
A salvaguarda anunciada pelo Ministério do Comércio da China entrou em vigor em 1º de janeiro e terá validade até 31 de dezembro de 2028. A medida estabelece cotas anuais por país e uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que ultrapassarem os limites definidos.
Para o Brasil, a cota de carne bovina será de 1,106 milhão de toneladas em 2026, aumentando para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028.
Apesar do efeito negativo imediato, a China deve continuar sendo um mercado relevante para a carne bovina brasileira. Segundo Torres, as autoridades chinesas sinalizaram pequenos aumentos nas cotas ao longo dos três anos de vigência da medida, ainda que insuficientes para acompanhar o ritmo recente de crescimento das exportações.
“É uma notícia ruim. Era esperada, mas sempre é chato”, resumiu o analista.
Diante das restrições, a tendência é de diversificação dos mercados de destino. Segundo Torres, o Brasil deve priorizar países que não adotam cotas nem tarifas adicionais, além de buscar novos compradores.
Há ainda a possibilidade de triangulações comerciais, dentro de limites de volume, como forma de reduzir o impacto da salvaguarda chinesa sobre as exportações de carne bovina brasileira.
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